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sábado, outubro 31, 2015

Grêmio conquista o pentacampeonato, em 1960

Em 1960 o Grêmio porto-alegrense, com um time memorável comandado por Osvaldo Rolla, o "Foguinho", sagrava-se penta campeão gaúcho, em uma época em que tal campeonato tinha um enorme peso esportivo. A reprodução é da Revista do Globo, acervo do Arquivo Histórico Moyses Vellinho, da prefeitura de Porto Alegre.

Cordeiro de Farias navegando nas proximidades da Renner, em 1941


Nestes dias em que as chuvas, e a consequente possibilidade de novas enchentes, atormentam Porto Alegre e região metropolitana, nunca é demais lembrar que tal flagelo - as cheias do Guaíba - são um dilema que remonta aos primórdios da colonização da cidade e que tiveram seu ápice na primeira metade do século 20, quando as inundações desalojavam dezenas de milhares de pessoas e se constituíam no principal problema para a população e a economia porto-alegrense. Nestas reproduções, vê, em primeiro, a matéria do Correio do Povo de 1937 (um ano antes ocorrera uma cheia extraordinária) cujo título "infelicidade que não tem fim" bem representa a gravidade do problema. Na segunda foto, da Revista do Globo, aparece o Interventor Federal (governador nomeado), Osvaldo Cordeiro de Farias, em visita à fábrica da Renner, então o maior estabelecimento industrial do Estado. A Renner, em maio de 1941, durante a histórica cheia, ficou com quase dois metros de água em seus interiores e teve grande parte das partidas de lã destruídas.

sexta-feira, outubro 30, 2015

Nani, em A Charge Online.



Hoje Diego Maradona completa 55 anos, o jogador Careca faz também 55, Paulo Nunes 44 e Natália Lage festeja seus 37.

Lupicínio Rodrigues, um dos vencedores do concurso de músicas carnavalescas de 1941

O carnaval de 1941 foi o mais animado dos últimos dez anos em Porto Alegre, e poucos imaginariam que, poucos meses depois, a cidade e o Estado sofreriam a terrível calamidade da grande enchente de maio. Em uma capital de cerca de 300 mil habitantes, com a elegante rua da Praia pontificando, músicos como Lupicínio Rodrigues, que não completara 27 anos (mas já era um nome reconhecido no País) participaram do concurso de músicas carnavalescas promovido pela prefeitura comandada por Loureiro da Silva (hoje considerado o melhor chefe do executivo municipal em todos os tempos), e que encerrava as comemorações do bicentenário da cidade, uma "forçação de barra" de Loureiro, que organizara os grandes festejos de 1940, bem ao estilo ufanista do Estado Novo. Na verdade o prefeito - descendente direto de Jerônimo de Ornellas, o povoador de Porto Alegre dos Casais - se baseara em um documento antigo para fazer retroagir a data primeira da capital gaúcha. A reprodução é do jornal Correio do Povo. Note-se que, naquela época, o auditório Araújo Vianna ficava em frente ao Palácio do governo estadual e era um anfiteatro não coberto.

quinta-feira, outubro 29, 2015

Luscar, em A Charge Online.

Norberto Jung vence o Circuito Farroupilha, em 1935



O Rio Grande do Sul, ao lado de São Paulo, foi, na primeira metade do século passado, o Estado líder no automobilismo de corridas no Brasil. Circuitos, como o Cristal e Zona Sul, mobilizavam dezenas de "ases do volante", nomes como Catarino Andreatta, Júlio Andreatta, Belmiro Guedes e Norberto Jung, entre outros. Em 1935, por ocasião dos festejos do centenário da Revolução Farroupilha, Porto Alegre transformou-se com a grandiosa exposição montada na Redenção, totalmente remodelada para os eventos, disputas e solenidades. Inúmeras competições esportivas, em todas as áreas, mobilizaram a cidade. Entre elas estava o Circuito Farroupilha, vencido por Norberto Jung, como se vê nestas reproduções da Revista do Globo de novembro 1935 pertencentes ao acervo do Arquivo Histórico Moysés Vellinho, da Prefeitura de Porto Alegre. Note-se os carros e, sobretudo, os equipamentos de segurança - na verdade apenas um capacete de couro que de nada protegia. Jung, na última foto, é festejado pela vitória, com um cigarrinho na boca.

segunda-feira, outubro 26, 2015

O "bafo tumular" da Borregaard, agora chamada de Riocell

Porto Alegre, sem exagero, pode ser dividida em duas, ou três épocas: antes, durante e depois da Borreegard-Riocell, empresa de celulose de origem norueguesa que se instalou no município de Guaíba durante o regime militar, aproveitando-se dos incentivos fiscais e até financiamento governamental. Logo a gigante nórdica mostrou que não viera ao Rio Grande do Sul para "promover o desenvolvimento", como apregoava a sua propaganda. Cínica, sem dar a mínima para população, hostilizada pela imprensa, a Borregard empestou durante anos os ares de Porto Alegre e região metropolitana, sem contar a poluição nas águas do Guaíba. Sem usar aqui os equipamentos anti-poluentes que se via obrigada a utilizar em países de Primeiro Mundo, despertou a ira da população e solidificou o movimento ecológico que então nascia, liderado pela Agapan - Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, ainda hoje existente. Nesta matéria do Correio do Povo, na época de Breno Caldas, ve-se o ódio que ela despertava. Mais tarde assumindo o nome de Riocell, e presidida por um general, obrigou-se a instalar os equipamentos necessários para não exalar o seu "bafo tumular.  
Nani, em A Charge Online,


Hoje Milton Nascimento completa 73 anos, Belchior 69 e Hillary Clinton 68.

segunda-feira, outubro 19, 2015

Luscar, em A Charge Online.

No tempo em que se viajava nos navios da Costeira

Navios da Costeira. O termo era mais do que usual no Rio Grande do Sul - e também no Brasil - na primeira metade do século, época em que a navegação de cabotagem, ao longo da extensa costa marítima brasileira, transportava centenas de milhares de passageiros, em viagens longas, fatigantes e extremamente agradáveis. Porto Alegre, a última capital brasileira, ao sul, vivia tudo isso intensamente, com grande movimentação de pessoas no cais do porto, no centro, um local ainda elegante e que centralizava, verdadeiramente, a vida da cidade. Em 1935, ano do centenário da Revolução Farroupilha, a Revista do Globo, da família Bertaso, publicava este anúncio, informando sobre a saída de vapores, de passageiros e de cargas, que seguiriam para outros destinos ao longo do litoral brasileiro. A Costeira, da família Lage, era a maior e mais prestigiosa companhia de navegação nacional naquela época, saudosa para muitos que hoje estão na casa dos oitenta anos.


Hoje Patricia Poeta faz 39 anos, Gloria Menezes 81 e Evander Holyfield 53.

sábado, outubro 17, 2015

Na morte de Miéle, ninguém lembrou de Sandra Bréa

A morte de Miéle, aos 77 anos, como destacaram, em clichê, todos os telejornais, me fez pensar em outra figura emblemática da minha adolescência e início de juventude, naqueles anos setenta: Sandra Bréa. Notei que todos - absolutamente todos - os canais que noticiaram o fato, lamentando o falecimento desse cara que sempre teve a mesma cara (é espantoso como sempre se pareceu fisicamente consigo mesmo, ao longo de décadas, da juventude à velhice), deixaram de falar naquela que foi a musa da sensualidade, o objeto de desejo masculino, a mulher invejada por outras mulheres, não só nos anos setenta como nos oitenta. Quando se via a bela Brea, imediatamente se pensava e se sentia: sexo, desejo, tesão.
Miéle fez um programa na Globo, na segunda metade dos anos setenta, chamado "Sandra e Miéle", em que os dois, em parceria e sintonia, dividiam a apresentação, ela com sua beleza, ele com seu talento. Não recordo bem como era o programa, até porque o tempo passou e meu Alzeimer evoluiu, mas achei no mínimo um lapso, para não dizer uma injustiça, sequer citarem o programa que ele, Miéle, fez com Sandra. Aliás, a imagem dela aparece somente ampassã, de longe, sem identificação, e fica-se por aí mesmo. Brea sequer é citada em algum momento.
Sandra Bréa, como se sabe - ou não se sabe mais - morreu de Aids, uns quinze anos atrás, pobre e abandonada. Foi capa de todas as revistas, e a imprensa usou muito a sua imagem para vender seu peixe e atrair leitores. Não deixou filhos, parece. Oficialmente, morreu de câncer, pois fumava muito, e a imunodeficiência não perdoou. Mais no final da sua curta vida (morreu antes dos cinquenta) foi casada, ou viveu, com o empresário gaúcho Artur Guarisse, também já falecido - aliás, dizem que foi ele que pagou os funerais da atriz.
Não conheci Sandra Bréa, não posso falar sobre ela além do que vi na telinha. Mas sei que foi uma das mulheres mais desejadas do país, certamente ganhou muito dinheiro, viveu uma vida holiudiana - e acabou pobre e quase esquecida. Posso estar sendo sentimental, mas acho que a Globo, a mídia e a imprensa não deveriam esquecê-la assim tão deliberadamente, enquanto se dedicam à vida amorosa de uns taos Chumbinho e Joelma. Também lembro do caso da Vanja Orico, atriz de talento, mulher culta, uma celebridade nos anos cinquenta com o filme O Cangaceiro (o primeiro premiado brasileiro no circuito internacional, com uma fotografia espetacular e uma trilha sonora idem), que morreu recentemente, e não saiu uma mísera linha em lugar nenhum. (Vitor Minas)

Nenhuma obra será capaz de deter o avanço do Guaíba: um ponto de vista de muitos técnicos, em 1941

Após a terrível enchente de maio de 1941, que deixou quase 80 mil pessoas sem teto, alojadas em postos públicos de salvamento, passou-se a  discutir os meios apropriados de se impedir que tão grande catástrofe se repetisse sobre Porto Alegre. Considerada um dos problemas mais vitais do Estado, a questão das cheias periódicas do Guaíba mereceu longas discussões, com variados e contraditórios pontos de vista. Muitos consideravam que nenhuma obra de engenharia seria capaz de impedir o problema, e que a solução mais racional seria a cidade adaptar-se ao crescimento das águas, incluindo novos padrões de construção. Em julho de 1941, logo depois do término da grande e histórica cheia, o dr. Cândido José de Godoy, em secretário do Estado gaúcho, escreveu esta carta ao Correio do Povo, rebatendo  ou corrigindo declarações anteriores.

quarta-feira, outubro 14, 2015

As impressionantes festividades do centenário farroupilha, em 1935

1935 foi um ano ímpar para os gaúchos, os quais realizaram impressionantes festividades e eventos para celebrar os 100 anos da eclosão da Revolução Farroupilha. Em plena Era Vargas, com o Estado presidido por Flores da Cunha, o Parque da redenção, remodelado, transformou-se em uma verdadeira cidade, com pavilhões e representações de muitos Estados brasileiros e outros países. Até mesmo um hotel-cassino foi instalado no local, e diversos presidentes - entre eles o próprio Vargas - compareceram ao evento, que iniciou em setembro e só terminou em meados do mês de janeiro do ano seguinte. Neste anúncio publicado na Revista do Globo, no final daquele ano de 1935, dá para se ter uma ideia do que foram as comemorações.

quinta-feira, outubro 01, 2015

As "10 mais top"do colunista social da Revista do Globo, em 1961




Houve uma época em que era comum a escolha, por parte dos colunistas sociais e outros afins, das "mais mais", ou "os dez mais". No Rio Grande do Sul, em 1961, quando Leonel Brizola era governador e a Capital não contava ainda 700 mil habitantes, isso também acontecia, como se vê nesta edição de dezembro da Revista do Globo. O colunista social Luiz Augusto - sabe-se lá bem o critério - escolheu as dez moças mais "top" daquele ano, todas, naturalmente, integrantes da alta sociedade porto-alegrense, a maioria das quais são hoje avós, embora certamente lembrem com carinho de tal época - 54 anos atrás.
Nicolielo, em Jornal de Bauru. A Charge Online.

Rádio Itaí é a terceira mais ouvida em Porto Alegre: 1961.

Em abril de 1961 o Instituto Brasileiro de Opinião e Estatística, IBOPE, divulgou o resultado de uma pesquisa com os ouvintes de rádio em Porto Alegre, a qual constatou que a Rádio Gaúcha - a pioneira no setor - despontava em primeiro lugar, seguida de perto pela Farroupilha. Em terceiro lugar vinha uma rádio muito importante e ligada à história do radialismo em Porto Alegre, a Itaí, que não mais existe. Quarta emissora a surgir na Capital, no início dos anos cinquenta, a Itaí deixou saudades. A reprodução é da Revista do Globo - que também não mais existe.