Em 1960 o Grêmio de Osvaldo Rolla, o Foguinho, seria penta campeão gaúcho, confirmando a sua supremacia estadual. No ano seguinte, no entanto, perderia o título para o Internacional, mas o recuperaria e manteria até 1968, quando conquistou o inédito hepta do Estado. Nesta foto vemos o esquadrão tricolor, com a sua belíssima camisa, posando para o fotógrafo da Revista do Globo.
Jardim Botânico, Porto Alegre. Fundado em 2006 por Vitor Minas. Email: vitorminas1@gmail.com
quinta-feira, julho 23, 2015
Martha Rocha, aos 18 anos, curte a celebridade de "vice miss-Universo": 1954
1954 foi um ano complicado para o Brasil,com toda a agitação que se seguiu ao atentado da rua Toneleros, a consequente crise político-militar e, finalmente, o trágico suicídio de Getúlio Vargas. Em Porto Alegre, em agosto, a cidade transformou-se quase em teatro de guerra e houve depredações e mortes. Por outro lado, no final do ano, em novembro, aconteceria a célebre tentativa de fuga de quase mil apenados da Casa de Correção, o presídio central da época, localizado ao lado do Gasômetro, no centro da cidade, acontecimento que encheu de medo os porto-alegrenses. Mas 1954 também ficou marcado como o ano em que a jovem baiana Martha Rocha perdeu o título de Miss Universo para uma norte-americana, naquela que teria sido uma das maiores injustiças em termos de concurso de beleza ao longo de toda a história. Aos 18 anos (a sua idade está errada na matéria do CP), contudo, a despeito de tudo, Martha ficou consagrada como a mais célebre miss brasileira. No ano que vem ela completará 80 aninhos de muitas histórias para contar.
O terrível problema das enchentes na velha Porto Alegre deixava milhares de flagelados
Enchentes como a que agora está acontecendo, já em fase final, em Porto Alegre e municípios vizinhos, eram o grande pesadelo da população da Capital na primeira metade do século passado. Praticamente cercada de águas, a "Cidade Sorriso" sofria os efeitos terríveis do aumento do nível do Guaíba, tanto que era um dos mais agudos problemas urbanos do Brasil naquela época. A enchente de 1941 foi, disparada, a maior de todas, com mais de dois metros de água cobrindo o centro da cidade, onde trafegavam até mesmo barcos grandes. Porém bem antes disso - aliás, quase todos os anos - a cidade vivia tal flagelo, com dezenas de milhares de desalojados. A enchente de 1936 foi uma das piores, deixando nada menos do que 50 mil flagelados na Capital que contaria então com pouco mais de 250 mil habitantes, além de minas submersas na região carbonífera, com quatro mineiros mortos, conforme vemos nestas reproduções do Correio do Povo.O autor deste blog tem uma publicação chamada "Águas de Maio, a Grande Enchente de 1941", em que relata o que foram os dias de maio de 1941 em Porto Alegre e em todo o Rio Grande do Sul.
terça-feira, julho 21, 2015
Os traficantes de sangue humano aterrorizavam as zonas rurais nos anos setenta
Quando este blogueiro (?) era criança, no interior do Rio Grande do Sul, no final dos anos sessenta e início dos setenta, nossos pais nos alertavam para a presença e possível ataque dos "tiradores de sangue", que era como se chamava então as quadrilhas de traficantes de sangue humano que atuavam principalmente nas zonas rurais, quase sempre a bordo de kombis, e visavam sobretudo as crianças mais pequenas e indefesas. Ao passar do tempo os tais "vampiros" se tornaram personagens de uma possível lenda urbana - ou rural - nada crível, motivo até de gozação por parte de quem ouvia tais relatos aparentemente inverossímeis. Mas, pesquisando na coleção dos jornais do Arquivo Histórico de Porto Alegre (entre eles a extinta Folha da Tarde), por acaso encontrei matérias falando da ação de tais pessoas, o que prova de que não era uma lenda, afinal. Na verdade o comércio e o tráfico de sangue de fato existiam, já que o produto valia muito no mercado internacional, para onde era enviado, especialmente para os países da Europa. É sempre bom lembrar que na época ainda havia o comércio legal e consentido de sangue no Brasil - pagava-se por ele para qualquer pessoa que resolvesse vendê-lo, geralmente pessoas pobres, bêbados e viciados, já que não havia exames clínicos para detectar vírus de muitas doenças, daí o surgimento de tantas doenças. Nas reproduções acima vemos que isso também ocorria em outros países das Américas - era,literalmente, o que o escritor Eduardo Galeano chamou de "veias abertas da América Latina".
domingo, julho 19, 2015
Os hippies sofrem o conservadorismo dos anos 70: Porto Alegre
O final dos anos sessenta e o início dos anos setenta foram o auge do movimento hippie, aquele do "paz e amor". Percorrendo o Brasil, e também outros países, sem qualquer dinheiro, na base da cara e da coragem, os hippies eram geralmente mal-vistos e encarados com desconfiança por uma sociedade ainda fortemente conservadora. Considerados dissolutos, promíscuos, viciados e sujos por grande parte da população, eles ainda tinham de enfrentar a repressão da ditadura militar que, naqueles tempos, vivia o seu ápice e não dava moleza a ninguém. Nesta reprodução do jornal Zero Hora, de Porto Alegre, de junho de 1972, um grupo de mais de 20 hippies eram presos no centro da capital. O motivo principal: eram hippies, simplesmente.
sábado, julho 18, 2015
O movimento do aeroporto de Porto Alegre em fevereiro de 1941
Na década de 1940 o aeroporto federal São João, em Porto Alegre, era o terceiro em importância no Brasil, perdendo apenas para Rio e São Paulo. Em uma época em que não havia estradas pavimentadas, as navegações aérea, aquática e as ferrovias transportavam a quase totalidade dos passageiros de um Brasil ainda primitivo e agrário. No caso da aviação, as aeronaves eram pequenas, transportando geralmente pouco mais de uma dezena de corajosos passageiros que embarcavam em barulhentos aviões a hélice e aterravam em precários campos de pouso, geralmente de terra batida. Era o caso do aeroporto São João - mais tarde rebatizado para Salgado Filho, Nesta reprodução de uma nota do CP, o registro do movimento do "aeródromo" no mês de fevereiro de 1941, quando o mundo já estava em guerra.
sexta-feira, julho 17, 2015
A criminalidade em Porto Alegre no ano de 1950
É claro que a violência e a criminalidade dos tempos antigos não se comparavam, em intensidade e crueldade, ao que hoje acontece. Mas também é certo que Porto Alegre nunca foi uma maravilhosa ilha de paz e amor, onde todos podiam sair absolutamente tranquilos pelas ruas, ao menos à noite, como algumas pessoas mais antigas e saudosistas erroneamente apregoam. Na verdade o número de punguistas no centro e dentro dos bondes era enorme, ao ponto de muitos deles já serem conhecidos por muitos passageiros. Também havia assaltos a pedestres, embora jamais se usasse arma de fogo. Nestas duas reproduções do CP do ano de 1950 - portanto, fazem 65 anos - vê-se o que ocorria em uma capital com cerca de 400 mil habitantes.
segunda-feira, julho 13, 2015
Lula é preso por liderar greve dos trabalhadores: 1980
Nessa época ele dificilmente imaginaria que, 32 anos depois, seria eleito presidente do Brasil por duas vezes. Afinal, Luís Inácio Lula da Silva ainda era um líder metalúrgico do ABC paulista que desafiava o regime militar - este já vivendo os seus estertores, porém não perdendo o controle da repressão. Assim, em abril de 1980, quando os metalúrgicos deflagraram uma histórica greve que quase paralisou a indústria automotiva brasileira e o PT vinha à luz ainda de forma embrionária, Lula foi preso pela Polícia Federal, na época comandada pelo delegado Romeu Tuma, já falecido, que mais tarde se tornaria seu amigo. A reprodução é do Correio do Povo.
sábado, julho 04, 2015
Margot Fonteyn em Porto Alegre: agosto de 1975
No próximo mês de agosto a capital dos gaúchos terá uma data a ser lembrada - os 40 anos em que a expressão máxima do balé mundial esteve aqui. Embora já contasse com mais de 50 anos de idade, Margot Fontein esteve em Porto Alegre, onde, aliás, foi agraciada com o título de cidadã porto-alegrense. Com fortes raízes brasileiras, Fontein - a maior bailarina do mundo - aproveitou a estadia na cidade sorriso para conhecer Imbituba, na vizinha Santa Catarina, berço de fortes recordações. (CP, Arquivo Histórico de Porto Alegre)
quinta-feira, julho 02, 2015
Stan Getz, em única apresentação em Porto Alegre: 1976.
Porto Alegre sempre foi - depois do Rio e São Paulo - a capital brasileira que mais atraiu artistas do exterior, grandes nomes da música, especialmente, que vinham aqui cantar para um público acostumado com bons espetáculos havia décadas. Em 1976 quem esteve na capital gaúcha foi um dos maiores e mais conhecidos nomes do jazz - Stan Getz, cujos vínculos com o Brasil eram sobejamente conhecidos desde a época da Bossa Nova e dos discos que gravou com Jobim e João Gilberto. Ele se apresentou no salão da Reitoria da Universidade Federal, em uma única apresentação. Quem assistiu tal show deve estar hoje na faixa dos cinquenta e tantos ou sessenta anos.
quarta-feira, julho 01, 2015
O tal de Zeca, a Globo e o sertanejo acidentado
O fato desse apresentador chamado Zeca Camargo ter se revoltado com a cobertura e o auê feitos em torno desse músico sertanejo que morreu em um recente acidente de carro me espanta um pouco, até porque acho que ele se esqueceu que a sua própria emissora, a Globo, é quem foi a maior estimuladora do fenômeno que transformou um quase desconhecido cantor de gosto duvidoso em um Frank Sinatra brasileiro, um Nelson Gonçalves do século vinte e um. Afinal, foi a Globo que prontamente cancelou um filme da sua tradicional sessão da tarde para dar "flashes" do acontecimento, com repórteres e apresentadores de plantão permanente no ar, algo que, sinceramente, não me lembro de ter acontecido faz tempo. As outras emissoras fizeram o mesmo, ou talvez até pior. Acho que a Globo está certa, por coerência, em dar um puxão de orelha no rapaz (não tão rapaz assim, já tem mais de 50), que esqueceu que não se deve falar mal do patrão que lhe dá emprego, ainda por cima usando o veículo de comunicação do próprio patrão. Se ele não está satisfeito com as coisas que a globo faz, que funde a sua própria emissora de tevê, o seu jornal, revista, sei lá o quê, ou cale-se para sempre. Onde se viu falar em "indigência cultural brasileira", quando a indigência, na verdade, é da mídia brasileira, sendo que todas as redes estão descendo ladeira abaixo com uma velocidade supersônica, e sem exibir nenhum pudor ou sentimento de culpa por isso. (Vitor Minas)
O "angustiante flagelo das enchentes" aterroriza Porto Alegre novamente: 1937.
Há muitos anos que Porto Alegre não sabe o que é uma enchente, de fato. O Guaíba, domesticado e praticamente isolado da cidade, já não mete medo e é mais conhecido por sua beleza de por do sol e pela sujeira das suas águas. Mas o que nem todos sabem é que, até a primeira metade deste século, a capital dos gaúchos era uma das cidades mais problemáticas no tocante às inundações em todo o mundo. Um problema tão sério que parecia não haver solução. A grande enchente de 1941, a maior de todas, colocou mais de 2 metros de lençol de água no centro de Porto Alegre e paralisou a cidade por semanas, gerando um prejuízo incalculável. Mas, antes deles, inúmeras outras cheias geraram destruição e desespero entre a população porto-alegrense, como as de 1928 e 1936. Praticamente todos os anos, no período de inverno e no início da primavera, a cidade se via às voltas com tal flagelo. Não foi diferente em 1937, quando - no mês de agosto - o leito do Guaíba subiu novamente inundou grandes áreas da capital, como se vê nesta página do jornal Correio do Povo. A propósito: neste blog há uma matéria do autor a respeito da enchente de 1941, que pode ser acessada digitando a frase "enchente de 1941".
segunda-feira, junho 29, 2015
No tempo do Estado Nolvo de Getúlio Vargas os esportes - sobretudo o atletismo - eram bastante estimulados e os vencedores recebiam homenagens públicas. Em 1950, quando Porto Alegre talvez não tivesse 400 mil habitantes, o CP publicou matéria com a relação dos melhores atletas de 1949. Estão lá nomes de famílias conhecidas e tradicionais, especialmente as de origem alemã, como os Gerdau, por exemplo.
domingo, junho 28, 2015
No tempo dos orelhões e do divórcio: 1975.
É, o tempo passou mesmo. No tempo em que este blogueiro tinha apenas 14 anos e morava no interior, as preocupações maiores diziam respeito a coisas hoje plenamente resolvidas: a legalização do divórcio (só existia o desquite) e o problema dos agricultores envenenados com agrotóxicos - que frequentemente morriam ou sofriam graves sequelas físicas e psicológicas. Também a telefonia era, por assim dizer, jurássica, tanto que a inauguração festiva de um telefone público tornava-se objeto de matéria jornalística, como vemos nesta publicações do Correio do Povo. Movidos a ficha, os orelhões geralmente funcionavam mal ou estavam depredados. Nada parecido com os dias de hoje, quando até carroceiro tem aparelho celular e pode falar com quem bem quiser.
quarta-feira, junho 24, 2015
Santa Maria, no tempo em que era a "capital ferroviária"
Santa Maria sempre foi um dos mais importantes municípios gaúchos. Estrategicamente localizada, bem no meio do Estado, é considerada o "coração do Rio Grande do Sul". Porém no passado, antes de ser conhecida por ser uma cidade universitária, e também antes da grande tragédia da boate Kiss, SM era muito lembrada por ser o principal entroncamento ferroviário gaúcho, ponto por onde passavam todos os comboios ferroviários. Em 1947 esta era a visão do centro de Santa Maria, conforme publicou o jornal Correio do Povo, de Porto Alegre, em um "clichê" que pouco tem a ver com os dias presentes em que a zona urbana da antiga capital ferroviária soma quase 300 mil habitantes.
terça-feira, junho 23, 2015
Grêmio campeão de 1949 excursiona pela América Central e volta cheio de glórias
Em 1949 ainda havia o campeonato metropolitano de futebol, título que era também valorizado por todos os clubes participantes, em uma época em que o campeonato gaúcho - devido às dificuldades de deslocamento - era disputado por regiões. Aquele ano foi particularmente feliz para o Grêmio, que sagrou-se campeão em cima justamente do seu maior rival, o Inter. Também foi o ano em que o tricolor realizou a sua primeira grande excursão internacional, disputando jogos contra selecionados da América Central. Mesmo apanhando muito, e sendo intimidados, os jogadores gremistas voltaram invictos, com importantes vitórias, sendo entusiasticamente recebidos pela população de Porto Alegre.
sexta-feira, junho 19, 2015
Porto Alegre entregue à violência e ao crime: há 40 anos
Quem viveu em Porto Alegre nos anos setenta (ou seja, 40 anos atrás) sabe que a cidade estava longe de ser a ilha de tranquilidade que muitos apregoam ter sido, hoje. Os assaltos, já naquela época, aconteciam em grande número, e a população sentia-se insegura. Claro que não havia, da parte dos criminosos, a crueldade e a vontade de matar que hoje exibem, mas a roubalheira e a violência eram expressivas, e ir ao centro exigia uma boa dose de cautela e olhos abertos. Assim como hoje, os moradores se queixavam da falta de policiamento e do baixo efetivo da Brigada Militar - e isso que o regime de governo de então era o militarismo, bem mais rigoroso do que o sistema atual - tanto que ainda havia prisões por "vagabundagem" (quem não portasse carteira de trabalho assinada poderia ir para o xilindró, sem mais nem menos). Acima, reproduções do Correio do Povo.
segunda-feira, junho 15, 2015
Discos voadores nos céus do Rio Grande do Sul, na década de 50
A década de 50 foi pródiga em avistamentos, reais ou imaginários, de objetos voadores não identificados em todo o mundo. O Brasil não era uma exceção, e o Rio Grande do Sul muito menos. Discos voadores teriam sido vistos nos céus de Porto Alegre e em muitas outras partes do Estado, o que sempre rendia matérias nos jornais da época, como se vê nestas notas do Correio do Povo do final do ano de 1954. Se houve "abdução" - como alegam os participantes do encontro dos abduzidos que aconteceu neste final de semana na capital gaúcha - ninguém sabe dizer.
domingo, junho 14, 2015
Café lidera a lista das exportações brasileiras em 1940
É, os tempos mudaram mesmo, e o Brasil evoluiu também economicamente, como vemos nesta reprodução do jornal Correio do Povo, de 1941. O artigo fala das exportações brasileiras, que deram um grande salto com a Segunda Guerra Mundial. Note-se que o País era essencialmente uma nação agrária, de produtos primários, já que na lista das principais exportações não aparece nenhum produto industrializado. O café, como sempre. lidera a lista, seguido pelo algodão e carnes.
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