quarta-feira, agosto 02, 2006

Paulinho Paiakan, de vedete a estuprador


No final de maio e início de junho de 1992, quando, no Rio de Janeiro, acontecia a Eco 92, um fato surpreendeu e chocou os seus mais de 12 mil participantes: o cacique da tribo caiapó, da aldeia Aukre, no sul do Pará, Paulinho Paiakan, então com 37 anos, considerado algo assim como o "bom selvagem", o defensor da selva e do politicamente correto, foi denunciado por estupro de uma jovem branca, crime acontecido no final da tarde de uma terça-feira, 31 de maio.

Segundo a denúncia, Sílvia Letícia da Luz Ferreira, de apenas 18 anos, virgem (conforme apurou a perícia), vizinha da família do índio e que nas horas vagas ensinava as três filhas deste a ler e a escrever, foi barbaramente estuprada e seviciada por Paikan em um trecho escuro de uma estrada do município de Redenção (então com cerca de 150 mil habitantes), a menos de 800 km de Belém. Conforme se apurou, Paiakan - em conivência coma própria esposa e tendo uma filha de cinco anos a observá-los - parou o carro no qual deram carona à estudante, um Chevette. Selvagelmente, passaram a espancá-la. Em seguida Letícia foi estuprada no banco de trás. Depois do estupro, durante mais de uma hora, a vítima passou por uma sessão de tortura que, segundo o delegado que investigou o caso, de nome Barbosa, lembrava um ritual satânico, tanto que o carro ficou todo cheio de sangue, inclusive no teto. Letícia teve um mamilo dilacerado, escoriações por todo o corpo, sofreu uma tentativa de estrangulamento e foi mordida pela mulher do cacique, Irekran. Jogada em seguida para fora do carro, a moça foi salva providencialmente minutos depois por um caseiro branco das redondezas, que ouviu à distância seus gritos e foi até o local, munido de uma espingarda. Ele chegou na hora exata em que Paikan tentava enforcá-la com um pedaço de arame. Sob a mira da arma, o cacique foi obrigado a parar. O casal, segundo se soube, teriam consumido bebidas alcoólicas horas antes, durante um churrasco em um sítio, no qual Letícia também compareceu. Paikan e a família ainda permaneceram por dois dias na cidade, antes de fugir para a região da sua tribo a bordo de um avião monomotor, propriedade do próprio cacique e pilotado por este.
Com todas as suas implicações, e por ter acontecido durante o maior e mais importante encontro ecológico da década, a ECo-92, no Rio de Janeiro, o fato constrangeu a comunidade ecológica mundial, uma vez que Paiakan, até então, era uma espécie de vedete internacional, tendo recebido vários prêmios nessa área, além de ser capa de revistas importantes da Europa e dos Estados Unidos. Ele, por exemplo, havia ganho o Prêmio Global 500 da ONU e o diploma da Sociedade por um Mundo Melhor. Também foi homenageado nos salões do luxuoso hotel Waldorf Astória, em Nova Iorque, cerimônia a que compareceu ao lado do ex-presidente Jimmy Carter. Entre seus admiradores declarados estava o príncipe Charles e o cineasta Ridley Scott - que, inclusive, pensava em fazer um filme sobre ele e sua tribo. Paulinho Paiakan e a sua tribo podiam (e podem) ser considerados ricos: suas reservas (3,2 milhões de hectares) são ricas em recursos natural, especialmente o mogno, madeira nobre que, segundo se apurou, ao ser vendida aos fazendeiros da região, rendia milhões de dólares ao ano aos integrantes da tribo. Além da madeira, há ouro na área dos caiapós, em cujas casas de alvenaria se avistam antenas parabólicas e automóveis do ano nas garagens. Paulinho Paiakan, por exemplo, é dono também de uma caminhonete D-20.
Julgado e condenado pelo ato (faltam informações atualizadas a este respeito), ele e sua mulher permaneceram em "prisão domiciliar" - ou seja, foram proibidos de sair de sua reserva mas não acabaram encarcerados. O caso Paiakan, embora rumoroso, caiu em relativo esquecimento com o passar dos anos.

8 comentários:

Anna Raíssa disse...

faltou falar que toda essa história foi desmascarada, que era uma jogada "marqueteira, inclusive) para que a imagem de Paiakã e de ambientalistas no mundo todo fossem manchadas durante a ECO 92. Faltou falar do poder na mídia nisso tudo, da falta de escrúpulos da revista veja.... inclusive, faltou lembrar que, no relatório final, a perícia resumiu "escoriações, mamilo dilacerado e estupro" à simples arranhões nos joelhos e cotovelo...
Ah, inclusive, foi Irekã -e não Paiakã- a responsável por espancar a garota boa e branca. Ela espancou-a -veja só que civilizada!- por puro ciúmes do marido!

Anônimo disse...

Sei não, tem muito caso de estupro por parte dos índios, isso não é novidade. Muitos se aproveitam por serem considerados plenamente incapazes pela lei por não estarem integrados a sociedade, mesmo quando eles vendem madeira e pilotam aviões. Na minha humilde opinião, estuprador tinha que ter o saco arrancado e enfiado no cu, ou garganta a baixo, e depois ser vigiado debaixo de mira de arma de fogo enquanto sangra até morrer.

Enrico disse...

toda essa história foi aumentada e dada grandes proporções, somente por causa da jovem que se diz vitima, sendo que a mesma ja tinha caso com Paiakan e com ciencia dos seus pais, pois paiakan ajudava a familia da Leticia dando comida e dinhero a eles, e a moça que se diz vitima viu nesse caso a oportunidade de ganhar fama e com isso dinhero, por isso inventou toda essa historia, sendo que na verdade a esposa de paiakan bateu em leticia por ciumes, após descobrir o relacionamento dos dois

alexandre disse...

olha devo dizer que essa história é cabulosa e nojenta,eu particularmente sou adépto da antropologia indigena gosto muito da história de nosso povo,dos indios em geral quero futuramente estar trabalhando em pról desse povo na qual tmbém tenho raízes fortes,mas essa história realmente mancha a imagem da família e do povo indígena!!de qualquer forma eu acho que se fosse provado sem dúvida ele deve ser punido,e acho que deve ser verdade sim!!ele é homem como qualquer um de nós tem que pagar!!defendo os indios e sempre defenderei,só não apóio esse atentado,essas coisas realmente nos faz acreditar que existe um Deus por nós e um outro ``ser´´contra nós!!

Clarissa disse...

Esqueçam que esse homem é índio ou não, se ele cometeu o estupro, ele tem que ser punido. Simplesmente isso. Ninguém pensa na vítima não? Uma menina que foi torturada, estuprada, imaginem o trauma psicológico que ela teve. Eu fico imaginando como serão as futuras relações sexuais dela, cheias de medo, lembrando daquele dia fatídico. Quem comete o crime, deve ser punido, independente de qualquer coisa.
ps: mas como são as coisas aqui no Brasil, eu duvido muito que ele fique preso.

Anônimo disse...

Anônima disse...
Essa situação já se passou tantos anos que nada foi feito,ele segue impuni seguindo tranquilamente sua vida como se ele não tivesse culpa alguma.
Já viram que a impunidade no brasil só serve para quem é integrado a sociedade que na realidade nem assim estão fazendo valer a lei infelizmente.nessas horas o que prevalece é a cultura..

Anônimo disse...

Ainda tem gente defendendo.... fala sério?!?

Lembro até hoje da matéria do Fantástico com ele dizendo "hómi bebenu, mulher bebenu...." em clara confissão do ocorrido...

Eu não lenho comentários, esse tipo de pessoa me dá nojo.

Anônimo disse...

Passa o tempo e a vítima de estupro continua sendo a responsável pelo atque. O que mais desanima, é quando mulheres fazem essa acusação. Criem vergonha nessa cara!