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quinta-feira, abril 13, 2017

Dicas de como parar de fumar

Claudio Gomes
Praticamente todo mundo conhece os efeitos mais “famosos” que o cigarro causa para a saúde, sempre negativamente: aumentar os riscos de doenças cardíacas, enfisema pulmonar e câncer podem ser os mais comuns, mas existem outras condições que podem acontecer com quem fuma frequentemente.
As substâncias contidas no cigarro são tão prejudiciais que afetam até mesmo as partes mais resistentes do corpo. Os ossos são severamente prejudicados e podem sofrer consequências terríveis.

O vício no cigarro é algo terrível por causar grande dificuldade em parar de fumar e trazer vários problemas para a saúde, sendo responsável por uma rotina bem mais difícil do que precisaria ser.

É bastante comum, infelizmente, que o hábito de fumar comece ainda na juventude, muitos na adolescência, conseguindo cigarros com amigos ou até mesmo comprados por menores de 18 anos, algo proibido por lei. Veja três motivos que podem influenciar os jovens a começar a fumar e colocar em risco sua saúde e sua vida.
O cigarro causa dependência e depois que a pessoa cria o hábito de fumar com frequência pode se tornar muito difícil largar o vício de forma simples, necessitando muita ajuda para que os danos para a saúde não comprometam a vida.
Algumas técnicas podem auxiliar quem realmente deseja parar de fumar, principalmente para que as “armadilhas” que o cigarro possui não afetam seu dia a dia. Assim, manter um diário pouco tempo antes da data que você definiu como o dia para parar de fumar pode ser muito importante.
Parar de fumar pode ser desejo da maioria dos fumantes, mas são poucos aqueles que conseguem se livrar das correntes que este produto maléfico aprisiona quem o consome. A razão para isso geralmente está no começo da luta contra o cigarro.
Muitos não se preparam para os primeiros passos que são provavelmente os mais importantes para o sucesso, pois também são os mais difíceis.
Todos nós temos hábitos saudáveis e outros nem tanto. Mas quem fuma um cigarro simplesmente faz com que o seu hábito mais frequente seja quase que no automático uma sentença para uma vida com várias dificuldades, principalmente para a saúde e o seu bem estar.
Muitas pessoas que fumam acabam desenvolvendo alguma rotina que liga o cigarro a outra atividade (após o almoço, por exemplo) e uma das mais frequentes com certeza é fumar o cigarro juntamente com uma xícara de café.
Os danos causados pelo cigarro em no corpo faz que haja uma grande queda na saúde de qualquer pessoa, afetando ainda mais a qualidade de vida do fumante. Da mesma forma, quem consegue parar de fumar é afetado positivamente de diversas maneiras. Não importa se você possui 20 ou 50 anos, ao não permitir que o cigarro cause danos para sua saúde, há a melhora praticamente imediata em todo seu organismo.
Fumar cigarro faz muito mal à saúde e é uma das principais razões para os grandes números de casos de câncer no mundo. Todo mundo sabe disso. Mas você o porquê deste produto ser responsável por este e diversos outros problemas de saúde?
O cigarro é um produto abominável, mas que mesmo assim possui milhões de usuários. A razão para isso está nos seus quase 4.000 mil compostos e na dependência que eles causam ao organismo do fumante.

sexta-feira, abril 07, 2017

Tacho, em NH, jornal de Novo Hamburgo, RS. A Charge Online.

Tuberculose e câncer, as principais causas de morte na Porto Alegre de 1954

Em 1954 - portanto, há 62 anos - as doenças que mais matavam os gaúchos eram, por ordem, a tuberculose e, em seguida, o câncer. Segundo a Folha da Tarde, mais de mil porto-alegrenses morriam todo ano por causa do "mal branco", embora o número viesse diminuindo nos últimos tempos, o que certamente se explicava pela entrada dos novos medicamentos antibióticos desenvolvidos pela Medicina, em especial a penicilina e a estreptomicina. No Estado, a região mais atingida era a da Campanha - não por coincidência a mais atrasada economicamente. Já o câncer crescia de ano para ano e, ao contrário de hoje, praticamente matava todas as vítimas.  Note-se que a capital gaúcha, naquela época, contava com cerca de 400 mil habitantes.

segunda-feira, abril 03, 2017



Hoje Doris Day faz 95 anos, Alec Baldwin 59 e Eddie Murphy 56.
Nani, em A Charge Online.

sábado, abril 01, 2017

Marido de Martha Rocha morre em acidente aéreo: janeiro de 1959


Certamente a mais famosa de todas as misses brasileiras, Martha Rocha, hoje com 80 anos, também teve os percalços do destino. Em 1959, menos de cinco anos depois de ter perdido o título de Miss Universo para uma norte-americana - que nem de longe ficou com a fama da baiana - ela perdeu o marido, um argentino, em acidente aéreo, em Mar Del Plata, como se vê nesta matéria do Correio do Povo, de Porto Alegre, de janeiro de 59, coleção do Arquivo Histórico de Porto Alegre.

terça-feira, março 28, 2017

Tarzan e Jane em nova aventura nas selvas africanas: no cinema Imperial, em junho de 1942

Porto Alegre sempre foi uma cidade com muitos cinemas - chegaram a mais de 40 na primeira metade do século vinte. E a Rua da Praia, a via mais badalada e charmosa daqueles tempos pacatos, era o local que mais concentrava tais casas cinematográficas - para muitos, a Cinelândia gaúcha. Em 1942, quando Getúlio ainda estava no poder e a Grande Guerra desenvolvia-se pelo mundo, a capital rio-grandense preparava-se para assistir mais uma "película" do Rei das Selvas, Tarzan, personagem criado pelo norte-americano Edgar Rice Burroughs ainda nos anos 10. O filme, O Tesouro de Tarzan, trazia, como sempre, Johnny Weissmuller e Mauren O'Sullivan como o casal que vivia na África e tinha um filho - simplesmente chamado de Boy. Além da macaca Chita, é claro. O filme, em junho daquele ano, passaria no Imperial - um dos maiores do centro - e certamente atrairia um grande público. Reprodução do Correio do Povo, acervo do Arquivo Histórico Moysés Vellinho, da Prefeitura de Porto Alegre.
Pelicano, em Tribuna, SP. A Charge Online.

quarta-feira, fevereiro 22, 2017

Os resultados das eleições de novembro de 1978 no Rio Grande do Sul: Simon, Collares e Fogaça na ponta

Em novembro de 1978 - quando a abertura política "lenta, gradual e segura" estava timidamente em curso, os prefeitos das capitais, áreas "de segurança nacional" e os governadores dos Estados (sem falar na presidência da República), não era eleitos, por decisão do regime autoritário instalado a partir de 1964. Porém, em um estranho arremedo de democracia, havia eleições para a maioria das prefeituras, para vereadores, deputados estaduais, federais e senadores. Naquele ano, o último de Ernesto Geisel em Brasília, os Movimento Democrático Brasileiro, MDB, que depois se tornaria PMDB. teve uma estrondosa vitória no Rio Grande do Sul. Pedro Simon foi eleito senador com mais de 1 milhão e 700 mil votos, Alceu Collares, que depois seria prefeito da Capital e governador do Estado, obteve a maior vitória na Câmara Federal e o jovem José Fogaça - que depois se tornaria também prefeito de Porto Alegre - liderou os votos para a Assembleia Legislativa. Dos arenistas, o mais votado para deputado federal foi o industrial Cláudio Strassburger, seguido de Nelson Marchesan - pai do atual prefeito porto-alegrense. Airton Vargas teve a maior votação arenista para a Assembléia. A reprodução é do Correio do Povo.

domingo, fevereiro 05, 2017

Brum, em Tribuna do Norte, Natal, RN. A Charge Online.

Há 20 anos morria Paulo Francis, um dos mais influentes jornalistas brasileiros


PUBLICADO NO CONSELHEIRO X EM OUTUBRO DE 2008

Quem não lembra dele, com aquele óculos fundo de garrafa, a fala afetada, dizendo poucas e boas, não raro mentindo e não raro acertando na mosca? Um dos jornalistas mais cultos e mais lidos do Brasil (escrevia inicialmente na Folha de São Paulo, passando depois para o Estado, que distribuía sua coluna para dezenas de outros jornais brasileiros), considerado arrogante e direitista por muitas, lúcido por outros, Paulo Francis tinha um humor ranzinza - e talvez seja este humor que esteja fazendo falta hoje, nove anos depois da sua morte, em 4 de fevereiro de 1997, em Nova Iorque, aos 66 anos.


Francis - nascido Franz Paulo Trannin Heilborn, em uma família de classe média alta do Rio de Janeiro - nunca fez curso superior, foi trotskista na juventude, dos 14 aos 27 anos leu em média seis horas por dia, participou dos áureos tempos do Pasquim, foi preso pela ditadura militar, ofendeu todo mundo (inclusive Roberto Marinho, que comparou a um emissário de merda, o "robertoduto". Depois foi trabalhar para as Organizações Globo: Marinho não guardou mágoas do episódio) e, por essas e outras, morreu de infarto em seu apartamento na cidade que ele considerava a Capital do Mundo. Também parecia não gostar de negros e nordestinos - certa vez chamou o Nordeste "desta região desgraçada do País." (desgraçado não no sentido de pena, observe-se) Quanto aos seus comentários culturais, era igualmente ácido - simplesmente desprezava o moderno cinema nacional e considerava quase todos os intelectuais como subservientes ao poder. Na esfera política, tornou-se célebre a denominação que deu ao senador Eduardo Suplicy (e sua irritante fleuma) - "Mogadon", o nome de um remédio.


Paulo Francis vivia então (1997) um dos mais complicados períodos da sua vida: estava sendo processado pelo presidente da Petrobrás (do governo FHC), Joel Rennó, e mais outros seis diretores da estatal. Eles pediam nada menos do que 100 milhões de dólares por ressarcimento moral, uma vez que o jornalista havia dito, durante sua participação no programa Manhattan Connection, da Globosat, que`"os diretores da Petrobrás põem dinheiro na Suiça", "roubam em subfaturamento e superfaturamento", "é a maior quadrilha que já existiu no Brasil". Pior: disse isso tudo sem nenhuma prova consistente e certamente iria perder o processo e ter que pagar uma bolada grossa para essa gente. Aliás, já estava gastando os tubos com advogados - ele, o jornalista mais bem pago do Brasil, ainda assim não tinha como fazer frente às despesas com honorários (ele próprio calculos que o processo se arrastaria por uns cinco anos e lhe custaria, só com os advogados, no mínimo 200 mil dólares). Segundo Francis, o objetivo da ação era aruiná-lo financeiramente. Transtornado, passou a ingerir calmantes em doses maciças e a sentir dores nos ombros, o que julgou um sintoma da sua bursite e não de problemas cardíacos, os quais até seu médico desconhecia.


É de se imaginar que, se estivesse vivo hoje, o que ele não diria do governo petista, de Lula e companhia. Para esses, felizmente, ele morreu antes.




Uma palhinha de Paulo Francis:


"A morte deve ser como a anestesia geral"


"Bebi muitos anos. Para ficar bêbado. Não vejo outra razão. O bebedor social é coisa de pequeno-burguês"


"Fidel Castro é essencialmente um conservador feudal, um feitor de fazenda, a quem a idéia de inovações, de modernidade, horroriza"


"A melhor propaganda anticomunista é deixar os comunistas falarem"


"Acho que a tendência do intelectual é ser de direita. Ele é, por definição, um elitista"


"É preciso meter as mãos na cabeça raspada do Vicentinho língua-presa. Eu lhe daria uma chicotada para ver se reage docilmente como escravo.""Dizem que ofendo as pessoas. É um erro. Trato as pessoas como adultas. Critico-as. Crítica não é raiva. E crítica, às vezes, é estúpida."


"Nenhum filme brasileiro dá certo porque todos os cineastas tentam demagogicamente se colocar na posição de humildes. É falso, visceralmente. Sempre que vejo algum favelado em filme brasileiro tenho vontade de sair gritando: é um santo! É um santo!"

"O negro africano não tinha língua escrita, como notaram os exploradores da África do século XIX; logo não pode, pela ordem natural das coisas, possuir uma cultura como a entendemos."


"Quero que fique registrado que eu favoreceria o fechamento do Congresso ou qualquer outra dessas instituições reacionárias que impedem o progresso do País."
Texto e pesquisa: Conselheiro X

quarta-feira, janeiro 25, 2017

Pelicano, em A Charge Online.

segunda-feira, janeiro 23, 2017

O talento de Sampaulo, um dos maiores chargistas gaúchos do século 20


Paulo Brasil Gomes de Sampaio era seu nome de batismo, mas ele adotou o pseudônimo de Sampaulo, pelo qual ficou conhecido por suas charges publicadas nos jornais da Companhia Jornalística Caldas Júnior e na Revista do Globo - publicação quinzenal que deixou de circular em 1967. Falecido aos 89 anos,em 1999, Sampaulo - irmão do também cartunista Sampaio, mais velho e não menos notável e que mais recentemente também nos deixou - tinha em Sofrenildo seu personagem mais popular. Porém ele era bem mais do que isso - era, reconhecidamente, um dos maiores chargistas brasileiros, autor de milhares de peças humorísticas (ou não) que fazem parte da história da imprensa gaúcha no século 20. Nesta reprodução da Revista do Globo de 1966, uma mostra do seu talento.
Luscar, em A Charge Online.

Os fantasmas do Cadeião de Porto Alegre naquele janeiro de 1966

Os porto-alegrenses mais antigos certamente lembram do "Cadeião", oficialmente chamado de Casa de Correção, uma imensa e secular construção situada na chamada Ponta da Cadeia (que ganhou esse nome justamente devido ao presídio), bem no coração da cidade, ao término - ou início - da Rua da Praia. Às margens do rio Guaíba, o cadeião ganhou fama por ser uma "casa dos horrores", uma masmorra medieval superlotada onde acontecia tudo o que hoje acontece nos presídios brasileiros - corrupção, assassinatos, rebeliões, incêndios e até briga de facções criminosas. Considerado uma chaga no centro da capital, o local acabou sendo demolido e seus presos foram sendo transferidos para o presídio do Partenon, ou da Chácara das Bananeiras - o que hoje chamamos  Presídio Central. A demolição da  Casa de Correção era pedida por todos, especialmente pela imprensa porto-alegrenses, que via nela um antro de perversões, uma escola do crime que não recuperava ninguém (pelo contrário) e um perigo para os cidadãos da cidade, já que o cadeião estava bem no centro e as fugas e rebeliões eram constantes. Nesta matéria do Correio do Povo, de janeiro de 1966, vemos bem isso. Ou seja, constatamos, sem nenhuma surpresa, que, apesar dos discursos, nada efetivamente muda na sordidez do sistema prisional gaúcho e brasileiro.

sexta-feira, janeiro 20, 2017

Frank, em A Charge Online.

quinta-feira, janeiro 19, 2017

Nani, em A Charge Online.

Tramandaí, em 1962, já era a praia preferida dos gaúchos nos finais de semana

Há décadas o mais frequentado e agitado balneário gaúcho nos meses de verão, Tramandaí já era uma importante praia no começo dos anos 60 - e também bem antes disso. Se, na atualidade, os edifícios de apartamentos se destacam ao longo de toda a orla e a vida noturna é bastante agitada, antigamente o visual da cidade era bem mais pacato e provinciano, como se vê nesta foto extraída da Revista do Globo, em sua edição de janeiro de 1962, na qual aparecem os carros da época e até algumas lambretas. A 118 km de Porto Alegre, a chamada "capital das praias" ainda pertencia a Osório, do qual se emancipou em 1965. Sua população fixa atual é de cerca de 42 mil habitantes, muitos dos quais são aposentados que saem de outras cidade para lá residirem, aumentando, no verão, para cerca de 250 mil, incluindo aí muitos turistas argentinos e uruguaios.

quarta-feira, janeiro 18, 2017

O título do Internacional de 1979 em disco gravado com o pessoal da rádio Guaíba

1979 foi o ano do último título de campeão brasileiro do Internacional de Porto Alegre. E não foi um simples título: o colorado levou a taça de forma invicta, e tornou-se o primeiro clube brasileiro a ganhar três vezes o nacional. A final foi contra o Vasco da Gama (treinado por Oto Glória), sendo que no primeiro jogo, no dia 20 de dezembro, no Maracanã. o Inter (treinado por Ênio Andrade) venceu por 2 a 0 e o segundo, no Beira-Rio, por 2 a 1, com gols de Jair e Falcão, descontando Wilsinho para o Vasco. O Coritiba foi o terceiro colocado do certame, com o Palmeiras em quarto. Nesta reprodução do Correio do Povo, de janeiro de 1980, anuncia-se o long-play (LP) com a narração do feito por parte da Rádio Guaíba, então a mais importante e, como hoje, uma das mais conceituadas emissoras do Sul.

sábado, janeiro 14, 2017

J. Bosco, em O Liberal, do Pará. A Charge Online.

sexta-feira, janeiro 13, 2017

TVE do Rio Grande do Sul, em seus primeiros meses de vida: 1975

Em agosto de 1975 a Televisão Educativa do Estado do Rio Grande do Sul tinha poucos meses de vida, desde quando - em 21 de dezembro de 1974 - foram ao ar suas primeiras imagens. Antiga reivindicação de muitos gaúchos, a TVE, canal 7, foi uma grande e boa novidade para o setor televisivo do Rio Grande do Sul, atingindo, naquela primeira fase, 33 municípios. Hoje, com a crise do Estado sulino, o governador José Ivo Sartori anunciou que pretende extinguir, ou privatizar, ou não sabe-se bem o quê, tal emissora que é voltada, prioritariamente, para fins culturais e cobertura de fatos, pessoas e eventos que as tevês comerciais geralmente não cobrem. A reprodução é do Correio do Povo, de Porto Alegre.

Hoje Renato Aragão completa 82 anos e Paulo César Tinga 39.

quarta-feira, janeiro 11, 2017

Tacho, no jornal NH, de Novo Hamburgo, RS. A charge Online.

No tempo em que o festival de Gramado acontecia em pleno verão: 1976

Iniciado em 1973, o Festival de Cinema de Gramado, tempos atrás, não era realizado durante o inverno e sim em pleno verão da serra gaúcha. Em 1976, por exemplo, o evento, em sua quarta edição, aconteceu de 20 a 24 de janeiro. Aos poucos, no decorrer dos anos, o festival firmou-se como o mais importante do País, quase uma espécie de Oscar brasileiro. Há 40 anos, note-se, o cinema nacional vivia uma boa fase, época em que as produções recebiam apoio da Embrafilme, estatal criada para apoiar e incentivar a produção visual em território tupiniquim. O Brasil de então ainda vivia sob o regime militar, os governadores dos Estados eram nomeados e a censura prévia estava presente em tudo, no mundo das artes, da cultura e do entretenimento. Nesta reprodução do Correio do Povo, a chamada para a mostra que reunia a nata do cinema brasileiro.

sexta-feira, janeiro 06, 2017

Mariano, em A Charge Online.

Casa de Correção de Porto Alegre: um dos piores presídios brasileiros na primeira metade do século 20

Neste momento em que eclodem rebeliões em penitenciárias de quase todos os Estados brasileiros - com destaque para o que aconteceu no Amazonas, com cerca de 60 mortos - vale a pena lembrar que o sistema prisional brasileiro sempre foi um horror, uma fábrica de criminosos, engrenagem que transforma, de dentro para fora, delinquentes comuns em terríveis assassinos - homens que perdem a humanidade e se bestializam por força do que vivenciam nessas "casos dos horrores". O Rio Grande do Sul nunca foi diferente. A antiga Casa de Correção, na Ponta do Gasômetro,  era, na primeira metade do século 20, um dos presídios mais sórdidos do Brasil. Leia abaixo a republicação da matéria saída neste blog em anos anteriores.


*Nas fotos, a imagem da Casa de Correção, à margem do Guaíba, e reproduções do jornal Folha da Tarde, com evidentes exageros. Mais abaixo, reprodução da Revista do Globo e a foto do bandido Vavá, considerado um dos líderes da rebelião e famoso pela sua audácia. O presídio gaúcho já era, então, um dos piores, senão o pior, do Brasil. Em 1951 a Revista do Globo, em extensa reportagem sobre os presos famosos que estavam na Correção, citou o escroque internacional Mike Freemann, que conhecia as cadeias de muitas grandes cidades do mundo: "Antes de vir para cá eu estava convencido que a pior cadeia existente sobre o globo terrestre era a de Addis-Abeba, a capital etíope. Agora no entanto vejo que ela é uma deliciosa colônia de férias comparada à Casa de Correção de Porto Alegre."
Mike Freeman: "A pior cadeia do mundo".

Pesquisa e Texto: Vitor Minas

   Um “plano diabólico” para a fuga em massa de mais de mil detentos, “celerados da pior espécie” – assim os jornais resumiram um dos fatos mais marcantes na história de Porto Alegre, o incêndio na Casa de Correção, o “horrendo cadeião da Ponta do Gasômetro”, a “casa do inferno”, a “casa dos horrores”, o “tétrico casarão”, ocorrido três meses depois do quebra-quebra pela morte de Getúlio Vargas e mais um episódio no capítulo dos grandes sinistros em prédios públicos registrados na década de cinquenta na capital gaúcha.
    Era o dia 28, último domingo do mês de novembro de 1954, nem haviam transcorridas duas semanas da eleição de Ildo Meneghetti como novo governador rio-grandense e dois meses da inauguração oficial do Estádio Olímpico quando o complexo prisional às margens do Guaíba ardeu em chamas durante quase 20 horas, com rolos de fumaça que podiam ser avistados dos quatro cantos da cidade. Cidade que temeu seriamente pela própria sorte: caso tal tentativa de fuga tivesse dado certo as consequências seriam imprevisíveis para os seus quase 500 mil habitantes.
    Tudo começou às 18h30min, logo após o encerramento do horário das visitas na rebatizada “Penitenciária Industrial”, já então considerada uma das piores do Brasil, uma “masmorra medieval” com capacidade para 300 presos, porém superlotada por mais de mil.
   O fogo irrompeu na cela 72, no segundo andar, na parte dos fundos da construção, e se propagou com uma rapidez incrível, atingindo também a padaria e a tipografia – até porque tudo havia sido planejado por um grupo de presidiários, os quais praticamente controlavam o funcionamento interno da instituição, tal como hoje dividida em facções criminosas. Desde o mês de agosto daquele ano nada menos do que três princípios de incêndios e de motins já haviam ocorrido ali e a deflagração e outro parecia simples questão de tempo. No dia anterior os agentes penitenciários haviam encontrado no forro de uma das celas um colchão, um monte de palhas e oito litros de gasolina. O clima entre os detentos era, mais do que nunca, de extraordinária tensão – os nervos estavam à flor da pele.
    No entardecer daquele domingo, encerrado o horário de visitas, depois da conferência, um grupo recusou-se a voltar às celas – prenunciando o que viria a seguir, eles só concordaram com isto sob a promessa dos agentes de que estas permaneceriam abertas. Com o início repentino das chamas outro agrupamento passou a percorrer as demais celas: armados de facas, facões, adagas e porretes, obrigaram os outros detentos a também incendiar tudo.
   Em seguida, em “estrondo”, todos começaram a correr pelos corredores em direção à parte térrea e ao portão, forçando a saída. Segundo a direção, havia 1.093 apenados no local, contra não mais do que 40 brigadianos e agentes penitenciários para contê-los. Os bombeiros chegaram em poucos minutos, vindos da estação central, na Praça Rui Barbosa, enquanto homens da brigada e um grupo de socorro da Guarda Municipal (ex-polícia de choque), comandados pelo delegado José Henrique Mariante, detinham os revoltosos a golpes de cassetete e bombas de gás lacrimogêneo, a muito custo impedindo que chegassem à rouparia: se isso acontecesse eles teriam acesso a roupas civis e poderiam se misturar até mesmo às autoridades e fugir às ruas.
   Estabeleceu-se no pátio um “cinturão” de segurança, com duas linhas de praças da Brigada armados com fuzis-metralhadoras e soldados com baionetas caladas, que “calçavam” e imobilizavam os presos contra as paredes. Nesse trabalho destacou-se o tenente Cantalício Camargo, comandante do destacamento local. Com poucos recursos, e dando apenas três rajadas de metralhadora para o alto, ele e seus homens enfrentaram a maré humana de mais de 500 presos, conseguindo fazer – oficialmente sem vítimas fatais – que recuassem.
    A raivosa determinação de destruir de vez o velho cadeião, queimando-o inteiramente, e a certeza de que o plano havia sido elaborado com a participação de gente de fora das grades, fora, evidenciadas pelo fato de que, no mesmo instante em que as chamas se propagavam às margens do Guaíba, os bombeiros haviam se deslocado para combater outra ocorrência em um matagal do morro de Teresópolis, adiante do final da linha dos bondes. Segundo os repórteres, de lá divisava-se per
o


feitamente o interior do presídio, o que levantava a suspeita de que a pessoa que ateou fogo no terreno pudesse ser comandada à distância pelos detentos, quem sabe através de um jogo de espelhos. Do mesmo modo estes poderiam, das janelas da Casa, avistar a chegada dos caminhões. Outro fato sintomático foi a depredação antecipada da bomba de água do Cadeião.
PÂNICO NA CIDADE – A possibilidade de que cerca de mil homens conseguissem fugir e se espalhassem pelas ruas da cidade, tomando a população de refém, a visão dos rolos de fumaça, o cair da noite, bem como a péssima fama da instituição prisional, a promiscuidade, o histórico de fugas e os fatos bárbaros que lá ocorriam geraram um evidente clima de medo entre os moradores da capital, os quais, naquele entardecer de domingo, encerravam o seu pacato e modorrento final de semana. Contribuindo para o medo, uma emissora de rádio afirmou que mais de 50 detentos tinham fugido e estavam à solta nas ruas da Capital. 
     Falava-se inicialmente em muitos mortos e em sangrentas cenas de ajuste de contas entre os próprios presos, com inúmeros esfaqueamentos e até degolas. Um preso disse aos repórteres tem visto uma cabeça jogada dentro de um vaso sanitário. Todavia, pelas versões oficiais, não só nenhum sentenciado teria conseguido se evadir como ninguém, fosse apenado, policial ou funcionário, morreu durante ou depois do episódio. Aos poucos, em contrapartida, surgiam relatos de alguns funcionários que enfrentaram o perigo das chamas e da violência para retirar detentos que ficaram presos em suas celas e outros, doentes (a maioria com tuberculose) hospedados na enfermaria e mesmo os inválidos ou com dificuldades de locomoção.
     Na edição de terça-feira, 30, jornal Folha da Tarde, na matéria “A Trama Sinistra dos Presidiários”, relatou o clima depois do incêndio, quando a situação já havia sido dominada, algo que revela o inferno humano que caracterizava o local: “Em todas as fisionomias dos presos notava-se intensa satisfação. Riam e pilheriavam já que, para eles, qualquer situação será melhor do que a da Casa de Correção. Um presidiário adiantou-nos que há muito vinha entrando gasolina no presídio, em pequenas quantidades, e que em todas as celas havia um foco preparado ao qual foi ateado fogo quando deram alarme na primeira, a 72”. Já o Correio do Povo lembrou que “foi um sinistro dos mais terríveis de que se tem notícia” e que se o plano desse certo “Porto Alegre estaria até agora em pânico, com suas ruas invadidas por homens para quem os conceitos de vida e de respeito ao próximo pouco ou nada significam.”
TRANSFERÊNCIA PARA MARIANTE – Em grandes operações de segurança os detentos foram sendo realocados em diferentes locais – quartéis da brigada, delegacias de polícia, no Instituto Psiquiátrico Forense (manicômio judiciário) e, principalmente, na Colônia Penal Daltro Filho, na localidade de Mariante, município de Venâncio Aires, para onde cerca de 300 deles foram conduzidos em barcaças do DAER – a viagem pelo Jacuí demorava cerca de quatro horas, com os revoltosos vigiados por soldados armados de metralhadoras. O policiamento na colônia agrícola já havia sido fortemente reforçado por uma companhia do Primeiro Batalhão de Caçadores.  
   Na Casa de Detenção permaneceram 550 homens, abrigados em barracas, em pavilhões não totalmente queimados ou recolhidos aos fétidos e úmidos porões, o “buraco”, enquanto os mais colaborativos voltavam às suas funções habituais. Para a Oitava Delegacia de Polícia, em Petrópolis, seguiram os elementos mais perigosos, entre os quais aqueles apontados como os líderes da rebelião. O chefe do Departamento de Institutos Penais do Estado, Neu Reinert, ordenou o isolamento total do presídio, proibindo qualquer tipo de visitas. O desespero maior, no entanto, provinha dos familiares dos presos, concentrados em frente e que imploravam por notícias.
    Em depoimento oficial um preso chamado Vavá – ou Gaspar Ávila da Silva, líder de quadrilha - afirmou ter sido ele o principal líder do movimento, junto com Washington Aires, o Paulistinha, e Nelson Bassani, os três agora recolhidos aos xadrezes da Oitava DP. As declarações de Vavá surpreenderam as autoridades – até mesmo ao secretário do Interior e Justiça, Theobaldo Neumann, e o diretor do presídio, Aires Rodrigues da Cunha - já que era um preso considerado de bom comportamento. Outro detento chamado Veríssimo Caduri Leal também assumiu a liderança.
ESCOLA DOS VÍCIOS – Em maio de 1971, quando o antigo Cadeião já tinha vindo abaixo, o repórter Isaías Valiatti, durante anos setorista policial da Caldas Júnior e nome reconhecido da imprensa gaúcha, escreveu um interessante artigo intitulado “Casa de Perversão”:
   “Felizmente nem sequer o portão da medonha masmorra que tinha o nome de Casa de Correção ficou de pé para lembrar um passado indescritível. Vamos e venhamos, para que conservar a memória de coisas horríveis? O mundo talvez não se torne ideal com a supressão de imagens nefandas, mas pelo menos a nova geração não terá de perguntar: “O que é aquilo ali?” E a resposta, para ser correta, seria longa, chocante e incompreensível. Não tenho engenho e arte para descrever o que vi e ouvi na medieval cadeia ao longo de tristes anos de reportagem policial para o Correio do Povo e, em certa época, para a Folha da Tarde. Espetáculos que superavam a imaginação de Hitchcock e cenas que nem Dante conseguiu traçar em seu Inferno repetiam-se de tempos em tempos, entre um motim e um incêndio provocados pelos próprios detentos. Paradoxalmente, a Casa de Correção era, em verdade, a escola dos vícios e das anomalias que só uma Casa de Perversão seria capaz de “ensinar” e praticar.
   “Por mais de uma vez, através das colunas deste jornal, chamei, juntamente com outras vozes que terminaram ecoando, contra o claustro imundo e revoltante que era a Casa de Correção. Inadequada sob todos os aspectos, contrariando os mais elementares princípios consagrados pela moderna penalogia, e sempre superlotada – chegou a ter quase 1.500 presos, quando sua capacidade real era para 300 – foi preciso um grande incêndio com um motim sem precedentes, que me coube documentar à época, para chegar-se à conclusão acaciana de que a velha cadeia deveria ser demolida para começar da estaca zero.
   “A penitenciária estadual, localizada no Partenon, pode ter falhas gritantes ou deficiências que devem ser eliminadas, mas jamais chegará a ser o que foi a Casa de Correção. Há problemas de estrutura de funcionamento, de vigilância e de métodos de recuperação que estão sendo encarados em seu devido tempo, mas, creio eu, jamais se encontrará naquele presídio as cenas e as ocorrências tão comuns e freqüentes na famigerada Casa de Correção.
   “Vibrei quando, em 1955, o então governador do Estado presidiu a cerimônia que assinalou a demolição simbólica do vergonhoso presídio. Era o primeiro passo decisivo para riscá-lo definitivamente do mapa da cidade. Era o princípio do fim das celas permanentemente inundadas, pois se localizavam abaixo do nível do Guaíba. Os chamados “republicano” e “democrata”, que num período não muito recuado da nossa história política serviram para castigar os “rebeldes”, iriam desaparecer, juntamente com as amoralidades, os assassinatos com requintes de barbarismo, as negociatas entre presos e funcionários, o tráfico de tóxicos e de álcool, enfim, as bestialidades entre seres que cada vez mais se degradavam num processo crescente de sordidez humana, típico do submundo que era a Casa de Correção.
   “A despeito de tudo isso, surgiram opiniões em favor da manutenção de algo que lembrasse o cárcere e as muralhas que o cercavam. Serviria – argumentavam – como motivação histórica ou turística.
   “Mas eu não estava só. O venerando e bondoso padre Pio, por longos e tenebrosos anos o capelão do extinto presídio, também admitia uma única saída: a destruição total, o arrasamento da Casa de Correção. As razões, como vemos, dispensam maiores comentários.
Major Aragón, o "incendiário" e vigarista, foi assassinado na Casa de Correção (foto da Revista do Globo)
    “Conservar a imagem da Casa de Correção – respeitadas as opiniões em contrário – seria o mesmo que guardar as imagens de atrocidades que fazem a humanidade recuar no tempo e no espaço. Seria a negação, a antítese do próprio homem.”

    Bem antes da publicação deste artigo, em janeiro de 1955 - dois meses depois do incêndio - a Revista do Globo dedicou várias páginas à Casa de Correção e à sua longa e sinistra história. Assinada pelo jornalista Tabajara Tajes, relata alguns dos muitos acontecimento ocorridos nas celas e nos porões de "uma das cadeias mais antigas do mundo":
   "Tem o casarão, na sua existência de um século, histórias de dor, de sangue e de tristezas, capazes de impressionar quantos ainda se comovam com a sorte dos condenados pela Justiça. Rios de sangue correram nos seus subterrâneos. Suas salas de tortura, em tempo não muito afastado, esconderam cenas tétricas, de homens judiados com requinte selvagem. Presos políticos tiveram unhas arrancadas, membros picados a pontas de cigarros. Caras humanas foram deformadas a socos e pontapés".
    O repórter prossegue, descrevendo alguns desses episódios, como o da Cela 16, e os locais chamados de "democrata" e "republicano". "A cela 16, há poucos anos, abrigava a escória do presídio. A ser deposto um governador, o chefe de policia mandou trancafiar ali um parente do mesmo, delegado de uma cidade do interior. Um malfeitor, que fora mandado prender por essa autoridade, cumpria naquela cela a sua pena. E na sua primeira noite de presídio, quando o silêncio invadira o casarão, vultos fugitivos arrastaram-se até ao beliche onde dormia o novo hóspede do cubículo. Mãos fortes taparam-lhe a boca com um pano. Durante longas horas serviu de pasto aos instintos bestiais do condenado que jurara vingança. No dia seguinte, em prantos, jogou-se aos pés do guarda carcerário, pedindo-lhe pelo amor dos filhos que não o deixasse mais ali. Que o matasse. Não lhe haviam valido os cabelos brancos e nem a personalidade forte. (...)
   "No Republicano, buraco feito de cela, escavado abaixo do nível do Guaíba, foi trancafiado um preso que matara um companheiro de cela. Sua reclusão foi adotada mais em razão da própria segurança do que mesmo de castigo. O preso morto era donzela de vários presidiários. No trajeto, por um desentendimento qualquer, o condenado esbofeteou um guarda. E no dia seguinte, sem que nem presos nem vigilantes vissem nada, o infeliz amanheceu virado num autêntico paliteiro. Oitenta e seis punhaladas marcavam a vingança daquelas feras humanas. Nunca se explicou como detentos puderam abrir celas, portas de corredor e várias grades intermediárias para terminarem estourando o forte cadeado do Republicano."
   (...) "Noutra cela, Guaiaca, presidiário de bom comportamento, e até com indícios de debilidade mental, foi morto aos pouquinhos num torniquete feito de lençóis. Numa ponta um pau extraído de um dos dos beliches e na outra um tamanco. presos amotinados, que o haviam apanhado como refém, foram torcendo, torcendo, até estrangulá-lo. No cubículo ao lado o imundo comércio de presos menores determinou o assassinato de "Sete...", que levava a alcunha pelo número de presos que violentou numa só noite."
   (...) "Na Enfermaria, onde quase uma centena de tuberculosos escarram os pulmões, um pretinho apareceu enforcado nas grades da porta. Aparentemente cometera suicidio. Necrópsia posterior apurou o estupro bestial que sofrera, provavelmente na hora da agonia. Na famigerada Sétima Enfermaria , ao lado do "Reizinho", sem dúvida o maior arrombador de cofres do Brasil, minado pela tísica, vivia o "Sarará do Galo", vingando-se da reclusão com escarros na cara dos guardas e de quantos dele se aproximassem.
   "Escola de crimes, do interior da cadeia saíam gatunos aperfeiçoados na arte de roubar e de matar. Cidadão decente que uma briga inevitável levasse ás suas celas, de lá saía acabrunhado, sem honra e sem dignidade, descrente dos homens, descrente da Justiça."
    (...) "Depois que administrar presídio se tornou cargo de afilhados políticos, a situação piorou ainda mais na Casa de Correção. (...) Com os dirigentes sucediam-se as portarias. Golpes de pena destruíam o que os outros haviam construído. A política carcerária caiu para níveis baixíssimos. Havia presos gozando de regalias inexplicáveis.  
     ( ...) "O tráfico da erva maldita ganhou alento dentro do presídio. A erva do diabo circulava com facilidade e os atritos sucediam-se entre os presos alucinados  pela "diamba".  O jogo também campeava e quase toda semana esfaqueavam-se os presidiários. Álcool não era contido nem pelos muros, nem pelas grades e nem pelas revistas que passavam nos visitantes. Porres memoráveis eram tomados entre desordens, pancadas e golpes de arma branca. O álcool da enfermaria era desviado e vendido aos viciados. Os preços eram alucinantes, coisas assim como 300 cruzeiros  o vidro de álcool e 500 o de cachaça. Não havia moral na seleção das visitas. O baixo meretrício, nos dias em que o presídio era franqueado aos de fora passeava a sua garrulice envolta em auras de perfume barato no pátio empedrado da cadeia. Cenas espantosas de cupidez e de falta de respeito entrepunham-se ao quadro triste da mãe comovida que beijava o filho  vestido de uniforme azul."
CONSTRUÍDO PELOS ESCRAVOS
    Na realidade o problema prisional gaúcho era crônico e vinha desde o século XIX, e a Casa de Correção tão somente simbolizava os horrores e as iniquidades de tal sistema.
   Quando a primeira parte da sua construção foi concluída, em 1855, era chamada de Cadeia Civil e abrigou inicialmente cerca de 200 presos. Construída pelos braços de escravos, suas paredes, formadas pela junção de grandes pedras, chegavam a ter mais de um metro de espessura.  A localização à beira do Guaíba se explicava pelo fácil acesso à água, pela questão da higiene – os dejetos seriam jogados no rio – pelo solo rochoso para assentar firmemente as suas fundações e também pelas características geográficas do local, uma “quina” da cidade e que então passou a ser chamada de Ponta da Cadeia. Em 1897, nos primórdios da República, segundo os historiadores, ganhou o nome oficial de Casa de Correção. A partir daí, de ano a ano, a sua população carcerária só foi aumentando, incluindo presos políticos dos vários movimentos de revolta que caracterizaram o Rio Grande.
    A Casa de Correção teve sua demolição concluída oficialmente no dia 11 de maio de 1967, uma quinta-feira. Uma equipe de funcionários da Prefeitura (Célio Marques Fernandes era o prefeito de Porto Alegre), sob a coordenação do engenheiro João Antonio Dib, dava fim a uma era de horrores que no entanto se repetiria com o não menos infame Presídio Estadual da Chácara das Bananeiras (bairro Partenon), inaugurado em 1963 e bem mais distante dos olhos da imprensa.    


quarta-feira, janeiro 04, 2017

Simanca, A Tarde, Salvador. A Charge Online.

O crime que chocou o mundo naquele ano de 1969 nos Estados Unidos

Charles Manson:, com sua cara de louco, em 1969:  ele está preso até hoje. Com 82 anos, as agências internacionais informam que seu estado de saúde é grave.

Sharon Tate: muito bela, casada com Roman Polanski, estava grávida quando foi brutalmente assassinada pela seite de Charles Manson, em sua mansão, na Califórnia.


Foi pior e muito, muito mais assustador do que as principais cenas de "O Bebê de Rosemary", filme de Roman Polanski que fez (e faz) um tremendo sucesso no final dos anos sessenta. Assassinada a facadas, pendurada no teto, a atriz e mulher do diretor Polanski foi uma das cinco vítimas de um psicopata chamado Charles Manson (foto) e de sua "família" - na realidade uma seita satânica formada por jovens desajustados, "hippies" do mal, todos na faixa dos vinte e poucos anos, e que viam em Manson o seu profeta e guru, obedecendo-o cegamente.

Na noite de 8 para 9 de agosto de 1969, na cidade de Los Angeles, Califórnia, um grupo de cinco discípulos de CM penetrou na mansão de Polanski (que estava viajando) e Tate, no elegante bairro de Bel Air, e consumou um dos mais chocantes e rumorosos crimes dos anos sessenta. Vestidos com roupas pretas e capuzes, os assassinos (dois rapazes e três moças) cortaram os fios de eletricidade e do telefone e deram início à matança. À exceção de um, que estava armado com um revólver calibre .22, os demais portavam facas. Sharon, 26 anos, teria implorado pela vida de seu filho, pois estava nos dias finais da gravidez de um bebê que se chamaria Paul. Suas súplicas, no entanto, foram inúteis. Os assassinos penduram o corpo da atriz em uma viga no teto, ao lado do de um outro amigo seu, e depois escreveram à sangue, na porta da casa, a palavra "pigs" (porcos).

O crime - chocante, por si mesmo - atraiu a atenção da imprensa internacional por envolver uma jovem, bela e promissora atriz e seu marido, Polanski, que recentemente havia lançado o estrondoso sucesso "O Bebê de Rosemary", com Mia Farrow - a história de uma seita satânica que se apossa de um bebê, considerado o filho do Diabo.Ouvido por uma emissora de TV, o escritor Truman Capote - também recente sucesso com o seu romance de não-ficção "A Sangue Frio" - era da opinião de que havia um só assassino, provavelmente um maníaco sexual.Na verdade, errou feio, embora a polícia, nos primeiros meses, também não conseguisse chegar a resultados palpáveis.Nesse meio tempo, o pai de Sharon visitava acampamentos hippies, fingindo-se de um deles. Nesse mundo à parte, corria à boca pequena a história do crime; todos sabiam que aquilo fora praticado pela seita de Manson, que vivia em um rancho localizado em um vale próximo a Goler Canyon, arredores de Los Angels. Foi dessa comunidade satânica de mais de 20 pessoas - a "família" - que saíram os assassinos àquela noite.Manson, nascido em 11 de novembro de 1934, o líder da seita, tinha uma biografia apropriada para um psicopata: sua mãe foi abandonada pelo pai aos 16 anos de idade, quando estava grávida. Criado por uma avó materna, a princípio, depois por um casal de tios que não o suportava, acabou em reformatórios do Governo. Místico, racista, tinha poder absoluto sobre a seita. Condenado à morte um ano depois, teve sua pena permutada por prisão perpétua, que hoje cumpre. (Pesquisa do Conselheiro X)

Em 1974 Florianópolis, a Ilha da Magia, havia recebido, pasmem, 3.720 turistas...

Um dos principais destinos turísticos, hoje, do Brasil e até mesmo dos países vizinhos, com centenas de milhares de visitantes durante a temporada, Florianópolis, a Ilha da Magia, transformou-se completamente em relação ao que era, digamos, uns 40 anos atrás. nesse tempo, então uma pequena e periférica capital de menos de cerca de 200 mil habitantes, no máximo, a vocação turística da belíssima ilha estava apenas embrionário, como se vê nesta matéria do Correio do Povo, de Porto Alegre, de janeiro de 1975, quando o Brasil ainda vivia sob o regime militar e havia algo chamado DOPS, Departamento de ordem Política e Social, Segundo se informava, no ano anterior, 1974, Floripa - que ainda assim não era chamada - a capital catarinense, pasmem, havia recebido 3.720 turistas, dos quais menos de 800 eram estrangeiros. Mesmo assim, já se fazia notar o fenômeno que só fez crescer - a maioria dos estrangeiros era argentina. 

terça-feira, janeiro 03, 2017

Relatório diz que o chapas de aço do casco do Titanic eram impróprias para águas geladas

Titanic: casco do navio "como se fosse vidro".

"Se o navio tivesse sido construído com chapas de aço de melhor qualidade, a tragédia poderia ter sido evitada, ou pelo menos amenizada". Quem afirmou isso foi o arquiteto naval norte-americano William H. Garzke, coordenador do estudo sobre as causas da tragédia do navio Titanic - aquele que rendeu filmes e livros.

Divulgado em setembro de 1993, o relatório - feito por especialistas da Sociedade dos Arquitetos e Engenheiros Navais de Nova Iorque - concluiu que o aço utilizado na construção do maior navio do mundo, e que se partiu em dois em 15 de abril de 1912, na sua viagem inaugural entre a Inglaterra e os Estados Unidos, era de má qualidade, de terceira categoria. Se fosse usado um material melhor, o iceberg que colidiu contra o transatlântico não teria feito um rombo de mais de 90 metros no seu casco, matando 1522 pessoas.

Através de análises fotográficas e testes físicos realizados com destroços do navio, os cientistas descobriram que as chapas de aço do casco do Titanic eram impróprias para navegação em águas tão frias como as da costa canadense, local do desastre, onde a temperatura do mar chegou, na noite da tragédia, a 2 graus negativos. Segundo eles, as chapas desse tipo de aço racham ao tomar contato com águas geladas, detonando uma reação de estilhaçamento semelhante à que acontece com o vidro. "O naufrágio do Titanic ocorreu mais por uma fraqueza de suas chapas de aço do que devido à violência do choque com o iceberg", esclareceu William Garzke. Os destroços do Titanic - um gigante de 271 metros de comprimento e dez andares - foram encontrados em 1985, a 4.000 metros de profundidade, no mar da costa canadense, por um grupo de cientistas franceses e americanos. O estudo provou que o casco co navio quebrou como se fosse de vidro, e não foi perfurado, como se acreditava antes. Ou seja, a empresa White Star Line, preferiu economizar e acabou dando margem a uma das maiores tragédias marítimas de todos os tempos. (Pesquisa: Conselheiro X.)