sexta-feira, setembro 13, 2019

Deu Pra Ti Anos Setenta estreia em Porto Alegre, 50 anos atrás

É, o tempo voa!... Já se passaram 40 anos desde que o espetáculo musical Deu Pra Ti Anos 70 estreou em Porto Alegre, naquele mês de dezembro de 1979. Estavam lá, jovenzinhos, o hoje sessenta Ney Lisboa e Augusto Licks, entre outros. Ainda se vivia o regime militar, Porto Alegre era uma cidade de 1 milhão de habitantes, com telefones públicos movidos a fichas, os discos eram os de vinil (long-plays e compactos) e havia poucas rádios FMs no Rio Grande do Sul. Deu Pra Ti depois se transformou em peça de teatro e - naqueles deliciosos tempos precários - teve sua divulgação feita com pichações escritas nos muros e fachadas da Capital. Foi um marco na despedida da década de setenta e no sonho de uma melhor que viria em seguida. A reprodução é do Correio do Povo.

segunda-feira, setembro 09, 2019

Aniversariantes do dia 9 de Setembro

Adam Sandler faz 53.

Ailton Graça faz 55.

Ana Carolina faz 45.

Daniel faz 51.

Neto faz 53.

Renato faz 57 anos.

quinta-feira, agosto 29, 2019

Aniversariantes do dia 29 de Agosto

Alessandra  Negrini faz 49 anos.

Mallu Magalhães faz 27.

Edu Lobo faz 76.

Luana Piovani faz 43.

E hoje, em 1915, nascia Ingrid Bergman (Fal. 1982)

quarta-feira, agosto 28, 2019



Palmeiras, o primeiro campeão mundial de clubes: sim ou não?

Na Revista do Globo, de Porto Alegre, o reconhecimento do Palmeiras como o primeiro campeão mundial de clubes,em 51

Alguns colorados dizem que o Grêmio não é campeão mundial de clubes.  Essa discussão bizantina e sem muito sentido – pois na verdade o torneio intercontinental, fosse Copa Toyota ou qualquer outra coisa, era, sim, um campeonato mundial – não se restringe a colorados e gremistas, santistas ou são-paulinos, flamenguistas ou quaisquer outros clubes da América do Sul e da Europa. Ela, na verdade, começa com aquele que pode, sem dúvida alguma, ser considerado o primeiro torneio mundial de clubes, que aconteceu em julho de 1951, tendo por palcos os gramados brasileiros do Maracanã e do Pacaembu. E o resultado é um só: goste-se ou não, o Palmeiras foi o campeão e seu título lavou um pouco da honra desgastada pela derrota do selecionado brasileiro em 1950.
Em sua edição da primeira quinzena de agosto de 1951, um ano depois da Copa do Mundo disputada no Brasil, a Revista do Globo dedicava várias páginas sobre a Copa Rio, ou “Torneio Mundial de Campeões”, vencido pelo Palmeiras. O jogo final foi contra a Juventus de Turim terminou empatado em 2 a 2, com um público pagante de 150 mil pessoas, o que garantiu, pelo regulamento, o título ao esquadrão do Parque Antartica, já que antes este havia vencido o escrete italiano, também no Maracanã, por 1 a 0.  Foi a culminância de 22 jogos realizados, sendo 11 no Maracanã e 11 no Pacaembu. E o número de participantes era bem mais elevado que o moderno sistema da Fifa: estavam lá o Palmeiras, campeão paulista, o Vasco da Gama, campeão carioca, base da seleção brasileira e considerado favorito ao título, o Áustria, campeão da Áustria, o Sporting, campeão português, o Nacional de Montevidéu, campeão uruguaio, o Estrela Vermelha, campeão iugoslavo, o Olympique Gymnastique, de Nice, campeão da França e a Juventus de Torino, vice-campeã italiana, que veio em lugar do campeão Milan, mas que era talvez o melhor time da Europa. A reportagem adianta que o torneio era uma iniciativa da então CBD, Confederação Brasileira de Desportos, com anuência da Fifa.  Já de entrada, a reportagem afirma: “A Copa Rio finalmente ficou no Brasil, graças ao feito brilhante do Palmeiras, que conquistou assim a maior vitória do futebol brasileiro. Arrebatando a cobiçada taça ao categorizado esquadrão italiano do Juventus, o quadro paulista completou uma série de triunfos futebolísticos magníficos: campeão do Estado de São Paulo, campeão do Torneio Rio-São Paulo, campeão da cidade de São Paulo e, agora, campeão do Mundo. Com este último título elevou ainda nosso futebol à posição que lhe compete.”
A reportagem lamenta apenas a ausência de clubes espanhóis, atribuindo isso ao fato de que eles, enquanto seleção, haviam sido goleados pelo Brasil na Copa do Mundo de 50 e receavam apanhar de novo. Outra ausência lamentada era do Tottenhan, campeão inglês, que não quis vir alegando o desgaste causado por uma viagem tão longa.
Em uma página que dedica ao assunto, a enciclopédia eletrônica Wikipédia fala sobre a Copa Rio, esclarecendo muitas coisas: “A Copa Rio tem a sua importância em virtude de ser a primeira tentativa de organização de uma copa do mundo de clubes de futebol que na prática teve alcance intercontinental, antes mesmo da Copa Intercontinental e da Copa do Mundo de Clubes da FIFA.” A ideia, então, era reunir em um torneio os clubes campeões dos países que haviam participado da Copa do Mundo de 1950, realizada no Brasil. Aliás, o artilheiro da competição, Giampiero Boniperti, da Juventus, declarou não faz muito que tanto ele como seus colegas de equipe entendiam, sim, que aquele era um torneio mundial de clubes.
O torneio também transformou-se um sucesso de público e de rendas e, ao que tudo indica, foi bem organizado.  Os lucros foram de mais de 4 milhões de cruzeiros, algo difícil de mensurar hoje, sendo que cada clube recebeu 93 mil cruzeiros e mais 200 mil pagos como garantia por partida. A CBD auferiu 10% do total e mais 10% sobre a renda de cada partida, em um total de 2 milhões e 400 mil cruzeiros. Segundo a Revista do Globo, “os paulistas fizeram uma invasão em massa da Capital do país a fim de assistir no Estádio Municipal de Maracanã ao embate decisivo entre as equipes do Palmeiras, campeão de São Paulo, e o Juventus de Turim, vice-campeão italianos, os dois finalistas do torneio. Foi tal o afluxo de visitantes paulistas na Cidade Maravilhosa que as passagens de avião para o regresso ficaram esgotadas até três dias depois do jogo. Os torcedores palmeirenses não se decepcionaram. O espetáculo desportivo que puderam apreciar no Maracanã correspondeu plenamente a tudo o que dele se esperava. Numa tarde de gala, o Palmeiras escreveu uma página de glória para o esporte nacional, sagrando-se campeão mundial.”
A Revista do Globo, editada em Porto Alegre mas com relativo alcance nacional, emendava a reportagem sobre a Copa Rio com outra, detalhando a trajetória e a história do Palestra Itália, que só passou a se chamar Palmeiras em 1942, quando o Brasil já era hostil às potências do Eixo, o que incluía a Itália. A matéria era assinada por Gustavo Renó. “Mas essas são histórias do passado que de modo algum interessam hoje, salvo como simples registro, já que estamos recordando de passagem, enquanto a cidade vibra com as suas vitórias, a trajetória brilhante desse “periquito infernal” que ludibriou as melhores esperanças dos bambas da Áustria, da Iugoslávia, da França, da Itália, de Portugal, do Uruguai, e que, como autêntica transfiguração do Zé Carioca, passou a perna no próprio Vasco da Gama, arrebatando-lhe o título de “campeão mundial de futebol.
Como se vê, o Palmeiras – que ainda não era porco e sim periquito - pode, com direitos, mesmo que de forma isolada, se considerar o primeiro campeão mundial de clubes, a despeito da arrogância e das ciumeiras mesquinhas da FIFA e seus dirigentes. A entidade, aliás, reconhece e não reconhece o Palmeiras como o primeiro campeão mundial de clubes. Reconhece pois o alviverde foi, de fato, o legítimo campeão, e não reconhece, talvez, porque ela, FIFA, não recebeu dinheiro algum pelo torneio. Curiosamente, a mesma entidade considera o Corinthians campeão do mundo em 2000, sem que ele sequer tenha sido campeão continental.

sexta-feira, agosto 23, 2019

Simonal e Teixeirinha juntos, em 1972

Wilson Simonal, com seu estilo de negro norte-americano, estava por cima da onda em 1972, e o mesmo acontecia com Victor Mateus Teixeira, o Teixeirinha, chamando então de O Rei do Disco. Em maio de 1972 Simonal veio a Porto Alegre, onde se apresentaria no ginásio do Grêmio, em um show com a participação - vejam só - de Teixeirinha. Indagado sobre a estranheza de tal encontro, Simonal justificou, argumentando que, em sua recente turnê pela Europa, tinha constatado o sucesso do gaúch o por lá, especialmente na Inglaterra - na terra da rainha, Teixerinha chegou a fazer sucesso. Não se sabe se o show dos dois de fato aconteceu (provavelmente sim), mas vai aqui o registro do Correio do Povo daquela época.

sexta-feira, junho 28, 2019

Aniversariantes do dia 28 de Junho

Raul Seixas (Fal. 1989) faria 74 anos.
Daniel Dantas faz 65.

John Cusack faz 53.

Itamar Franco (Fal. 2011) faria hoje 89 anos.

quarta-feira, junho 26, 2019

Duke, O Tempo, MG. A Charge Online.

Aniversariantes do dia 26 de Junho

Cantora Luka faz 40 anos.

Luiza Possi faz faz 35.

Leonardo Gaciba faz 48.

Ator Jesuíta Barbosa faz 28.

Gilberto Gil faz 77.

La Dolce Vita faz sua estreia em Porto Alegre, no Cine Rex

Em janeiro de 1961 - portanto, há 58 anos - estreava em Porto Alegre um novo filme do diretor italiano Federico Fellini que deveria entrar para a história cinematográfica mundial: La Dolce Vita, com, entre outros, Marcelo Mastroiani e a belíssima e sensual sueca Anita Ekberg. Produzido em 1960, retrato de uma época em que muitos dos valores iam perdendo o sentido, com um forte vazio existencial de seus personagens, a produção de Fellini é digna do seu gênio e tornou-se um dos filmes mais comentados de todos os tempos. na Capital gaúcha, com seus pouco mais de 700 mil habitantes, La Dolce Vita, ou A Doce Vida, foi projetada inicialmente no Cine Rex, uma belíssima casa de espetáculos na Rua da Praia. A reprodução é do jornal Correio do Povo, da coleção do Arquivo Histórico Municipal Moyses Vellinho.

terça-feira, junho 25, 2019

Aniversariantes do dia 25 de Junho

Fernanda Lima faz 42 anos.

João Carlos Martins faz 79.

George Orwell (Fal. 1950) faria 116.

Bussunda (Fal. 2006) faria 57.

S. Salvador, em O Estado de Minas, BH. A Charge Onli ne.



Palmeiras, o primeiro campeão mundial de clubes: sim ou não?

Na Revista do Globo, de Porto Alegre, o reconhecimento do Palmeiras como o primeiro campeão mundial de clubes,em 51

Alguns colorados dizem que o Grêmio não é campeão mundial de clubes.  Essa discussão bizantina e sem muito sentido – pois na verdade o torneio intercontinental, fosse Copa Toyota ou qualquer outra coisa, era, sim, um campeonato mundial – não se restringe a colorados e gremistas, santistas ou são-paulinos, flamenguistas ou quaisquer outros clubes da América do Sul e da Europa. Ela, na verdade, começa com aquele que pode, sem dúvida alguma, ser considerado o primeiro torneio mundial de clubes, que aconteceu em julho de 1951, tendo por palcos os gramados brasileiros do Maracanã e do Pacaembu. E o resultado é um só: goste-se ou não, o Palmeiras foi o campeão e seu título lavou um pouco da honra desgastada pela derrota do selecionado brasileiro em 1950.
Em sua edição da primeira quinzena de agosto de 1951, um ano depois da Copa do Mundo disputada no Brasil, a Revista do Globo dedicava várias páginas sobre a Copa Rio, ou “Torneio Mundial de Campeões”, vencido pelo Palmeiras. O jogo final foi contra a Juventus de Turim terminou empatado em 2 a 2, com um público pagante de 150 mil pessoas, o que garantiu, pelo regulamento, o título ao esquadrão do Parque Antartica, já que antes este havia vencido o escrete italiano, também no Maracanã, por 1 a 0.  Foi a culminância de 22 jogos realizados, sendo 11 no Maracanã e 11 no Pacaembu. E o número de participantes era bem mais elevado que o moderno sistema da Fifa: estavam lá o Palmeiras, campeão paulista, o Vasco da Gama, campeão carioca, base da seleção brasileira e considerado favorito ao título, o Áustria, campeão da Áustria, o Sporting, campeão português, o Nacional de Montevidéu, campeão uruguaio, o Estrela Vermelha, campeão iugoslavo, o Olympique Gymnastique, de Nice, campeão da França e a Juventus de Torino, vice-campeã italiana, que veio em lugar do campeão Milan, mas que era talvez o melhor time da Europa. A reportagem adianta que o torneio era uma iniciativa da então CBD, Confederação Brasileira de Desportos, com anuência da Fifa.  Já de entrada, a reportagem afirma: “A Copa Rio finalmente ficou no Brasil, graças ao feito brilhante do Palmeiras, que conquistou assim a maior vitória do futebol brasileiro. Arrebatando a cobiçada taça ao categorizado esquadrão italiano do Juventus, o quadro paulista completou uma série de triunfos futebolísticos magníficos: campeão do Estado de São Paulo, campeão do Torneio Rio-São Paulo, campeão da cidade de São Paulo e, agora, campeão do Mundo. Com este último título elevou ainda nosso futebol à posição que lhe compete.”
A reportagem lamenta apenas a ausência de clubes espanhóis, atribuindo isso ao fato de que eles, enquanto seleção, haviam sido goleados pelo Brasil na Copa do Mundo de 50 e receavam apanhar de novo. Outra ausência lamentada era do Tottenhan, campeão inglês, que não quis vir alegando o desgaste causado por uma viagem tão longa.
Em uma página que dedica ao assunto, a enciclopédia eletrônica Wikipédia fala sobre a Copa Rio, esclarecendo muitas coisas: “A Copa Rio tem a sua importância em virtude de ser a primeira tentativa de organização de uma copa do mundo de clubes de futebol que na prática teve alcance intercontinental, antes mesmo da Copa Intercontinental e da Copa do Mundo de Clubes da FIFA.” A ideia, então, era reunir em um torneio os clubes campeões dos países que haviam participado da Copa do Mundo de 1950, realizada no Brasil. Aliás, o artilheiro da competição, Giampiero Boniperti, da Juventus, declarou não faz muito que tanto ele como seus colegas de equipe entendiam, sim, que aquele era um torneio mundial de clubes.
O torneio também transformou-se um sucesso de público e de rendas e, ao que tudo indica, foi bem organizado.  Os lucros foram de mais de 4 milhões de cruzeiros, algo difícil de mensurar hoje, sendo que cada clube recebeu 93 mil cruzeiros e mais 200 mil pagos como garantia por partida. A CBD auferiu 10% do total e mais 10% sobre a renda de cada partida, em um total de 2 milhões e 400 mil cruzeiros. Segundo a Revista do Globo, “os paulistas fizeram uma invasão em massa da Capital do país a fim de assistir no Estádio Municipal de Maracanã ao embate decisivo entre as equipes do Palmeiras, campeão de São Paulo, e o Juventus de Turim, vice-campeão italianos, os dois finalistas do torneio. Foi tal o afluxo de visitantes paulistas na Cidade Maravilhosa que as passagens de avião para o regresso ficaram esgotadas até três dias depois do jogo. Os torcedores palmeirenses não se decepcionaram. O espetáculo desportivo que puderam apreciar no Maracanã correspondeu plenamente a tudo o que dele se esperava. Numa tarde de gala, o Palmeiras escreveu uma página de glória para o esporte nacional, sagrando-se campeão mundial.”
A Revista do Globo, editada em Porto Alegre mas com relativo alcance nacional, emendava a reportagem sobre a Copa Rio com outra, detalhando a trajetória e a história do Palestra Itália, que só passou a se chamar Palmeiras em 1942, quando o Brasil já era hostil às potências do Eixo, o que incluía a Itália. A matéria era assinada por Gustavo Renó. “Mas essas são histórias do passado que de modo algum interessam hoje, salvo como simples registro, já que estamos recordando de passagem, enquanto a cidade vibra com as suas vitórias, a trajetória brilhante desse “periquito infernal” que ludibriou as melhores esperanças dos bambas da Áustria, da Iugoslávia, da França, da Itália, de Portugal, do Uruguai, e que, como autêntica transfiguração do Zé Carioca, passou a perna no próprio Vasco da Gama, arrebatando-lhe o título de “campeão mundial de futebol.
Como se vê, o Palmeiras – que ainda não era porco e sim periquito - pode, com direitos, mesmo que de forma isolada, se considerar o primeiro campeão mundial de clubes, a despeito da arrogância e das ciumeiras mesquinhas da FIFA e seus dirigentes. A entidade, aliás, reconhece e não reconhece o Palmeiras como o primeiro campeão mundial de clubes. Reconhece pois o alviverde foi, de fato, o legítimo campeão, e não reconhece, talvez, porque ela, FIFA, não recebeu dinheiro algum pelo torneio. Curiosamente, a mesma entidade considera o Corinthians campeão do mundo em 2000, sem que ele sequer tenha sido campeão continental. (Pesquisa e texto: Vitor Minas)

segunda-feira, junho 24, 2019

Aniversariantes do dia 24 de Junho

Lionel Messi faz 32 anos.

Betty Lago (Fal. 2015) faria 64.

Juan Manuel Fangio (Fal. 1995) faria 118 anos.

Jack Dempsey (Fal 1985) faria 124.

sexta-feira, junho 21, 2019

Aniversariantes do dia 21 de Junho

Jean-Paul Sartre (Fal. 1980) faria 114 anos.

Nelson Gonçalves (fal. 1998) faria 100 anos.

Françoise Sagan (Fal. 2004) faria 84.

Jane Russel (Fal. 2011) faria 98.

Juliette Lewis faz 46.

Eduardo Suplicy faz 78.

E no dia de hoje, em 2004, faleceu Leonel Brizola.

Carlos Nobre, o humorista gaúcho que deixou saudades

José Evaristo Villalobos Júnior - mais conhecido como Carlos Nobre - faleceu no dia 16 de dezembro de 1985 e deixou saudades em quem tem hoje mais de meio século de vida. Natural de Guaíba, Nobre foi, sem dúvida, o maior humorista gaúcho depois do Barão do Itararé, ou talvez até rivalizasse com ele. Sua página na Zero Hora, sempre com fotos de muitas mulheres bonitas e preferencialmente com pouca roupa, era a mais lida do jornal. Suas tiradas e aforismos hilários misturam o humor gaiato do povo com a crítica social e a sofisticação da inteligência crítica. Por exemplo, nada mais atual do que esta, de um humor amargo: "Já está na hora do Brasil voltar a brincar de "pega ladrão". 
Nesta reprodução da Revista do Globo, de abril de 1961, Nobre aparece assinando o contrato de sua renovação com a Rádio Gaúcha, já que era um humorista completo, de jornal, rádio e televisão. 

Maníaco do Parque mantinha um diário e foi transformado em celebridade brasileira

REPUBLICAÇÃO (original: 24 DE SETEMBRO DE 2008)



O nome dele é Francisco de Assis Pereira e tinha 30 anos quando se tornou conhecido como o "Maníaco do Parque". Francisco foi preso na cidade de Itaqui, no Rio Grande do Sul, acusado de ter assassinado oito mulheres em São Paulo. Condenado, cumpre pena e até se casou na cadeia.O caso do Maníaco do Parque foi um dos mais comentados, senão o mais, do ano de 1998. Foragido durante 23 dias, ele foi reconhecido por pescadores, em Itaqui, para onde havia viajado, usando documentos falsos.
Os crimes, que aconteciam no Parque do Estado, na capital paulista, desafiavam a polícia: no local foram encontrados os corpos das mulheres, que ele estuprava, enforcava e roubava e depois largava, mortas, em clareiras de uma das maiores áreas verdes de SP.À polícia informou terem sido, na realidade, nove vítimas, e falou do seu "lado negro":"Eu tenho um lado ruim dentro de mim. É uma coisa feia, perversa, que eu não consigo controlar. Tenho pesadelos, sonho com coisas terríveis. Acordo todo suado. Tinha noite em que não saía de casa porque sabia que na rua ia querer fazer de novo, não ia me segurar. Deito e rezo, pra tentar me controlar."
Os atos de Francisco ganharam as manchetes em 12 de julho de 1998, quando os jornais publicaram o primeiro retrato falado do maníaco. No mesmo dia, a manicure Selma Rodrigues Goes, 35 anos, afirmou ter visto uma fumaça saindo de dentro da empresa J.R. Express, na rua Alcântara Machado, em São Paulo. O morador do local era ele: Francisco de Assis Pereira, o único funcionário que trabalhava e dormia na empresa.
Ao chegar ao trabalho, o empresário Jorge Sant' Ana, o patrão, encontrou um bilhete sobre a mesa, com um recorte do jornal em que havia o retrato falado. No bilhete, Francisco lamentava ter ido embora e pedia desculpas pela partida. No mesmo dia o empresário percebeu que havia algo de errado com o vaso sanitário da empresa. No conserto foi encontrado um bolo de papéis queimados, que entupira o esgoto. Junto, estava a carteira de identidade de Selma Ferreira Queiroz, uma das vítimas. 
Alguns dias depois, a estudante Sara Adriana Ferreira reconheceu na polícia a voz do homem que, no dia 4 de julho, telefonou para a sua casa, na cidade de Cotia, exigindo mil reais pela libertação de sua irmã Selma. Ela identificou a voz ao ver uma entrevista que Francisco havia dado a uma rede de televisão, em 1994, sobre um grupo de patinadores noturnos: era ele. Todas as mulheres mortas foram namoradas ou se relacionaram com o maníaco, um motoboy que adorava patinação, usava roupas coloridas, era jovial e alegre e, segundo alguns mulheres, era também carinhoso e brincalhão. O tipo comum, que não desperta desconfianças e com quem pode se puxar conversa no elevador.
Ao fugir, Francisco passou pela Argentina e voltou ao Brasil. Em Itaqui, RS, na fronteira com a Argentina, chegou a frequentar missas e se tornou familiar aos pescadores do rio Uruguai, que logo desconfiaram dele e imediatamente o associaram ao retrato falado que saía na televisão. Por outro lado, o motoboy era popular no Parque do Ibirapuera, onde costumava fazer malabarismos sobre patins, esporte que ele dominava e ensinava a outras pessoas. Era querido e respeitado até pelas crianças, que costumavam cercá-lo e falar com ele.
Em depoimento de muitas horas à polícia paulista, o Maníaco do Parque confessou os oito assassinatos e mais um. Também admitiu outros cinco estupros. Foi nesse momentos que falou de seu "lado ruim", de sua "fixação em seios" e contou uma dramática história de relacionamentos, de molestamento sexual na infância, de um ex-patrão, com quem teria um relacionamento homossexual.
O maior caso policial do ano logo se transformou em um grande circo midiático. Um encontro entre Francisco e os pais foi transmitido ao vivo no programa do Ratinho e alcançou 38 pontos no Ibope - quase o mesmo da novela da Globo em horário nobre. Cinco mulheres se apresentaram à polícia identificando o homem que as havia violentado no Parque do Estado - as sobreviventes. Todas indicaram Francisco como o autor.Entre as vítimas fatais do Maníaco, estava Elisângela Francisco da Silva, de 21 anos, cujo corpo foi encontrado no Parque em 28 de junho. Ela estava nua. Paranaense, de família humilde, Elisângela era conhecida pela excessiva timidez e pertencia à igreja Batista e, depois, à igreja Deus é Amor.
Outra, Raquel Rodrigues, de 23 anos, era "uma moça muito ingênua", como diziam suas amigas. Sua família vivia em Gravataí, na grande Porto Alegre. Nos finais de semana, em São Paulo, Raquel costumava frequentar barzinhos com suas amigas e trabalhava como vendedora, no bairro de Pinheiros. No dia da sua morte, telefonou para uma prima, dizendo que conhecera um rapaz e que aceitara posar de modelo para ele. Seu corpo foi encontrado em um matagal do Parque, no dia 16 de janeiro. Outra, Selma Ferreira Queiroz, balconista, ainda não havia completado 18 anos. Desapareceu em uma sexta-feira. No dia seguinte, um homem telefonou para sua irmã, dizendo que ela havia sido sequestrada e exigindo mil reais de resgate. Mas não ligou de volta. O corpo foi encontrado no dia seguinte: ela estava nua, com sinais de estupro e espancamento. Nos ombros, seios e interior das pernas havia marcas de mordidas. Francisco também fazia sexo anal com a maioria de suas vítimas. Ele não usava armas, apenas as mãos. Já Patrícia Gonçalves Marinho, 24 anos, saiu da casa da avó, onde morava, e nunca mais foi vista com vida. Seu corpo só foi encontrado no dia 28 de julho, em uma área erma do Parque do Estado. Morreu por estrangulamento e foi estuprada. Seu sonho era se tornar modelo e, segundos seus conhecidos, tinha uma confiança ingênua nas boas intenções de todo mundo. O Maníaco do Parque mantinha um diário onde falava de suas conquistas amorosas, romances impossíveis e momentos de muita agressividade. Em um desses dias, ele escreveu: "Quando lembro daqueles momentos fico completamente excitado, malvado, carente, as coisas de englobam de uma só vez. (...) Estou procurando uma criança de 12 ou 13 anos que eu possa dominar" (...) Transformado em superestar do Mal, Francisco deu entrevistas coletivas, falou em Deus, em Igreja - uma de suas fixações - e disse aos repórteres: "Eu sou ruim, gente, muito ruim."
Há dez anos trancafiado, Francisco foi um dos mais conhecidos seriall killer do Brasil - um clube que inclui Chico Picadinho, esquartejador, e Marcelo de Andrade, que estuprou e degolou nada menos do que 14 crianças e foi preso no Rio de Janeiro, em 1991.
Condenado a 269 anos de prisão, ele cumprirá, no máximo, 30 anos, como prevê a lei brasileira. (Pesquisa: Conselheiro X.)

quinta-feira, junho 20, 2019

Aniversariantes do dia 20 de Junho

Kadu Moliterno faz 67 anos.

Nicole Kidman faz 52.

Otávio Mesquita faz 60.

Marcos Mion faz 40.

Sonia Abraão faz 61.
Lívia Andrade faz 36.