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domingo, dezembro 16, 2012

Os "tiradores de sangue" de fato existiam

Em criança, lá no interior, ouvíamos histórias e relatos dos famosos "tiradores de sangue", que seriam pessoas que, vindas de fora, agarravam as crianças e delas tiravam o sangue. Os "tiradores de sangue" eram figuras terríveis e misteriosas, e muita gente se ria daquilo, atribuindo tais histórias ao imaginário fértil dos matutos, algo como o Lobisomen, as Assombrações e a Mula Sem Cabeça. Pois, pesquisando a coleção do Correio do Povo de maio de 1976 descobri que eles de fato existiam e agiam no Rio Grande do Sul. Note-se que, naquela época, não havia regulamentação dos bancos de sangue ainda se vendia o produto por alguns trocados.

terça-feira, dezembro 04, 2012

A fascinante história de Joelmir Beting, um ex-bóia fria que se tornou jornalista famoso

Olhando hoje, quem imaginaria que o conceituado comentarista de economia, o homem de voz pausada, de rosto claro e "primeiro-mundista", o medalhão que fala sobre dinheiro com a naturalidade de quem sempre teve esse produto em fartura, quem imaginaria que ele, dos sete aos dezesseis anos, fosse um bóia-fria - aquele sujeito desvalido que corta cana nas lavouras do interior de São Paulo, ganhando uma mixaria por isso? Joelmir faleceu recentemente, aos 75 anos de idade, e sua morte foi lamentada em todo o Brasil




Pois é, Joelmir Beting - autodidata por formação, um dos mais bem pagos jornalistas do País, comentarista econõmico na Rede Bandeirantes de Televisão (depois de tantos anos na Globo, demitido por fazer a propaganda de um banco, sem autorização da emissora) - foi coroinha e bóia-fria nas lavouras de cana-de-açúcar da região de Tambaú, interior de SP? Aos 16 para 17 anos, Joelmir mudou-se para a Capital paulista, iniciando, a duras penas, a sua escalada para o sucesso - ou coisa que o valha.



Outra informação que pouca gente sabia (mas que foi repetida à exaustão por ocasião de sua morte): no dia 5 de março de 1961, no estádio do Maracanã, em um jogo entre Santos e Fluminense, quando era comentarista esportivo, foi dele a idéia de mandar fazer uma placa em comemoração ao antológico gol de Pelé - aquele que resultou na famosa "placa de ouro": o Santos vencia a partida por 1 a 0 quando Pelé recebeu a bola no meio do campo e arrancou em direção à meta adversária, passando por dois, driblando mais três e chutando na saída do goleiro Castilho. Joelmir, que estava no estádio, impressionou-se com o lance e sugeriu ao jornal O Esporte, no qual trabalhava, que fizesse uma placa de bronze para registrar a beleza da jogada. O hoje famoso comentarista de economia pagou as despesas com dinheiro do seu próprio bolso pois o jornal encolheu-se na hora de saldar as despesas. "Nunca fiz um gol de placa, mas fiz a placa do gol", diria mais tarde o comentarista.



A propósito: católico fervoroso, discípulo do Padre Donizetti, o pai de Joelmir morreu quando ele tinha apenas sete anos de idade. Sebastião Beting caiu da carroceria de um caminhão que o levava para trabalhar na lavoura de cana e não restistiu aos ferimentos.



Palmeirense da gema, de olho no mundo real à sua volta, Joelmir Beting é, há muitos anos, respeitado pelo mundo empresarial e político não somente pela linguagem pedagógica que empregava nos seus comentários (ao contrário de tantos outros, que fazem questão do hermetismo) como pelos acertos realmente comprovados nas suas análises. Ou, como disse um político admirador seu, ele era daqueles que "só conseguem explicar aquilo que entendeu". Justificando o seu estilo, cheio de metáforas e analogias, Beting, certa vez, disse o seguinte: "Para se fazer entender você precisa repetir uma mesma idéia até cansar. Por mais óbvia que ela seja".