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segunda-feira, setembro 08, 2014

As minhas dúvidas com o autor do livro "Getúlio" no Canal Livre

Vi, ontem, alguns pedaços da entrevista do jornalista Lira Neto no Canal Livre da rede Bandeirantes. Ele falou a respeito de seu livro sobre Getúlio Vargas, um grande sucesso de vendas e de crítica, e sobre a  "ambivalência" política do político gaúcho, Ele foi entrevistado por Boris Casoy, Fernando Mitre e Marcelo Tas, aquele careca do CQC e que já fez muitas coisas nessa área. Confesso que não só me decepcionei com o sujeito como fiquei com uma má impressão desse jornalista e escritor cujo livro não li e, acho, não mais lerei agora. 
   Embora muita gente tenha me falado coisas boas da obra eu peguei uma falhas capitais ditas por ele na Band e infelizmente não corrigidas ou contestadas pelos entrevistadores (o melhor dos três é o Mitre). Primeiro, falou sobre a admiração pelo fascismo de Getúlio em 1929, quando Vargas teria confessado isso a não sei quem em entrevista ou sei lá o quê, o que é mais ou menos como chover no molhado. A seguir proferiu um erro crasso que me deixou com a pulga atrás da orelha e me fez repensar as qualidades do cara como jornalista ou historiador: que o mundo estava vivendo, em 1929, a maior crise moderna, com a quebra da Bolsa de Nova Iorque, e o capitalismo contestado por muitos, e que nesse contexto deveria ser interpretada a opinião de Vargas. 
   Tudo isso dos efeitos da crise de 29 é verdade verdadeira, como sabe qualquer garoto de colégio, mas é de se ressaltar a seguinte incongruência que aqui registro: a quebra da Bolsa de Nova Iorque aconteceu no dia 24 de outubro de 1929, a quinta-feira negra (que alguns erroneamente chamam de "Sexta-feira Negra"), portanto já no final do ano, e a grande crise mundial veio mesmo nos anos seguintes, espalhando-se como uma onda. Se Getúlio disse isso logo no início da quebradeira, era uma espécie de Mãe Diná da época. 
Outra coisa: tentando explicar o tal "bruxo" que era Getúlio, falou que Vargas, para conseguir os recursos para construir a Siderúrgica de Volta Redonda, mostrou aos norte-americanos que o Nordeste brasileiro era vital no caso da entrada (certa) dos EUA na Grande Guerra. Ora, os norte-americanos já sabiam isso de longa data, e é de uma inconcebível ingenuidade dizer que o ditador do Estado Novo vendeu esse peixe para os americanos.  
Acho que se eu assistisse até o fim pegaria mais falhas. Infelizmente, desliguei a tevê e dormi. Achei o tal Lira muito sociológico e vaidoso para o meu gosto e fiquei até na dúvida se o cara não é desses santos do pau oco que se julga ser o inventor da roda. Acho até que ele, pessoalmente, não consultou os arquivos dos jornais da época e não é nada bom de situar datas com fatos.  Porém o que realmente não me agradou no cara é o tom professoral. (Vitor Minas)

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