domingo, outubro 07, 2012

ESEF é um marco referencial para o Jardim Botânico enquanto bairro

REPUBLICAÇÃO DA MATÉRIA DO CONSELHEIRO X. DE 28 DE JUNHO DE 2008.

* O diretor da ESEF não é mais o mesmo.



Uma escola de ponta, reconhecida em todo o País pela sua qualidade do ensino. Assim é a Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ESEF, também conhecida como “Campus Olímpico” da URGS e intimamente ligada à história do bairro, com o qual interage e mantém estreitos laços comunitários.
Afinal, é na ESEF que, todos os dias, centenas de pessoas vão fazer a sua caminhada matinal, correr, passear, praticar exercícios físicos ou então participar de cursos e eventos ligados à área da educação física e da saúde.


“Às seis horas da manhã, quando abrimos o portão, já tem gente aqui na frente, esperando para entrar, e a grande maioria é das redondezas”, orgulha-se o professor e diretor da instituição, Ricardo Petersen. Com cursos de especialização nos Estados Unidos, Ricardo se formou na ESEF em 1973, e especializou-se em Desenvolvimento Motor.
Contando cerca de 800 alunos (700 na Graduação e outros 100 na pós), nos cursos de licenciatura e bacharelado em Educação Física, a Escola dispõe de cerca de 40 professores e outros 45 técnicos administrativos.
São 11 mil metros quadrados de área construída e 12,5 hectares de área total.
“Somos, sem dúvida, uma das melhores escolas do Brasil na nossa área”, afirma o diretor. Nos últimos anos, apesar das dificuldades financeiras inerentes ao ensino público (há apenas uma verba irrisória para a manutenção), a ESEF recebeu um grande impulso e vem procurando sempre inovar e oferecer coisas novas aos seus alunos e à comunidade. O fechamento das contas só é possível graças às rendas (cerca de 50 mil reais) obtidas com matrículas e mensalidades em diferentes atividades (a base de 60 reais por pessoa), como piscinas e ginástica para a terceira idade.
Tecnologicamente a Escola está em boa situação – são 130 computadores e equipamentos modernos, especialmente na área de pesquisa. “Temos também 35 programas de extensão e projetos financiados ou em parceria”, informa Petersen. Desses, 20 são voltados para a comunidade e 15 dirigidos a crianças e jovens.
TALENTO E MEMORIA - Um dos mais importantes projetos já implantados é o Centro de Lazer do Idoso, frequentado especialmente pelas mulheres (há apenas um homem) e com atividades diárias. “A procura é sempre muito grande e não podemos absorver todos os interessados”, revela o diretor.
Buscando, basicamente, formar profissionais em Educação Física, a ESEF desenvolve ainda uma produção científica própria, em um bem equipado laboratório. São estudos sobre a resistência humana, a precisão muscular, os efeitos das práticas esportivas, o desgaste os organismos, entre outros.
É o chamado LAPEX – Laboratório de Pesquisa do Exercício, geralmente comandado por doutores e doutorandos de Educação Física (a Escola tem 28 doutores e seis mestres). Há também o Centro de Excelência Esportiva e um projeto de Detecção de Talentos Esportivos iniciado há dois anos. Neste caso vai-se às escolas e centros comunitários para se avaliar o potencial de atletas iniciantes que, caso aprovados, passam a fazer parte do Banco de Talentos.
“É algo semelhante ao que se faz em Cuba e na Austrália, parte da idéia de transformar o Brasil em uma potência olímpica”, explica o professor.
Já o projeto de Excelência Esportiva consiste em avaliar atletas já consagrados, equipes e seleções, analisando o rendimento de cada um deles. Estão incluídos aí a avaliação das seleções de remo, canoagem, judô, esgrima, por exemplo, ou atletas laureados, como o judoca João Derli. Outro destaque é o Núcleo de Esportes de Base, aqui representado pela ginástica olímpica feminina (que pode revelar novas Daianes dos Santos) e pelo judô.
Graças a um convênio, conseguiu-se a compra de modernos equipamentos no valor de quase 200 mil reais. “Temos um equipe de dez meninas e uma pré-equipe de mais dez, na faixa de 7 a 17 anos, embora o número total seja de 150”, informa Petersen.
JUDÔ, GRANDE DESTAQUE - Já o judô – outro grande destaque da ESEF – envolve 250 alunos e vem obtendo excelentes resultados. A ele se combina outra modalidade – a Luta Olímpica.
Com dois ginásios, um centro natatório, um galpão crioulo, oito salas de aula, uma biblioteca especializada no esporte, muito visitada por alunos de outras instituições semelhantes (e aberta à comunidade), um prédio administrativo, um bar, um prédio de musculação, uma pista de corrida e atletismo, locais para o tênis, além do laboratório, a Escola Superior de Educação Física tem várias formas de esporte e lazer abertas à comunidade, como a natação (para todas as idades), sem contar eventuais cursos, como o de Yoga. A instituição edita duas revistas especializadas e mantém intercâmbio com outras universidades, algumas delas do exterior. “Temos um convênio com a Universidade do Porto, em Portugal, sendo que vem gente de lá para cá e vai gente daqui para lá, dar cursos rápidos”, diz o diretor Ricardo.
Um projeto ambicioso, mas que ainda não deslanchou por falta de recursos, é o Centro de Memória do Esporte e que também englobará, no futuro, a dança. “A idéia é transformarmos ele em uma espécie de Museu, pela concepção moderna, com peças, doações, tudo, algo que não existe hoje no Rio Grande do Sul. Mas ainda estamos batalhando por verbas e o Centro está funcionando em local totalmente inadequado”, lamenta o diretor.
CACHORROS E MUROS – Não faz muito, a ESEF cercou-se de altas paliçadas de concreto à sua volta e centralizou entrada e saída em apenas uma torre de vigia. Com isso acabaram-se os problemas de falta de segurança dos últimos anos, já que a cerca de arame, especialmente no lado da Felizardo Furtado, tinha uma abertura que dava acesso a todo tipo de gente.
“Entravam também muitos cachorros vadios e até cavalos de carroceiros das redondezas, que ficavam estacionados aqui dentro. A quantidade de cocô que recolhíamos era enorme”, conta o vice-diretor, Luis Fernando Moraes. Também foi contratada uma empresa de vigilância do local. “Hoje não temos mais problemas nessa área”, garante Moraes.
Funcionando em dois turnos, a ESEF não tem aulas de graduação à noite, muito embora sejam desenvolvidos outros tipos de cursos e atividades nesse período. “E só não abrimos no sábado por falta de recursos”, informa o professor .Os portões são abertos, de segunda à sexta, das 6 horas da manhã às sete da noite, período em que qualquer morador do bairro (ou de fora dele) pode frequentar esse espaço, que pode até ser considerado público.
Outra coisa que pouca gente sabe: a Escola conta com um canil (paga-se uma diária) para hospedagem de cães – algo, sem dúvida, muito útil para quem mora sozinho e, ao viajar, não tem com quem deixar seu animal.


História remonta aos anos 30, com Getúlio e Cordeiro
A ESEF está no Jardim Botânico desde julho de 1963 mas sua história remonta ao final dos anos 30, quando o Governo do Estado resolveu criar o Departamento Estadual de Educação Física por recomendação do Interventor Osvaldo Cordeiro de Farias. As profissões ligadas ao esporte tinham sido regulamentadas naquele ano e o Rio Grande do Sul não quis ficar atrás.
Foi então nomeado como diretor da Escola o capitão Olavo Amaral da Silveira. A seu lado estava um grupo de entusiastas – Valdir Calvet Echart, Frederico Gaelzer, João Gomes Moreira Filho e Max Hanke. Não havia um local centralizado e cada modalidade tinha aulas em diferentes pontos da cidade. O curso durava dois anos e a primeira turma formou-se em 1941 – eram 98 homens e 26 mulheres. Em 1942 a Escola transferiu-se para o Estádio do Cruzeiro, a “Colina Melancólica”. Em 1956 estava no prédio da Associação Cristã de Moços. No dia 21 de outubro de 1969 o ministro da Educação, Tarso Dutra, assinou o decreto de federalização da Escola, o que de fato só aconteceu a 16 de setembro de 1970, com a vinda do ministro Jarbas Passarinho e a presença do governador Perachi Barcellos.

terça-feira, outubro 02, 2012

Monk, o detetive com transtorno obsessivo-compulsivo

Monk ( Monk: Um Detetive Diferente, como é conhecida no Brasil ) é uma série de televisão dos Estados Unidos da América criada por Andy Breckman e produzida por Andy Breckman, David Hoberman, Rob Thompson e Tony Shalhoub nos estúdios USA Originals.

Observação: Alguns títulos de episódios estão em inglês, pois ainda não há título em português, por não ter sido exibidos na versão em português.
Enredo

Adrian Monk cresceu com Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), incluindo uma série de tiques e fobias. Tem um irmão, Ambrose, e um meio-irmão, Jack Jr. (aparece no 9º episódio da 5ª temporada, “Mr. Monk Meets His Dad). No episódio “Sr. Monk vai a Manhattan”, de 2004, sua idade foi dada como 45.

Monk era um detetive brilhante de homicídios, trabalhava para o Departamento de Polícia de São Francisco, até que sua esposa Trudy morreu numa explosão de carro em 1997 ao ir comprar um remédio para Ambrose. Monk sofreu um colapso nervoso pelo fato de não ter encontrado quem matou Trudy, suas fobias (por germes, altura, multidão e até por leite) se agravaram e interferiram de modo que Leland teve que afastar Monk, que se isolou, recusando sair de sua casa por três anos. Com a ajuda da enfermeira prática Sharona Fleming (Bitty Schram), pôde finalmente sair da casa. Começou a executar o trabalho de consultor particular para a polícia em casos muito difíceis.

O capitão Leland Stottlemeyer (Ted Levine) e o tenente Randall “Randy” Disher (Jason Gray-Stanford) contratam Monk quando não conseguem resolver algum caso. Stottlemeyer fica enfurecido frequentemente pelo transtorno de Monk, mas respeita suas habilidades de observação. A atenção obsessiva do Monk permite que perceba coisas minúsculas, e faça as conexões que ninguém mais faz em uma investigação. Monk sempre está em busca de informações sobre a morte da sua esposa, um caso incapaz de ser resolvido.

Até agora, Monk descobriu que Trudy foi morta por um homem de seis dedos mandado por um homem misterioso apenas conhecido como "O Juiz".

Na terceira temporada, Sharona decide voltar com seu ex-marido e vai embora para Nova Jersey. Natalie Teeger (Traylor Howard), uma mãe com uma filha de onze anos, é empregada logo como nova assistente de Monk.

Monk quase nunca é descrito como tendo TOC. Às vezes os personagens saem de seu estilo, para evitar um engano inconveniente. Por exemplo, em um episódio, Monk aperta a mão de duas mulheres brancas, a seguir um homem negro limpa suas mãos. Monk e Sharona permitem que isto seja feito para mostrar que o racismo não faz parte de seu transtorno. Natalie se refere a ele como “particular” e “exigente” antes de explicar a verdadeira razão de seus problemas.


Personagens Principais



Adrian Monk (Tony Shalhoub) - Detetive policial formado; consultor criminal



Natalie Jane Davenport Teeger (Traylor Howard) - Assistente de Adrian Monk



Julie Teeger (Emmy Clarke) - Estudante, filha de Natalie Teeger



Capitão Leland Stottlemeyer (Ted Levine) - Capitão policial do Departamento Policial de São Francisco (Roubos e Homicídios)



Tenente Randy Disher (Jason Gray-Stanford) - Tenente policial do Departamento Policial de São Francisco (Roubos e Homicídios)



Dr. Neven Bell (Hector Elizondo) - Psiquiatra de Adrian Monk



Dr. Charles Kroger (Stanley Kamel) - Psiquiatra de Adrian Monk



Sharona Fleming (Bitty Schram) - Enfermeira e assistente de Adrian Monk



Personagens que já não fazem mais parte da série



Benjy Fleming (Kane Ritchotte atuou durante o episódio piloto, segunda e terceira temporadas, Max Morrow atuou durante a primeira temporada): Filho de Sharona.



Sharona Fleming (Bitty Schram): Atuou durante a primeira, segunda e terceira temporadas.



Dr. Charles Kroger (Stanley Kamel): - Atuou até a sexta temporada. Stanley Kamel sofreu um ataque cardiaco e acabou falecendo. A mesma coisa aconteceu com o seu personagem na série. No episódio 1 da sétima temporada - Mr. Monk buys a house, há uma homenagem a Stanley Kamel no fim do episódio.





Personagens Recorrentes



Trudy Anne Ellison Monk (personagem falecida): Stellina Rusich atuou nas temporadas 1 e 2, Melora Hardin atuou nas temporadas 3 e 4, Hannah Contrucci e Lindy Newton.



Karen Stottlemeyer (Glenne Headly): Ambientalista, ex-esposa de Leland Stottlemeyer e mãe de duas crianças, Jared e Max. Produtora de filmes documentados. Sua primeira aparição foi no 5º episódio da 2ª temporada, "Sr. Monk e o Homem Mais Velho do Mundo", onde ela implora a seu marido para participar da investigação da morte do homem mais velho do mundo. Depois ela aparece em "Sr. Monk e a Esposa do Capitão", 14º episódio da 2ª temporada, onde ela fica em coma temporariamente depois de um acidente com seu carro. Aparece também em "Sr. Monk é Demitido", 4º episódio da 3ª temporada, onde ela faz um documentário sobre o Departamento de Polícia de São Francisco, e "Mr. Monk and the Captain's Marriage", onde Leland acha que ela está tendo um romance. É revelado que ela atualmente está procurando um advogado de divórcio. Ela tem uma irmã.



Harold J. Krenshaw (Tim Bagley): Outro paciente de Dr. Kroger. Harold e Adrian Monk vivem brigando, a maioria das vezes porque ambos querem ser o paciente preferido de Dr. Kroger. Para o desânimo de Monk, no 7º episódio da 5ª temporada, "Mr. Monk Gets a New Shrink", Harold leva um tiro para salvar a vida do Dr. Kroger. Harold Krenshaw teve sua primeira aparição em "Sr. Monk e a Desmemoriada", 6º episódio da 3ª temporada. Harold venceu (em oposição a Natalie Teeger) para se tornar membro do conselho da escola de Julie em "Mr. Monk and the Election", 15º episódio da 3ª temporada. Nesse episódio é revelado que ele é casado.



Kevin Dorfman (Jarrad Paul): Irrita Monk com seu costume de falar muito. Mora em cima do apartamento de Monk. Ele é visto muitas vezes cozinhando (com Monk). Sua primeira aparição foi em "Sr. Monk e o Jornaleiro", 10º episódio da 2ª temporada, onde ganha na loteria, apesar de sua "namorada" Amber tentar se afastar dele. Ele tinha duas irmãs.


Personagens Convidados



Ambrose Monk (John Turturro): Irmão de Monk, também sofre de várias fobias, mas a mais notável é a agorafobia (medo irracional de lugares abertos). Ambrose perde parcialmente sua fobia de lugares abertos quando é obrigado a sair de sua casa, por causa de um incêndio, no episódio "Sr. Monk e as Três Tortas", 11º episódio da 2ª temporada. Ambrose também aparece no episódio de Halloween "Mr. Monk Goes Home Again", 2º episódio da 4ª temporada.



Dale "Baleia" Biederbeck (Adam Arkin, Tim Curry, Ray Porter): Um criminoso aparentemente poderoso e muito gordo a quem Monk enviou para a prisão por planejar o assassinato de uma juiza aposentada de São Francisco.



Gail Fleming (Amy Sedaris): Irmã mais nova de Sharona. Uma atriz. Sua primeira aparição foi em "Sr. Monk e o Terremoto", 10º episódio da 1ª temporada, onde Sharona, Benjy e Monk ficam na casa dela depois de um terremoto. Sua segunda aparição foi em "Sr. Monk vai ao Teatro", 6º episódio da 2ª temporada. No episódio, sua atriz substituta arma um esfaqueamento durante uma apresentação e faz com que a culpa caia em cima de Gail. Em "Sr. Monk e o Terremoto" ela diz que Sharona copia ela (mudando para São Francisco, comprando a mesma bolsa).



Jack Monk (Dan Hedaya): Pai de Adrian e de Ambrose Monk. Também é pai de Jack Junior, meio-irmão de Adrian e Ambrose. Adrian encontra seu pai pela primeira vez em 39 anos no episódio "Mr. Monk Meets His Dad", 9º episódio da 5ª temporada.









Astros Convidados



A série tem dado destaque a muitos astros convidados, até o final das 5 temporadas, incluindo Brooke Adams, Jason Alexander, Sean Astin, Danny Bonaduce, James Brolin, Brooke Burke, Dan Butler, Rosalind Chao, Enrico Colantoni, Alice Cooper, Brett Cullen, Tim Curry, Tim Daly, Charles Durning, Carmen Electra, Fred Ewanuick, Jon Favreau, Willie Garson, Joy Giovanni, Bob Gunton, Dan Hedaya, Korn, Brooke Langton, Chi McBride, Andrew McCarthy, Malcolm McDowell, Laurie Metcalf, Larry Miller, Glenn Morshower, Charles Napier, Kevin Nealon, Willie Nelson, Judge Reinhold, Andy Richter, Amy Sedaris, Sarah Silverman, Nicole Sullivan, Holland Taylor, Danny Trejo, Stanley Tucci, Steven Weber, Mykelti Williamson, Rainn Wilson, Janet Wright,Alfred Molina e, o mais recente, Snoop Dogg.



Local das Filmagens



Embora o cenário seja em São Francisco, Monk teve a maior parte dos cenários filmada em outros lugares, exceto lugares que caracterizam pontos turísticos da cidade, como a Ponte Golden Gate. O episódio piloto foi filmado em Vancouver, Colúmbia Britânica e os episódios subseqüentes da 1ª temporada foram filmados em Toronto, no estado de Ontário. A maioria dos episódios das temporadas 2-5 foram filmados em Los Angeles, Califórnia, incluindo o palco dos Estúdios Ren-Mar (estes incluem o apartamento de Adrian, a casa de Sharona, o escritório de homicídio, o escritório do Dr. Kroger, e a casa de Natalie). (Wikipedia)



Toniolo, o pichador "esquizofrênico paranóide" que marcou época em Porto Alegre

Uma idéia na cabeça – divulgar o seu próprio nome – e um spray na mão. Autodenominado-se o “Rei Mundial da Pichação”, Sérgio José Toniolo levou isso às últimas conseqüências e tornou-se quase uma lenda viva em Porto Alegre: quem, alguma vez, não viu a palavra “Toniolo” escrita em algum muro, algum prédio, alguma passarela, algum monumento ou até mesmo alguma calçada ou asfalto?
CELEBRIDADE - Um rei cujo reinado não é nada recente – iniciou, mais exatamente, no final dos anos setenta e ganhou força nos anos 80, quando, de fato, se tornou uma celebridade incontestável, foi preso, ameaçado de morte, algemado, internado e até levou alguns tiros.Nada disso, naqueles anos, tirou a disposição desse homem calvo, hoje com 60 anos, escrivão de polícia aposentado, solteiro, segundo grau completo, sem filhos e morador do vizinho bairro de Petrópolis – mais exatamente na avenida Taquara, onde reside na parte baixa de um edifício. Hoje Toniolo está mais sossegado, não freqüenta mais as manchetes de jornais, não é notícia. Está, por assim dizer, apagado, ou em recesso. Talvez seja a idade, o tempo, o cansaço, a saúde. Sem reposição, seu nome, antes tão onipresente, foi se apagando dos edifícios, dos muros e vias públicas, por força do tempo, da limpeza, da chuva. É a fase do crepúsculo.Mas a lenda urbana chamada Toniolo persiste – o Pai e o Rei dos Pichadores, ou, como ele dizia, “o único pichador que não faz símbolos incompreensíveis e assina o seu próprio nome”.Louco ou não, Toniolo entrou para a História por suas próprias mãos. Literalmente. Em um tempo em que a pichação se tornou uma praga, obra de gangues sem rosto e muitas vezes violentas, de pessoas semi-alfabetizadas e toscas, Sérgio José Toniolo distingue-se por ter pertencido a uma outra espécie: inteligente, esse homem que os médicos apontaram como “esquizofrênico paranóide” (aposentou-se por força da doença), e que foi interditado e preso, julgava-se um “anarquista”. Isso, é claro, depois de ter sido impedido de se candidatar a deputado estadual pelo PMDB no início dos anos 80. Depois, em sua própria cabeça, tornou-se várias vezes candidato pelo inexistente Partido Anarquista Brasileiro – foi inclusive, em sua cabeça, candidato à Presidente da República, usando, em todas as vezes, o seu número cabalístico 1543.
"BRASILEIRO É ACOMODADO" – Segundo a Medicina, quem sofre de esquizofrenia paranóide tem, geralmente, mania de grandeza e de perseguição. As duas coisas não faltaram a Toniolo: foi, nos anos setenta, o recordista brasileiro em colaborações às seções de “Cartas do Leitor” de todos os jornais possíveis – escreveu mais de mil, sobre todos os assuntos, da sujeira das ruas, das fezes dos caos à cretinice dos políticos. E vivia fugindo da polícia e dos donos de imóveis.Quanto às pichações, garante que fez bem mais de 70 mil delas, gastando, pelos seus cálculos, mais de 100 mil reais ao longo de tantos anos, tudo do seu próprio bolso. Gastou em sprays (às vezes mais de um por noite), tintas, pincéis. Mandou fazer pandorgas com seu nome escrito para lançá-las ao ar. Defendeu o voto nulo, o anarquismo. Costumava dizer que o brasileiro é “frouxo e acomodado” – o que ele, de fato, não era: grão-mestre da autopromoção e da publicidade-artesanal-em-série-ininterrupta, apanhou, desafiou deliciosamente, experta e inocentemente o Poder com seu spray, divertiu os cidadãos da cidade e demonstrou o poder de fogo de um homem só – maluco, com certeza, mas, vá lá, incrivelmente e determinado como só estes podem ser. E divertido. Palhaço. Cavaleiro solitário. Carlitos com mania de grandeza.
ENGANANDO A BRIGADA - Matéria de reportagens e notícias em jornais, sua história foi ao ar no programa Fantástico, da Rede Globo, em 1981. Em 1984, quando Jair Soares era o Governador do Rio Grande do Sul, anunciou a todos – telefonava às redações – garantindo que iria pichar seu nome na fachada do Palácio Piratini.Feita a ameaça, a segurança foi alertada e reforçada. Não contavam eles, porém, com a astúcia do Rei Mundial da Pichação: para identificá-lo e barrá-lo, os policiais tinham apenas uma foto sua, antiga, em que aparecia ainda com cabelos. Toniolo, contudo, já era quase totalmente careca, àquelas alturas. Caminhando, saiu tranquilamente da vizinha Catedral Metropolitana e, passando pelos brigadianos, chamou-os angelicamente de “meu irmãos”. Quando se deram conta, já havia pichado a quase totalidade do seu nome (faltaram duas letras) na imponente sede do Governo do Estado. Mandado então ao Hospital Psiquiátrico São Pedro, aplicou outro golpe digno dos melhores filmes de Hollywood.Conhecido dos plantonistas, disse a estes que os dois policiais civis que o escoltavam eram colegas seus, “com mania de polícia”. Desconcertados, os plantonistas foram para cima dos homens da lei – e Toniolo, sorrateiramente, fugiu pelos fundos do prédio. Mais tarde, anunciou que iria pichar o Palácio do Planalto, mas essa parada ele perdeu – foi detido dentro do ônibus que seguia para Brasília. “Mas consegui o que queria”, disse o mestre da Publicidade. “Não tenho medo de ser preso: é uma propaganda”, alardeava ele, com toda a razão.Quanto ao conteúdo do seu discurso, as suas “propostas”, bom, deixa pra lá: ele não é diferente da grande maioria dos políticos brasileiros.
CACHÊ – Toniolo sempre disse que ninguém nunca contou, verdadeiramente, a sua história, e por isso ele cobrava, mais recentemente, 10 mil reais por entrevista a qualquer veículo de comunicação e 100 mil para estrelar comerciais, onde apareceria, inclusive, com seu célebre spray. Obviamente, nenhum jornal, revista ou tevê pagou o que ele pediu e nenhuma agência o convidou para ser garoto-propaganda, nem mesmo da Casa das Tintas. Talvez tenha sido um talento não aproveitado da propaganda gaúcha.O dinheiro, que nunca veio, serviria, afirmava, para ressarci-lo das despesas com o material de pichação, desde quando iniciou na atividade para realizar a missão que, afinal, conseguiu: firmar no mercado a “marca Toniolo”. Firmar uma marca custa muito dinheiro. Quanto vale a marca Toniolo? Rei da publicidade artesanal, Dom Quixote, da idéia na cabeça e do spray na mão, Toniolo é, dizem, um homem solitário que não dá entrevistas e não permite fotos. Há quem diga que está com problemas de saúde. A pessoa que ligar para sua residência (como fez este blog) ouvirá a indefectível gravação: “Mensagem gratuita: este telefone temporariamente fora de serviço. A Brasil Telecon agradece.”Nesta campanha eleitoral que se avizinha Toniolo estará fora e não será candidato, nem mesmo pelo seu imaginário Partido Anarquista.Um dia, talvez, a lenda viva da propaganda pessoal vire tema de filme ou documentário, do tipo “Contador de Histórias”. Quem sabe. 

segunda-feira, outubro 01, 2012

Botânico: mecânico lembra do tempo das chácaras e das plantações de agrião

Mauro Ustra Silva, 63 anos, estofador e chapeador, dono de uma pequena oficina na rua Guilherme Alves, veio para o Jardim Botânico com apenas um ano de idade e viveu quase toda a sua vida aqui.Um dos moradores da "velha guarda", ele lembra do bairro quando tinha um ar quase rural, com muito verde, muito chão de terra batida, moradores que se conheciam e se cumprimentavam e inúmeras casinhas de madeira habitadas por humildes funcionários públicos e chacareiros, em sua maioria. "Naquela tempo, lá pelo início dos anos sessenta, isso aqui era mais conhecido como a Vila dos Bravos, por causa de uma família muito conhecida e esquentada", recorda. Boa parte deles ainda reside por aqui.



A realidade daqueles tempos era bem diferente da de hoje, logicamente. O bairro, batizado oficialmente de Jardim Botânico (1959), ainda era chamado de Vila São Luiz e não havia asfaltamento em nenhuma rua - nem mesmo na Barão do Amazonas ou na Salvador França, onde hoje passa a Terceira Perimetral. "A Salvador era uma estrada de chão. Quando chovia, virava um barral e muitos automóveis atolavam ali", afirma. Já a Barão do Amazonas - hoje a principal via do JB - contava com um pequeno comércio, com destaque para o armazém do Caboclo, o mais bem sortido. Também existia o armazém da dona Versa, na rua Valparaíso, em uma casa de alvenaria que ainda existe e ainda é ponto comercial.



Outros estabelecimentos daquele tempo: o bar e armazém do seu Antonio Mocelin, onde hoje está o centro comercial da rua Felizardo. "Também lembro do bar e armazém do seu Fraga, que era gremista fanático. As crianças, quando o Grêmio perdia, costumavam pintar a fachada de vermelho, deixando o velho enfurecido. Mas quando o Grêmio ganhava ele ficava que era um doce".



Outra informação interessante: a fábrica de carroças do seu Lúcio, uma pequena e artesanal indústria que fabricava não somente carroças como ou demais utensílios para os carroceiros, que então eram numerosos no bairro. Ela estava localizada na Guilherme Alves, nas proximidades da atual paróquia São Luiz, que então não existia, e "foi a montadora de veículos do nosso bairro". Mais distante, também na Guilherme, no alto, havia o Torrão Gaúcho, uma fábrica de rapaduras na qual Mauro chegou a trabalhar quando criança. "O dono era o seu Guimarães".



CHACARA DAS CAMÉLIAS - Por essa época o bairro se notabilizava por ser um grande produtor de agrião e também de flores, plantados em pequenas chácaras e transportados para o Mercado Público em carroças e charretes.



No ramo de flores, um dos mais famosos exibia um nome poético: era a Chácara das Camélias, localizada no alto da rua Guilherme Alves. "Eles plantavam flores, que serviam para fazer coroas de defuntos", esclarece Mauro. A rua Guilherme Alves, naquele tempo, não estava aberta e contava unicamente com uma estreita ligação com a avenida Protásio Alves, uma picada por onde não transitavam carros e sim carroças. Onde hoje está o Condomínio Residencial Felizardo Furtado havia uma chácara de agrião - também vendido no Mercado Público. "Outra chácara ficava perto, onde hoje estão sendo construídos os dois grandes edifícios da Rossi. E perto da praça Nações Unidas tinha a chácara da família Pieretti". O lazer, naquela época, era pouco e simples: reuniões dançantes, quermesses, jogos de futebol, bailes. Mauro recorda do clube Universal - que não mais existe - e seus dois campinhos de terra, situados onde hoje está o shopping Bourbon. Outro time era o Esporte Recretivo Americano, presidido por seu Murilo. Porém já existia o campo do Ararigbóia, palco de torneios memoráveis que, não raro, acabavam em pancadaria. Nesse tempo o bairro não tinha a mínima infra-estrutura, incluindo aí o esgoto. "O recolhimento do esgoto era feito pelos cabungueiros, ou cubeiros, que passavam e recolhiam os cubos com os dejetos". Por sua vez, os alagamentos eram constantes e, à noite, a iluminação pública deixava muito a desejar.



"Mas não havia assaltos naquela época, até porque o pessoal respeitavam a polícia", afirma Mauro Ustra."Mas o que eu tenho mais saudades mesmo é dos banhos e pescarias no arroio Dilúvio, que era limpinho e onde a gente costumava pescar bagres, tão limpo que dava para ver o fundo. Perto da PUC havia o "Banheiro dos padres", a nossa praia. O riacho, naquele tempo, não era canalizado e a Ipiranga nem estava pronta", rememora o estofador.

Hebe em 1951, aos 22 anos

A Revista do Globo, de Porto Alegre, publicou várias páginas com a jovem Hebe Camargo, em 1951, quando ela tinha apenas 22 anos. A coleção da revista está no Arquivo Histórico de Porto Alegre,  avenida Bento Gonçalves.Arquivo Histórico Moysés Vellinho.

sábado, setembro 29, 2012

15 anos atrás morria Paulo Francis, polêmico, famoso, rico, genial

PUBLICADO NO CONSELHEIRO X EM OUTUBRO DE 2008

Quem não lembra dele, com aquele óculos fundo de garrafa, a fala afetada, dizendo poucas e boas, não raro mentindo e não raro acertando na mosca? Um dos jornalistas mais cultos e mais lidos do Brasil (escrevia inicialmente na Folha de São Paulo, passando depois para o Estado, que distribuía sua coluna para dezenas de outros jornais brasileiros), considerado arrogante e direitista por muitas, lúcido por outros, Paulo Francis tinha um humor ranzinza - e talvez seja este humor que esteja fazendo falta hoje, nove anos depois da sua morte, em 4 de fevereiro de 1997, em Nova Iorque, aos 66 anos.


Francis - nascido Franz Paulo Trannin Heilborn, em uma família de classe média alta do Rio de Janeiro - nunca fez curso superior, foi trotskista na juventude, dos 14 aos 27 anos leu em média seis horas por dia, participou dos áureos tempos do Pasquim, foi preso pela ditadura militar, ofendeu todo mundo (inclusive Roberto Marinho, que comparou a um emissário de merda, o "robertoduto". Depois foi trabalhar para as Organizações Globo: Marinho não guardou mágoas do episódio) e, por essas e outras, morreu de infarto em seu apartamento na cidade que ele considerava a Capital do Mundo. Também parecia não gostar de negros e nordestinos - certa vez chamou o Nordeste "desta região desgraçada do País." (desgraçado não no sentido de pena, observe-se) Quanto aos seus comentários culturais, era igualmente ácido - simplesmente desprezava o moderno cinema nacional e considerava quase todos os intelectuais como subservientes ao poder. Na esfera política, tornou-se célebre a denominação que deu ao senador Eduardo Suplicy (e sua irritante fleuma) - "Mogadon", o nome de um remédio.


Paulo Francis vivia então (1997) um dos mais complicados períodos da sua vida: estava sendo processado pelo presidente da Petrobrás (do governo FHC), Joel Rennó, e mais outros seis diretores da estatal. Eles pediam nada menos do que 100 milhões de dólares por ressarcimento moral, uma vez que o jornalista havia dito, durante sua participação no programa Manhattan Connection, da Globosat, que`"os diretores da Petrobrás põem dinheiro na Suiça", "roubam em subfaturamento e superfaturamento", "é a maior quadrilha que já existiu no Brasil". Pior: disse isso tudo sem nenhuma prova consistente e certamente iria perder o processo e ter que pagar uma bolada grossa para essa gente. Aliás, já estava gastando os tubos com advogados - ele, o jornalista mais bem pago do Brasil, ainda assim não tinha como fazer frente às despesas com honorários (ele próprio calculos que o processo se arrastaria por uns cinco anos e lhe custaria, só com os advogados, no mínimo 200 mil dólares). Segundo Francis, o objetivo da ação era aruiná-lo financeiramente. Transtornado, passou a ingerir calmantes em doses maciças e a sentir dores nos ombros, o que julgou um sintoma da sua bursite e não de problemas cardíacos, os quais até seu médico desconhecia.


É de se imaginar que, se estivesse vivo hoje, o que ele não diria do governo petista, de Lula e companhia. Para esses, felizmente, ele morreu antes.




Uma palhinha de Paulo Francis:


"A morte deve ser como a anestesia geral"


"Bebi muitos anos. Para ficar bêbado. Não vejo outra razão. O bebedor social é coisa de pequeno-burguês"


"Fidel Castro é essencialmente um conservador feudal, um feitor de fazenda, a quem a idéia de inovações, de modernidade, horroriza"


"A melhor propaganda anticomunista é deixar os comunistas falarem"


"Acho que a tendência do intelectual é ser de direita. Ele é, por definição, um elitista"


"É preciso meter as mãos na cabeça raspada do Vicentinho língua-presa. Eu lhe daria uma chicotada para ver se reage docilmente como escravo.""Dizem que ofendo as pessoas. É um erro. Trato as pessoas como adultas. Critico-as. Crítica não é raiva. E crítica, às vezes, é estúpida."


"Nenhum filme brasileiro dá certo porque todos os cineastas tentam demagogicamente se colocar na posição de humildes. É falso, visceralmente. Sempre que vejo algum favelado em filme brasileiro tenho vontade de sair gritando: é um santo! É um santo!"

"O negro africano não tinha língua escrita, como notaram os exploradores da África do século XIX; logo não pode, pela ordem natural das coisas, possuir uma cultura como a entendemos."


"Quero que fique registrado que eu favoreceria o fechamento do Congresso ou qualquer outra dessas instituições reacionárias que impedem o progresso do País."

segunda-feira, setembro 24, 2012

Maníaco do Parque, o seriall killer que entrou para a história criminal brasileira em 1998

REPUBLICAÇÃO (original: 24 DE SETEMBRO DE 2008)

O nome dele é Francisco de Assis Pereira e tinha 30 anos quando se tornou conhecido como o "Maníaco do Parque". Há dez anos - em agosto - Francisco foi preso na cidade de Itaqui, no Rio Grande do Sul, acusado de ter assassinado oito mulheres em São Paulo. Condenado, cumpre pena e até se casou na cadeia.O caso do Maníaco do Parque foi um dos mais comentados, senão o mais, do ano de 1998. Foragido durante 23 dias, ele foi reconhecido por pescadores, em Itaqui, para onde havia viajado, usando documentos falsos.
Os crimes, que aconteciam no Parque do Estado, na capital paulista, desafiavam a polícia: no local foram encontrados os corpos das mulheres, que ele estuprava, enforcava e roubava e depois largava, mortas, em clareiras de uma das maiores áreas verdes de SP.À polícia informou terem sido, na realidade, nove vítimas, e falou do seu "lado negro":"Eu tenho um lado ruim dentro de mim. É uma coisa feia, perversa, que eu não consigo controlar. Tenho pesadelos, sonho com coisas terríveis. Acordo todo suado. Tinha noite em que não saía de casa porque sabia que na rua ia querer fazer de novo, não ia me segurar. Deito e rezo, pra tentar me controlar."
Os atos de Francisco ganharam as manchetes em 12 de julho de 1998, quando os jornais publicaram o primeiro retrato falado do maníaco. No mesmo dia, a manicure Selma Rodrigues Goes, 35 anos, afirmou ter visto uma fumaça saindo de dentro da empresa J.R. Express, na rua Alcântara Machado, em São Paulo. O morador do local era ele: Francisco de Assis Pereira, o único funcionário que trabalhava e dormia na empresa.Ao chegar ao trabalho, o empresário Jorge Sant' Ana, o patrão, encontrou um bilhete sobre a mesa, com um recorte do jornal em que havia o retrato falado. No bilhete, Francisco lamentava ter ido embora e pedia desculpas pela partida.No mesmo dia o empresário percebeu que havia algo de errado com o vaso sanitário da empresa. No conserto foi encontrado um bolo de papéis queimados, que entupira o esgoto. Junto, estava a carteira de identidade de Selma Ferreira Queiroz, uma das vítimas Alguns dias depois, a estudante Sara Adriana Ferreira reconheceu na polícia a voz do homem que, no dia 4 de julho, telefonou para a sua casa, na cidade de Cotia, exigindo mil reais pela libertação de sua irmã Selma. Ele identificou a voz ao ver uma entrevista que Francisco havia dado a uma rede de televisão, em 1994, sobre um grupo de patinadores noturnos: era ele.Todas as mulheres mortas foram namoradas ou se relacionaram com o maníaco, um motoboy que adorava patinação, usava roupas coloridas, era jovial e alegre e, segundo alguns mulheres, era também carinhoso e brincalhão. O tipo comum, que não desperta desconfianças e com quem pode se puxar conversa no elevador.
Ao fugir, Francisco passou pela Argentina e voltou ao Brasil. Em Itaqui, na fronteira com a Argentina, chegou a frequentar missas e se tornou familiar aos pescadores do rio Uruguai, que logo desconfiaram dele e imediatamente o associaram ao retrato falado que saía na televisão.O motoboy era popular no Parque do Ibirapuera, onde costumava fazer malabarismos sobre patins, esporte que ele dominava e ensinava a outras pessoas. Era querido e respeitado até pelas crianças, que costumavam cercá-lo e falar com ele.
Em depoimento de muitas horas à Polícia paulista, o Maníaco do Parque confessou os oito assassinatos e mais um. Também admitiu outros cinco estupros. Foi nesse momentos que falou de seu "lado ruim", de sua "fixação em seios" e contou uma dramática história de relacionamentos, de molestamento sexual na infância, de um ex-patrão, com quem teria um relacionamento homossexual.
O maior caso policial do ano logo se transformou em um grande circo midiático. Um encontro entre Francisco e os pais foi transmitido ao vivo no programa do Ratinho e alcançou 38 pontos no Ibope - quase o mesmo da novela da Globo em horário nobre. Cinco mulheres se apresentaram à polícia identificando o homem que as havia violentado no Parque do Estado - as sobreviventes. Todas indicaram Francisco como o autor.Entre as vítimas fatais do Maníaco, estava Elisângela Francisco da Silva, de 21 anos, cujo corpo foi encontrado no Parque em 28 de junho. Ela estava nua. Paranaense, de família humilde, Elisângela era conhecida pela excessiva timidez e pertencia à igreja Batista e, depois, à igreja Deus é Amor.
Outra, Raquel Rodrigues, de 23 anos, era "uma moça muito ingênua", como diziam suas amigas. Sua família vivia em Gravataí, na grande Porto Alegre. Nos finais de semana, em São Paulo, Raquel costumava frequentar barzinhos com suas amigas e trabalhava como vendedora, no bairro de Pinheiros. No dia da sua morte, telefonou para uma prima, dizendo que conhecera um rapaz e que aceitara posar de modelo para ele. Seu corpo foi encontrado em um matagal do Parque, no dia 16 de janeiro.Outra, Selma Ferreira Queiroz, balconista, ainda não havia completado 18 anos. Desapareceu em uma sexta-feira. No dia seguinte, um homem telefonou para sua irmã, dizendo que ela havia sido sequestrada e exigindo mil reais de resgate. Mas não ligou de volta. O corpo foi encontrado no dia seguinte: ela estava nua, com sinais de estupro e espancamento. Nos ombros, seios e interior das pernas havia marcas de mordidas. Francisco também fazia sexo anal com a maioria de suas vítimas. Ele não usava armas, apenas as mãos.Já Patrícia Gonçalves Marinho, 24 anos, saiu da casa da avó, onde morava, e nunca mais foi vista com vida. Seu corpo só foi encontrado no dia 28 de julho, em uma área erma do Parque do Estado. Morreu por estrangulamento e foi estuprada. Seu sonho era se tornar modelo e, segundos seus conhecidos, tinha uma confiança ingênua nas boas intenções de todo mundo.O Maníaco do Parque mantinha um diário onde flava de suas conquistas amorosas, romances impossíveis e momentos de muita agressividade. Em um desses dias, ele escreveu: "Quando lembro daqueles momentos fico completamente excitado, malvado, carente, as coisas de englobam de uma só vez. (...) Estou procurando uma criança de 12 ou 13 anos que eu possa dominar" (...)Transformado em superestar do Mal, Francisco deu entrevistas coletivas, falou em Deus, em Igreja - uma de suas fixações - e disse aos repórteres: "Eu sou ruim, gente, muito ruim."
Há dez anos trancafiado, Francisco foi um dos mais conhecidos seriall killer do Brasil - um clube que inclui Chico Picadinho, esquartejador, e Marcelo de Andrade, que estuprou e degolou nada menos do que 14 crianças e foi preso no Rio de Janeiro, em 1991.
Condenado a 269 anos de prisão, ele cumprirá, no máximo, 30 anos, como prevê a lei brasileira. (Pesquisa: Conselheiro X.)

O inesquecível Alécio Caselani, um dos mais conhecidos comerciantes do Jardim Botânico



Que mandar!”. “Apatola!”.



Nesta foto aparece seu Alécio Caselani, uma das figuras mais conhecidas do bairro Jardim Botânico. Seu Alécio, descendente de italianos, faleceu em um sábado, no dia 13 de setembro de 2008, no Hospital São Lucas da PUC, onde estava internado. Havia alguns anos ele sofreu um Acidente Vascular Cerebral, sofrendo uma difícil recuperação que, afinal, não se concretizou. Ele tinha pouco mais de 80 anos e sempre trabalhou no ramo de armazém e bar. Deixa dois filhos, sendo um a odontóloga Denise, que trabalha também no Botânico.
Quais os frequentadores do bar do seu Alécio que não lembram do seu jeito cordial e calmo de atender a todos? Uma das figuras mais queridas do JB, aonde chegou no final dos anos sessenta, seu Alécio Caselani teve um armazém de secos e molhados na Felizardo e, depois, o seu tradicional bar, inicialmente na esquina com a Barão (onde hoje está a farmácia de dona Léa). Mais recentemente transferiu-se para a metade da quadra, alguns metros adiante (hoje funciona um salão de cabeleireiras no local), e ali trabalhou durante vários anos até enfrentar problemas de saúde e encerrar seu negócio. Natural de Carlos Barbosa, casado com dona Idalina, certamente deixará saudades.

sábado, setembro 22, 2012

Figuras históricas, padres e vultos militares dão nome às ruas do Jardim Botânico


PUBLICADO EM 30 DE AGOSTO DE 2008. REPUBLICAÇÃO.
De um modo geral, as ruas do Jardim Botânico homenageiam vultos, datas e figuras históricas, em especial na área militar e religiosa, como a Barão do Amazonas, a Roque Gonzalez. Mas há outras, como a Felizardo, a Felizardo Furtado e a Guilherme Alves, que dizem respeito à história da cidade.

Abaixo, em gravura, o Barãdo do Amazonas e o padre Roque Gonzales



RUA BARÃO DO AMAZONAS – Na realidade bem poderia se chamar “Almirante Barroso”, pois o Barão é nada menos do que o Almirante Francisco Manoel Barroso, o herói da Guerra do Paraguai. Comandando a corveta “Amazonas”, durante a Batalha do Riachuelo, o Barão ordenou ao timoneiro que a fizesse colidir de proa contra os navios inimigos, selando a sorte da guerra em favor do Brasil. A Barão tem mais de três quilômetros de extensão e atravessa Petrópolis, Jardim Botânico, Partenon e o bairro Santo Antonio, iniciando na avenida Protásio Alves e terminando na Paulino Azurenha. Até a década de 1930 era conhecida tanto como Barão do Amazonas como “rua Esmeralda”. Uma lei municipal de 6 de julho de 1936 oficializou o atual nome. Nas décadas seguintes, com o desenvolvimento de Petrópolis, seguiu até a Protásio Alves e, em sentido oposto, subiu o morro, superou a sua crista e desceu no rumo da Glória, até encontrar a Paulino Azurenha.

AVENIDA  DOUTOR SALVADOR FRANÇA – Salvador França Martins, nascido e falecido em Porto Alegre, foi um grande proprietário de terras na cidade no século XIX e XX. Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito de São Paulo. Casou-se com Dona Inocência Prates de Castilhos, irmã do político republicano Júlio de Castilhos.
RUA DONA INOCENCIA – Homenagem à esposa do doutor Salvador França.
RUA FELIZARDO – Joaquim José Felizardo (1839-1899) foi um grande comerciante e partidário do abolicionismo. Muito antes da lei que libertou os escravo, eles já havia dado liberdade a todos os seus. Foi proprietário de terras no Caminho do Meio, alturas do hoje bairro Santa Cecília, naquela época conhecida por Chácara Felizardo, além de vereador de Porto Alegre.

RUA FREITAS CABRAL – João Francisco de Freitas Cabral, educador e político, nasceu em Viamão e morreu em Porto Alegre, em 1890. Foi marinheiro dos 18 aos 21 anos e depois tornou-se professor. Também elegeu-se deputado provincial. A rua, antigamente, se chamava rua Carlos Barbosa.
RUA FERREIRA VIANA – Divisa de Petrópolis com o Botânico. Homenageia Antonio Ferreira Viana, pelotense de nascimento, nascido em 1832 e falecido em 1905, no Rio de Janeiro. Formado em Direito pela Faculdade de São Paulo, foi deputado, senador e conselheiro do Império, além de ministro da Justiça de D. Pedro II. Espírito brilhante, grande orador, escritor de estilo primoroso, magoou o Imperador com um de seus pronunciamentos, porém nunca deixou de ser adepto do império. Antes de receber tal nome a rua chamava-se Simão Rosa.
RUA ROQUE GONZALES – Roque Gonzalez foi declarado santo pelo Papa João Paulo II, quando da sua visita ao Paraguai, em 1988. Da ordem dos Jesuítas, é considerado, junto com Afonso Rodrigues, um dos primeiros evangelizadores do Rio Grande do Sul e um dos primeiros mártires da nossa terra, já que os dois foram assassinados pelos índios guaranis no dia 15 de novembro de 1628, onde hoje é a localidade de Caiboaté. Roque, que tinha então 52 anos de idade, morreu com uma pancada de machado de pedra na cabeça e seu corpo foi depois queimado pelos índios que não concordavam com sua missão evangelizadora. Gonzales era filho de uma rica e importante família de Assunción, Paraguai, de onde veio. Junto com Afonso e um outro missionário chamado João del Castilhos, fundou várias missões – ou “reduções” no Paraguai, Argentina e Brasil, além de ter oficiado a primeira missa em terras do Rio Grande do Sul.
RUA AFONSO RODRIGUES – Afonso Rodrigues, também jesuíta, foi morto junto com Roque Gonzales e também foi declarado santo pelo Papa João Paulo II. Natural da Espanha, seu corpo foi queimado pelos guaranis.
RUA GUILHERME ALVES – É uma via que corta tanto o Jardim Botânico quanto o Partenon, iniciando na Ferreira Viana, passando pela Ipiranga e acabando na rua Mário de Artagão, no Partenon. Na planta municipal de 1916 aparece com o nome de “rua Progresso”. Em 1936 passou a ter o nome atual. Guilherme Alves, nascido em 1878 e falecido em 1930, foi o primeiro construtor dos grandes armazéns da zona do cais do porto, armazéns estes que mais tarde passariam a partencer à Cia. Costeira de Navegação. O nome da rua, porém, tem mais a ver com o fato de ter sido ele um dos primeiros construtores residenciais do bairro Partenon. Segundo se sabe, o progresso da rua foi lento mas firme. Na planta municipal de 1928, era apenas um logradouro do Partenon, sem ainda ter passado do arroio Dilúvio. Na planta de 1949 já aparece nos limites do Jardim Botânico.
RUA 18 DE SETEMBRO – É aquela pequena rua ao lado do shopping Bourbon. A data marca a rendição do Paraguai ao Brasil, na Guerra do Paraguai. Nesse dia, em 1865, em Uruguaiana, as forças paraguaias, cercadas pelos exércitos brasileiros, decidiram capitular. Na história, o dia 18 de novembro também registra fatos marcantes: foi nesse dia, em 1950, que entrou no ar a TV Tupi, de São Paulo, de propriedade de Assis Chateaubriand, a primeira emissora de televisão do Brasil. Em 1946, também nesse dia, é promulgada a Constituição Brasileira, a primeira depois da ditadura Vargas e que só seria alterada em 1988. Em 1969, é sancionada a Lei de Segurança Nacional do governo militar, prevendo inclusive pena de morte, prisão perpétua e banimento do país. Em 1984 o brasileiro Amir Klink completou a travessia do oceano Atlântico em um simples caíque, a primeira de suas muitas proezas. A data registra ainda a morte de Jimi Hendrix (1970), o nascimento da atriz Greta Garbo (1905), a fundação da CIA – Central Inteligency Agency, em 1947, a fundação do jornal New York Times(1851), além da Independência do Chile (1818).

De bóia-fria a respeitado comentarista econômico

PUBLICADO EM 27 DE AGOSTO DE 2008, republicação.

Olhando hoje, quem imaginaria que o conceituado comentarista de economia, o homem de voz pausada, de rosto claro e "primeiro-mundista", o medalhão que fala sobre dinheiro com a naturalidade de quem sempre teve esse produto em fartura, quem imaginaria que ele, dos sete aos dezesseis anos, fosse um bóia-fria - aquele sujeito desvalido que corta cana nas lavouras do interior de São Paulo, ganhando uma mixaria por isso?
Pois é, Joelmir Beting - autodidata por formação, um dos mais bem pagos jornalistas do País, hoje fazendo seus comentários na Rede Bandeirantes de Televisão (depois de tantos anos na Globo, demitido por fazer a propaganda de um banco, sem autorização da emissora), 71 anos - foi coroinha e bóia-fria nas lavouras de cana-de-açúcar da região de Tambaú, interior de SP? Aos 16 para 17 anos, Joelmir mudou-se para a Capital paulista, iniciando, a duras penas, a sua escalada para o sucesso - ou coisa que o valha.
Outra informação que pouca gente sabe: no dia 5 de março de 1961, no estádio do Maracanã, em um jogo entre Santos e Fluminense, quando era comentarista esportivo, foi dele a idéia de mandar fazer uma placa em comemoração ao antológico gol de Pelé - aquele que resultou na famosa "placa de ouro": o Santos vencia a partida por 1 a 0 quando Pelé recebeu a bola no meio do campo e arrancou em direção à meta adversária, passando por dois, driblando mais três e chutando na saída do goleiro Castilho. Joelmir, que estava no estádio, impressionou-se com o lance e sugeriu ao jornal O Esporte, no qual trabalhava, que fizesse uma placa de bronze para registrar a beleza da jogada. O hoje famoso comentarista de economia pagou as despesas com dinheiro do seu próprio bolso pois o jornal encolheu-se na hora de saldar as despesas. "Nunca fiz um gol de placa, mas fiz a placa do gol", diria mais tarde o comentarista.
A propósito: católico fervoroso, discípulo do Padre Donizetti, o pai de Joelmir morreu quando ele tinha apenas sete anos de idade. Sebastião Beting caiu da carroceria de um caminhão que o levava para trabalhar na lavoura de cana e não restistiu aos ferimentos.
Palmeirense da gema, de olho no mundo real à sua volta, Joelmir Beting é, há muitos anos, respeitado pelo mundo empresarial e político não somente pela linguagem pedagógica que emprega nos seus comentários (ao contrário de tantos outros, que fazem questão do hermetismo) como pelos acertos realmente comprovados nas suas análises. Ou, como disse um político admirador seu, ele é daqueles que "só consegue explicar aquilo que entendeu". Justificando o seu estilo, cheio de metáforas e analogias, Beting, certa vez, disse o seguinte: "Para se fazer entender você precisa repetir uma mesma idéia até cansar. Por mais óbvia que ela seja". (Pesquisa: Conselheiro X.)

sexta-feira, setembro 21, 2012

Os primórdios da Internet

PULICADO EM 2008

O e-mail - ou correio eletrônico - praticamente substituiu as cartas comuns que todos nós, uns tempos atrás, mandávamos para os mais variados cantos do país e do Mundo - e que, além de exigir selo (e dinheiro), demoravam um bocado para chegar.

É, mas a gente não lembra direito de como tudo isso começou. Simplesmente parece algo normal, como beber um copo de água, só que não é bem assim.

Vejam nesta matéria que o O FelizardoX. descobriu em seus alfarrábios, datada de 17 de fevereiro de 1993 (pouco depois do impechment de Collor), na revista Veja - portanto. Não faz muito tempo - e tudo mudou tão radicalmente que a gente nem consegue imaginar como era a coisa em seu início, e tinha apenas 2 mil usuários. Digamos que era algo exclusivo do meio universitário - dos professores e pesquisadores de universidades - e havia custos, sim. A Internet engatinhava, àquela época - sabem o que é Brasnet? Acompanhem.


"Conversa Digital


"Através de uma rede de correio eletrônico, cientistas , cientistas brasileiros trocam informações com colegas no exterior"



"Uma nova forma de comunicação está ganhando espaço entre os acadêmicos brasileiros conectados com a era da informática. Mais veloz que o telex, mais confiável que o fax e tão fácil de usar quanto o telefone, em todo o mundo esta nova mania se chama correio eletrônico. Ela permite o intercâmbio de correspondência digital e informações entre pesquisadores. No ano passado, a Brasnet, o braço brasileiro da Internet, a maior rede mundial de computadores, cresceu quase 500%, elevando a 2 000 o número de computadores nacionais ligados ao sistema. Na Internet, há mais de 1,3 milhão de computadores conectados. Eles trocam mensagens e programas entre si utilizando canais de transmissão de dados e via satélite. Todas as universidades americanas fazem parte do sistema, bem como a maioria dos centros de pesquisa europeus. Cada máquina possui um endereço eletrônico, para o qual são enviadas cartas e mensagens.

"A vantagem para os pesquisadores brasileiros conectados ao correio eletrônico é que o computador se transforma numa ágil ferramenta de comunicação com o mundo e deixa de ser apenas uma máquina eficiente mas isolada. "Antes eu era obrigado a esperar mais de um mês para obter uma resposta por escrito de um pesquisador do exterior a fim de tirar uma dúvida", diz o professor Imre Simom, do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo, um usuário frequente da Internet. "Com o correio eletrônico, me comunico rapidamente com o exterior e, em um dia ou dois, alguém me manda uma carta digital com a solução do problema". Um dos mais assíduos correspondentes eletrônicos de Simon é o francês Christian Choffrut, professor do Laboratório de Informática Teórica e Programação da Universidade Paris VII. "Através do correio eletrônico, trabalhamos como se estivéssemos um ao lado do outro", disse Choffrut a Fábio Altman, correspondente da VEJA em Paris.

"A primeira providência de Choffrut quando entra na sua sala na universidade é verificar se há alguma correspondência eletrônica em seu computador. "É como se estivesse consultando minha secretária eletrônica", diz o francês. Mesmo de casa, Choffrut consegue ter acesso às mensagens enviadas a seu computador instalado na universidade. Ele aciona o seu Minitel, o serviço de videotexto francês, que funciona através da linha telefônica convencional, e "entra" em seu micro na escola em busca de alguma carta digital.

"Além de mandar mensagens individuais, o sistema também permite o envio de correspondências coletivas. Os bolsistas brasileiros no exterior se comunicam através do Brasnet. Eles escrevem uma mensagem e, em vez de endereçá-la para apenas um usuário, mandam a carta digital para a Brasnet, que envia uma cópia do texto para os cerca de 1 500 associados a essa pequena rede nacional.

IMPEACHMENT - Foi através do Brasnet que, no dia 29 de setembro do ano passado, esses mesmos bolsistas acompanharam a votação do impeachment do presidente Fernando Collor. Os resultados da votação do Congresso Nacional eram veiculados pela rede por pesquisadores brasileiros que acompanhavam o impeachment pela televisão. Além de tratar assuntos sérios, também há espaço para brincadeiras no Brasnet. O cearense Mauro Oliveira, de 38 anos, que faz doutorado na Universidade Paris VI sobre o ensino de rede de computadores, ficou conhecido na rede nacional como "Mauro Pacatuba". O brasileiro difundiu pela Brasnet durante 55 semanas seguidas, sempre às sextas-feiras, a "Rádio Uirapuru de Itapipoca", um programa escrito de humor. A rádio só teve 55 emissões porque Mauro Pacatuba, em certo momento, verificou que o uso lúdico do Brasnet tinha se transformado num vício. "Resolvi parar para me dedicar à minha tese", diz o brasileiro.

"Além da rapidez e da eficiência desse sistema, os especialistas em computação apontam outra vantagem no uso do correio eletrônico. Segundo um estudo da empresa Hewlett-Packard, uma mensagem eletrônica custa bem menos que uma carta ou um fax. A empresa gasta 22 centavos de dólar para mandar uma mensagem de duas páginas pelo correio eletrônico para uma de suas subsidiárias espalhadas pelo mundo. Isso é metade do preço de uma carta internacional e quase oito vezes mais barato que um fax."

domingo, setembro 16, 2012

Parque Ararigboia ressurgiu nos anos 90

PUBLICADO EM 2008. fOTOS: Presidente hervé e turma do volei.

Na divisa entre o Jardim Botânico e Petrópolis, o Parque Ararigbóia, se falasse, teria muitas histórias a contar. Na antiga "Várzea de Petrópolis", em um terreno que já foi alagadiço, ocupa um quarteirão inteiro, entre as ruas Felizardo Furtado, Saicã, Lavradio e Mariz e Barros. Tradicional ponto de lazer dos dois bairros, já foi conhecido como o "campo do Sul Brasil", um clube de futebol que marcou época nas redondezas. Somente em 1953 é que foi batizado como "Ararigbóia", em homenagem ao cacique índio que ajudou os portugueses a expulsar os invasores franceses do Rio de Janeiro, no século XVI.
Conhecer a história do Ararigbóia é um passeio por muitas décadas. Hoje um centro de esporte, lazer e saúde, o local foi fundado por um empreiteiro chamado Arino Bernardino de Souza, em fevereiro de 1942 - hoje ele é o nome do Ginásio, inaugurado em 30 de setembro de 1995.
Quem sabe tudo, ou muito, da história do Parque Ararigbóia, é o presidente da Associação Comunitária do Parque Ararigbóia, Hervè Paschoto Saciloto, de 72 anos, um geólogo aposentado, durante muitos anos funcionário da Petrobrás (trabalhou mais de 30 anos na Bahia) e que, quando mudou-se para a rua Mariz e Barros, em 1991, ao olhar o local, quase abandonado, mal-cuidado, decidiu: "Vou cuidar disso aqui".
O Ararigbóia, então, já tinha muitos anos de história, mas estava sendo muito mal aproveitado e não integrava a comunidade à sua volta. Havia um barracão de tijolos, mal ajambrado, e uma cancha de bocha na rua Saicã. O pessoal do futebol tinha o seu presidente, e o da bocha, outro. Hervè - que nem sabia jogar bocha - entrou para a segunda turma e ficou como presidente deles, e, em 1992, fez um movimento para integrar os dois grupos. Conseguiu, e elegeu-se presidente da Associação Comunitária, fundada em 1980. Ficou nessa condição até 1995, quando foi sucedido por Pedro Paulo Machado, o "Pedrinho" - uma das referências maiores quando se fala no Parque.
Nesse tempo eles iniciaram uma luta para reformar o barracão que ali havia, "até que vimos que isso não valia a pena". Surgiu então o projeto de um novo ginásio de esportes, que foi aprovado e construído pelo Orçamento Participativo da Prefeitura de Porto Alegre, do qual seu Hervè era conselheiro. "Aí tivemos que criar uma cultura para que a comunidade cuidasse da sua conservação, sendo que a Prefeitura entraria com professores e a parte pedagógica para as atividades que nós queríamos", conta ele.
TERCEIRA IDADE - O Parque Ararigbóia, com seus mais de 700 frequentadores fixos e inúmeras atividades para todas as faixas etárias, de toda a cidade, não é mantido com verbas da Prefeitura - ao contrário do que muita gente pensa. O poder público apenas auxilia na manutenção e algumas melhorias, mas o dinheiro que sustenta a entidade vem da comunidade e das rendas obtidas pelo Parque.
"A maior parte vem da mensalidade paga pelos associados da Associação Comunitária, que são cerca de 700 e contribuem, a cada semestre, com 20 reais cada. É gente de toda a cidade, a maioria daqui dos nossos bairros, e pagam certinho", relata Hervè. "Tudo o que tem dentro do ginásio foi comprado com dinheiro da comunidade. E, com isso, conseguimos fazer muitas coisas. Agora vamos pintar o ginásio e botar ar condicionado no salão de ginástica, no segundo pavimento".
O Parque Ararigbóia conseguiu arregimentar a comunidade à sua volta, não só pelas várias atividades ali desenvolvidas - futebol, bocha, basquete, vôlei, ginástica, alongamento, musculação - como também em palestras realizadas em colégios. É o chamado "Grupo de Educação para o Envelhecimento", uma iniciativa de Hervè que consiste na ida aos colégios dos bairros vizinhos para troca de experiências com crianças e adolescentes. A idéia surgiu no ano 2000 e segue em pleno curso. Uma vez por semana um grupo da Terceira Idade vai às salas de aula, conversar com alunos sobre temas tão diferentes como a sexualidade, a saúde, a carreira profissional, o bem estar, os bons hábitos, a importância do exercício físico, da boa alimentação, do carinho - sem nenhum moralismo. "Já nos encontramos com mais de 2500 crianças, e agora estamos nos encontrando com adolescentes", informa Hervè. "Falamos de nossas vidas, do que era no passado, do que era um fogão a lenha, de coisas que eles nem conhecem. E a aceitação nos surpreendeu".
Um vez por mês o grupo, integrado por cerca de 16 idosos, reúne-se para fazer uma avaliação do trabalho.
ARQUIBANCADA - Arino Bernardino da Silva dá nome ao ginásio. O empreiteiro, construtor de ruas e calçados, foi quem deu "formato" ao atual parque, em 1942 - antes o local era um espaço público, um charco que ele aterrou e deu vida.
"Ele fez o campo de futebol, uma arquibancada de madeira e criou o time do Sul Brasil, que fazia campeonatos de futebol entre os bairros", conta seu Hervè. Em 1953, (quando passou a se chamar Ararigbóia) a Prefeitura de Porto Alegre juntou-se com a Federação de Bocha "para usurpar o direito da comunidade de ocupar esse espaço". Segundo o presidente da Associação, eles se apropriaram do campo: "As pessoas, para jogar no campo, tinham que ir na Prefeitura às 4 horas da manhã para tentar marcar um horário".
Acontecia ali o Campeonato Estadual de Bocha. Em 1963 foi criada a associação dos Veteranos do Futebol, que lutou para ter um dia seu no calendário do campo - e conseguiram. No início dos anos 70 a cancha de bocha foi extinta, restando o barracão - havia disputas de vôlei, então. Nesse tempo foi criado um grupo infantil de dança e outro de ginástica. Em 1980, finalmente, foi criada a Associação Comunitária do Parque Ararigbóia, usada mais pelo pessoal do futebol.
Do outro lado, na rua Saicã, havia a cancha de bocha - cada qual com um presidente. Em 1992 é que aconteceu a unificação dos dois grupos e a eleição de Hervè para a presidência.

RECESSO - O Parque Ararigbóia, como acontece todos os anos, estará de recesso do dia 26 próximo a 4 de agosto, reabrindo normalmente dia 5. A Secretaria, no entanto - com agendamento de campo - permanecerá aberta. Dia 5, aliás, é o dia de inscrição para os cursos e atividades, o que deve feito a partir das 8 horas da manhã: a inscrição é feita por ordem de espera - quem chega antes, fica com a vaga.

1997: o "azarão" desconhecido chamado Guga conquista a França e o mundo na quadra de saibro

1997. À exceção dos próprios tenistas profissionais, ninguém no Brasil tinha ouvido falar em Gustava Kuerten, o Guga. Porém, em junho daquele ano - lá se vão onze outonos - um rapaz de 20 anos (nasceu em 10 de setembro de 1976), 1,91 metro de altura, 76 quilos, cabelos longos, barba rala e um estilo "grunge" de se vestir, conquistava o primeiro e mais importante dos seus muitos títulos - o de campeão do torneio de Roland Garros, na França, um dos mais importantes do mundo do "grand slam" - as competições em Winbledon, na Inlalterra, os abertos dos Estados Unidos e da Austrália e, é claro, esse, na França. Guga havia se profissionalizado havia apenas dois anos.

Recentemente, Guga, hoje com 31 anos, despediu-se do tênis profissional, na mesma quadra que o viu vencer. Emocionou-se e até ganhou um pouco da terra e do saibro da quadra de seu técnico e "segundo pai", o gaúcho Larry Passos. A diferença é que, agora, o tenista catarinense, fanático torcedor do Avaí, tem algumas dezenas de milhões de dólares de patrimônio e um nome reconhecido no mundo todo. Ao lado de Maria Esther Bueno, tricampeã em Winbledon, Guga tornou-se o maior nome masculino do tênis brasileiro de todos os tempos. E um orgulho para a sua terra, Santa Catarina.

MULTICOLORIDO - Ao vencer o espanhol Sergi Bruguera, naquele torneio, Gustavo Kuerten - o azarão da disputa - ganhava o primeiro dos seus três títulos no "Maracanã do tênis".

Em sua edição de 11 de junho de 1997, ainda antes da final, a revista VEJA - que parecia acreditar que ele já tinha ido longe demais - escreveu: "Nunca o esporte nacional vira antes um azarão desse quilate. Guga chegou a Roland Garros há duas semanas como mais um entre as dezenas de tenistas anônimos que, todos os anos, inscrevem-se para a competição. E, para espanto da imprensa especializada internacional, e dos brasileiros, que nunca tinham ouvido falar no seu nome até segunda-feira, foi abatendo de forma implacável as celebridades que se apresentaram na sua frente. Na sexta-feira, quando venceu o belga Filip Dewulf na semifinal, já computava entre suas vítimas o russo Yegeni Kafelnikov e o austríaco Thomas Muster, respectivamente campeões do torneio em 1996 e 1995. O adversário seguinte, Bruguera, ganhou em 1993 e 1994."

E prosseguia: "Aos 20 anos, Gustavo Kuerten entrou em Roland Garros pela porta dos fundos. Antes de chegar ao torneio, ocupava apenas a 66 posição no ranking dos melhores tenistas do mundo e nunca havia vencido um torneio de primeira classe do circuito internacional. "Ainda não sei se sou uma estrela do tênis ou se continuo o mesmo", disse a VEJA um incrédulo Guga na quinta-feira enquanto brincava num flipperama ao lado do estádio."

Depois das vitórias de Roland Garros, os jornalistas internacionais passaram a chamá-lo de "surfista do saibro". Algo que também chamou a atenção, naquela ocasião, foram as roupas do tenista brasileiro. "Num esporte em que a tradição manda os atletas usar impecáveis roupas brancas, Guga apresentou-se com uniforme berrante, mais apropriado a um jogador de futebol: todo azul e amarelo, incluindo meias e sapatos. Surpresos, os organizadores do torneio procuraram os representantes do fabricante de roupas para pedir que moderassem na profusão de cores do uniforme. Não. Guga limitou-se a colocar na cabeça uma bandana com fundo branco, e manteve sua figura de surfista grunge. "Como pensaram que eu não iria longe no torneio, nem trataram do assunto diretamente comigo", conta o jogador" - escreveu VEJA em sua matéria (capa da edição de 11 de junho de 1997).

A revista dava mais detalhes do comportamento do catarinense: "Fora das quadras, mais surpresas. Enquanto a maioria dos jogadores do torneio se hospedava em hotéis caros e luxuosos de Paris, o brasileiro se escondia no modesto Mont Blanc, 70 dólares a diária. Foi nesse hotel que se hospedou quando esteve em Paris pela primeira vez, há cinco anos. Diz que foi bem tratado e não muda mais. Também costuma frequentar a mesma pizzaria, a Victoria, e se divertir no mesmo flipperama, ao lado do estádio de Roland Garros. Embora não aparente, Guga é sempre assim, metódico e disciplinado. Até hoje, quando joga nos Estados Unidos, dispensa os hotéis reservados pelos organizadores e vai para a casa de tia Vicky, uma inglesa que o recebeu quando lá esteve pela primeira vez para disputar um torneio juvenil. "Ele é uma pessoa de hábitos conservadores", diz João Carlos Diniz, promotor de eventos e amigo da família do jogador de Florianópolis."

Embora desconhecido do grande público, em 1997 Guga já era afamado no circuito do tênis brasileiro, por seu "jogo sólido", com bolas colocadas nos limites da quadra e muita velocidade. "Ele tem talento e personalidade para ficar no topo", afirmou então o americano John McEnroe, um dos maiores tenistas de todos os tempos. Como se vê, acertou: Guga ficou por mais de um ano como o tenista número 1 do mundo.

"Guga tem ainda uma arma poderosa em sua mão direita: o saque", escreveu VEJA. "Segundo o último número do Jornal do Tênis, órgão oficial da Associação do Tênis Profissional, Guga tem o décimo sétimo saque mais veloz do mundo. A bolinha arremessada por sua raquete chega a alcançar 206 km por hora. É uma velocidade tão grande que o adversário não tem tempo de reagir".

ORIGENS - De uma família de classe média, descendente de alemães, Guga tem um irmão mais velho, Rafael, formado em ciências da computação e professor de tênis - é ele quem cuida de seus negócios. O mais novo, Guilherme, sofria de paralisia cerebral e vivia sob os cuidados de uma babá. Comerciante de esquadrias de alumínio, o pai, Aldo, havia morrido de ataque cardíaco há 11 anos. Guga disse então: "A ele costumo dedicar cada momento de minha vida". A mãe, Alice, trabalhava como assistente social na Telesc, a empresa telefônica de Santa Catarina, à época, além de dirigir a Fundação de Educação Especial, do Governo do Estado. A avó, Olga, foi a primeira patrocinadora - os primeiros torneios foram bancados pelas Indústrias Schlösser, uma tecelagem da família, em Brusque.

"Ao despontar para o mundo do Tênis, Guga levava uma boa vida frequentando uma das 42 praias de Florianópolis. Para não ficar longe da família, nem das praias, recusou inúmeros convites de universidades americanas e de clubes alemães que o queriam para reforçar suas equipes. O mar e o surfe sempre foram duas grandes paixões fora da quadra", prosseguiu VEJA, concluindo: "O aparecimento da exótica figura multicolorida como uma pilha Rayovac em Roland Garros foi saudado como uma brisa de renovação num esporte em crise. Hoje, há centenas de torneios realizados no mundo a cada ano, rios de dinheiro correndo para os bolsos dos tenistas."

sábado, setembro 15, 2012

Nos anos 60 Botânico era uma grande chácara

Outro antigo morador do bairro (embora não tenha nascido aqui) é Rui Cintra, de 56 anos, dono de um pequeno bar nos fundos do Supermercado Gecepel, na Guilherme Alves. Suas lembranças remontam aos anos sessenta, quando o bairro era formado por casas de madeira, chácaras, plantações de agrião e de flores, a Guilherme Alves e a Barão do Amazonas eram ruas de chão batido, com esgotos a céu aberto que corriam livremente às margens das vias.
“A Guilherme Alves não tinha nem saída, ia-se até a Valparaíso e do outro lado era um banhadal. Em volta do riacho havia um monte de malocas e uma ponte de madeira que dava passagem para o Campo de São Pedro, que é hoje a Vila Cachorro Sentado”, conta ele, recordando que ainda se tomava banho e se pescava no Arroio Dilúvio, especialmente a montante, nas alturas de onde hoje é a PUC. “Lá existia uma ponte de madeira e famílias inteiras iam lá, passar o dia, tomar banho, tinha muita areia ali”.
Por essa época o local onde hoje está o Conjunto Residencial Felizardo Furtado existia a Chácara Nossa Senhora do Caravaggio, provida de uma pequena vertente, o chamado “parquinho”. Seu Rui recorda de muitas outras do mesmo tipo – a chácara do seu Zé, dos Pieretti, das Camélias. Acima, mais adiante havia o campo do Sul Brasil. Diferentemente de hoje, as ruas nem sempre levavam a outras ruas. “A Salvador França, por exemplo, só ia até a Felizardo, depois era mato, para se ir à Protásio se seguia pela Tibiriçá, onde hoje está o posto de gasolina do Darci”, afirma ele.
Em meados dos anos setenta, quando se iniciou a construção dos blocos residenciais, vieram milhares de trabalhadores, muitos deles provenientes do interior do Estado – e isso modificou totalmente a paisagem do bairro. “Antes todo mundo se conhecia e se cumprimentava, quando chegou essa turma mudou tudo, a rua Felizardo encheu de gente indo e vindo, virou quase uma rua da Praia”, rememora Rui.
Desse período merece destaque o bar da Dona Tida (da família dos “Bravos”), uma antiga moradora, já falecida, que adaptou a sua casa de madeira, na Felizardo (onde hoje está uma creche), e a transformou em bar e restaurante, com mesas de sinuca, venda de bebidas e refeições disputadas pelos trabalhadores da obra. “De vez em quando dava confusão ali”, informa. Já havia, então, o armazém dos Mocelin e, mais adiante, na esquina com a Barão, o do seu Alécio. Para aumentar a renda, aproveitando a vastidão dos terrenos, algumas famílias faziam puxados e alugavam pequenas peças que serviam de moradia os trabalhadores.
ANOS SESSENTA – Quem viajasse no tempo e retornasse aos anos sessenta e início dos setenta no Jardim Botânico encontraria um bairro quase rural, com um reduzido número de prédios e estabelecimentos comerciais. Já havia, é certo, um posto de gasolina na Barão com a Valparaíso (continua a existir) e também uma padaria (Barão com Felizardo), no mesmo local e no mesmo prédio em que há uma hoje. “Do outro lado, na Felizardo, havia um campinho de futebol, muito usado pela turma dos Bancários”, recorda seu Rui. “Na esquina da Barão com a Itaboraí havia o comércio do seu Antonio, relativamente forte. Tinha também o seu Edu e dona Maria. E onde hoje está o Bora-Bora era um terreno, um comércio onde se fazia argamassa que muita gente vinha buscar de carroças. Do outro lado era um comércio forte, o armazém do seu Caboclo.
Uma curiosa indústria que existia na época tinha muito a ver com o bairro – uma fábrica de artefatos para cavalos e carroceiros localizada na Guilherme, defronte à atual igreja de São Luís, e que produzia não somente carroças como ferraduras. “Era do seu Lúcio. Ele era, por assim dizer, o industrial da ferradura e se dava bem porque aqui tinha muito carroceiro e muitos cavalos. Tinha vários empregados e foi a nossa primeira montadora, muito antes da GM”, recorda, divertido, seu Rui.
Nesse mundo tão pequeno, o lazer era igualmente simples. “Na Semana Santa se passava filmes em um bar da Valparaíso com a Salvador, se colocava um grande pano branco na parede e todo mundo se reunia para assistir filmes religiosos”. Os cinemas mais próximos eram o Ritz, o Miramar e o Brasil, este último próximo ao Partenon Tênis Clube, onde atualmente está um posto de gasolina.

Franck Sinatra sempre foi fascinado pelo crime


PUBLICADO EM 2008
Quinta-feira, 14 de maio de 1998, um hospital de Los Angeles, Califórnia. Nessa noite aquele que já foi considerado "A Voz" - um dos melhores cantores populares do século 20 - deu o seu último suspiro: morria assim, aos 82 anos, de ataque cardíaco, Francis Albert Sinatra, o filho de uma família pobre que, como disseram alguns, nem deveria ter nascido, tantas as dificuldades na hora do parto. Sua mãe, uma imigrante italiana (era de Gênova), e seu pai, um bombeiro, eram católicos, moravam na pequena cidade de Hoboken, em Nova Jersey, e nada indicava que o filho único de um casal tão modesto desse ao mundo, naquele dia 12 de dezembro de 1915, um dos mais bem sucedidos artistas que o mundo já viu.
O seu nascimento foi, realmente, complicado, tanto que quase morreu estrangulado durante o parto, teve um tímpano furado e algumas cicatrizes no rosto e, segundo ele dizia, "até na alma". A família era pobre, pelos padrões norte-americanos, e ele cresceu fraco, raquítico pode-se dizer, além de dono de uma estranha timidez e de um comportamento solitário que não lhe ajudava na hora de fazer amizades com outros gratos.
Aos 16 anos fugiu da escola para me meter em cinemas e casas de música, isso no começo dos anos 30. Anos mais tarde, diria - talvez com certo histrionismo, talvez com boa dose de verdade: "Se não fosse a música, eu teria me tornado um gângster".

Na verdade, os gângsters sempre o fascinaram e ele teve muitos como amigos - o FBI tentou provar suas ligações criminosas mas nunca conseguiu nada que pudesse levá-lo às barras dos tribunais. A Máfia, aliás, teria sido responsável pelo seu ressurgimento, no tempo em que ficou quase no ostracismo, esquecido pelo grande público e enfrentando uma série de problemas pessoas, entre eles o alcoolismo: como os mafiosos eram donos das principais casas de espetáculo dos EUA, abriam a ele as portas e o adotaram como um dos seus protegidos, colocando-o novamente na ribalta. Contrariando as teses dos anti-tabagistas, Sinatra - que fumava um cigarro atrás do outro ("só não fumo quando estou no chuveiro") durou longos 82 anos de uma vida agitada e, talvez, bem vivida. Sincero, disse que "papo de tragédia da fama não existe. A tragédia da fama é quando ninguém aparece e você está cantando para a faxineira num botequim vazio que não recebe um cliente pagante desde o dia de São Nunca".

São Lucas, o moderno hospital do Jardim Botânico, foi inaugurado pelo presidente da República

PUBLICADO EM 2008, REPUBLICADO AGORA
Muita gente não se recorda, mas o Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica, PUCRS, é irmão do Condomínio Habitacional Felizardo Furtado. Pelo menos na data de inauguração e na pessoa inauguradora – o então presidente da República Ernesto Geisel.
Foi ele quem cortou a fita inaugural do primeiro hospital da Congregação dos Irmãos Maristas em todo o mundo (hospital que muita gente, erroneamente, pensa não estar localizado no Jardim Botânico). O dia era 29 de outubro de 1976, uma sexta-feira, e o São Lucas surgiria ao mundo como “Hospital Universitário da PUCRS” - um hospital geral, destinado a pacientes adultos e crianças e também um local de estágio para os mais de 800 alunos de vários cursos da PUC. As obras haviam iniciado em 1972 e, em 1973, estavam concluídos os laboratórios, colocados à disposição para o ensino médico, com os estudantes do curso de Medicina atendendo sob orientação dos professores da Faculdade. Em 1982, por razões jurídicas – e também por ter mudados seus objetivos iniciais – passou a ter a denominação atual.
200 MILHÕES DE CRUZEIROS - A construção só foi possível graças a subvenções estaduais (seis hectares foram doados pelo Governo do Estado), subvenções federais e financiamentos externos, além dos recursos da própria PUC. O São Lucas foi o trigésimo nono hospital de Porto Alegre e aproveitou a primeira turma do curso de Medicina da Universidade, formada em 1975. O custo total da obra foi de 200 milhões de cruzeiros – o que valeria isso hoje?
Na época da inauguração tinha 40 mil metros quadrados de área construída, capacidade para 600 leitos, 27 ambulatórios, além de laboratórios, salas de raio X, etc. Um completo equipamento para atendimento geriátrico veio do Japão e, em breve, passaria a contar com setor de Medicina Nuclear e Praxiterapia. O Centro Cirúrgico contava com 12 salas. O início do funcionamento, entretanto, não seria imediato.
Naquele 29 de outubro, depois do Presidente ter inaugurado o Condomínio Felizardo Furtado, sua comitiva deslocou-se até a avenida Ipiranga, onde foi recebida pelo Irmão José Otão, Reitor da PUC, pelo Cardeal D. Vicente Scherer e por um grupo de professores. Geisel – que tinha a seu lado o governador Sinval Guazzelli – descerrou a placa comemorativa e D. Vicente deu a benção.
Atualmente circulam pelo São Lucas cerca de 18 mil pessoas, todo dia, muitas delas vindas de outros Estados. A área construída, neste momento, é de 55 mil metros quadrados, sendo 49 mil de hospital e seus serviços e 6 mil do Centro Clínico. Cerca de 2.300 funcionários trabalham no local, sendo 170 médicos residentes e um corpo clínico de outros 550 médicos. O estacionamento é suficiente para 1.500 veículos. Internamente, são 549 leitos para pacientes internados, sendo 440 de internação convencional e 78 de UTIs – adultos, coronariana, pediátrica e neonatal – além de 22 leitos de observação para pacientes de urgência. O ambulatórios está projetado para 110 consultórios e atualmente passa por modificações.
CENTRO DE REFERENCIA - O Centro Clínico foi inaugurado em 1988, e abriga 160 conjuntos, 64 especialidades médicas e é destinado preferencialmente aos professores da Faculdade de Medicina. Mantido pela UBEA – União Brasileira de Educação e Assistência, uma entidade civil da congregação dos Irmãos Maristas em Porto Alegre – o São Lucas tem nove pavimentos, sendo o último com apartamentos de internação particular e de luxo. Atende também pelo Sistema Único de Saúde, SUS, e seu objetivo oficial é “ser reconhecido, no Brasil, até o ano 2010, como um hospital padrão de referência em gestão, assistência, ensino e pesquisa em saúde”.
O nome homenageia São Lucas, apóstolo, médico e padroeiro dos médicos.

terça-feira, setembro 11, 2012

Condominio do IPE tem 218 apartamentos, estrutura simples e sólida e 41 anos de vida

São três andares, 218 apartamentos (máximo de 16 por andar) de dois, três e quatro dormitórios e seis lojas que estão fechadas. Localizado entre a avenida Ipiranga, a rua Alcebíades Caetano da Silva e a Chile, o Conjunto Residencial Emanuel Domingues foi inaugurado em 1971. Destinado inicialmente a funcionários públicos, era um projeto do Instituto de Pensionistas do Estado, IPE, que financiava os imóveis pelo esticado prazo de 15 ou 20 anos. Aos poucos, como é natural, passou a ser habitado por um público variado, mas sempre de classe média e, em sua maioria, idosos – no caso dos proprietários. “Já os que alugam são geralmente jovens”, informa Clari Tende, ex-síndica geral e moradora do condomínio há 19 anos.


PUBLICADO EM 2008, republicado agora, na íntegra

Anterior ao Felizardo Furtado e ao da Corsan, o Emanuel Domingues não conta com elevadores e nem um sistema permanente de vigilância – que acontece somente à noite, aos finais de semana e nos feriados. Os furtos e roubos, porém, não chegam ainda a ser um problema, apesar da localização junto à avenida, garante a síndica.
A infra-estrutura do Residencial é bastante simples: algumas churrasqueiras e uma pequena pracinha para as crianças. Não existem elevadores. Estacionamento existe, mas não em quantidade suficiente.
Erguido em uma época em que o bairro era ainda uma espécie de vila formada por muitas casas de madeiras, terrenos baldios e antigos e pequenos prédios de alvenaria, o Emanuel Domingues (homenagem a um antigo morador do Jardim Botânico, dizem alguns) foi projetado originalmente para ir até a rua Valparaíso (por onde, em 1971, passava o Riacho Ipiranga), o que não aconteceu devido às invasões do local.

A freira cantora que fez o maior sucesso, superou Elvis Presley e, pobre, acabou se matando

* PUBLICADO EM 16 DE SETEMBRO DE 2006, republicado agora. 713 visualizações.

Dominique, nique, nique... Dificilmente alguém não conhece esse refrão de uma música do mesmo nome, um dos maiores sucessos das paradas musicais de todo o mundo no ano de 1963 e gravado por dezenas de outros cantores, em variados idiomas, inclusive em português. Fez tanto sucesso que deixou até mesmo Elvis Presley comendo poeira.
Pois a autora de Dominique, ao contrário do que se possa pensar, não ficou rica e não teve uma vida glamourosa. Pelo contrário: Jeannine Deckers, uma freira dominicana do interior da Bélgica, suicidou-se em 29 de março de 1985, quando tinha apenas 52 anos de idade. Ela ingeriu um coquetel de bebidas alcóolicas e barbitúricos. Com ela estava sua companheira, Annie Pescher, uma enfermeira de 41 anos. As duas haviam feito um pacto de morte, finalmente concretizado em um pequeno apartamento da cidade de Wavre, nas proximidades de Bruxelas.
Jeannine já não era mais freira havia tempo - na verdade deixou o convento no ano de 1966, tentando seguir na carreira artística e emplacar novos sucessos. Só que isso não aconteceu e a vida da "Irmã Sorriso" encheu-se de complicações de toda ordem. O Fisco belga resolveu cobrar a sua parte na arrecadação de "Dominique", só que a autora e cantora - que fizera voto de pobreza - já havia doado tudo à sua congregação religiosa. Esta, por sua vez, alegou que a doação já havia sido gasta em obras assistenciais e que não havia recibo a provar o valor doado.
Naturalmente, a corda estourou do lado mais fraco - processada, Jeannine teve todos os seus poucos bens penhorados. O Fisco também passou a confiscar tudo o que ela ganhasse, deixando apenas o mínimo necessário para a sua sobrevivência.
Sobrevivência que ela garantia com aulas de violão e exposições de pintura.
A ex-freira tentou ainda fundar uma instituição de caridade, de apoio a pessoas deficientes, mas não conseguiu verbas para viabilizar o projeto. Profundamente deprimida, ela passou a falar em suicídio, fato consumado na noite de 29 de março de 1985. Triste fim para a autora de uma música tão ingênua e cândida.