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segunda-feira, março 24, 2014

Incêndio das Lojas Americanas: a tragédia de Porto Alegre que matou cinco moças no final de 1973

Naquele início de feriadão de final de ano, em 29 de dezembro de 1973, um sábado, Porto Alegre viveu um dos episódios mais chocantes da sua história - e que está bem presente na memória da população: o trágico incêndio acontecido nas lojas Americanas, uma das mais tradicionais e conhecidas redes de varejo do País. O fogo iniciou de repente, na rua da Praia, a poucos metros do que é hoje a "Esquina Democrática", se propagou com grande rapidez e encurralou no banheiro cinco funcionárias, com pouco mais de 20 anos, que morreram abraçadas, encurraladas pela fumaça e pelas chamas e vitimadas, sobretudo, pela absoluta falta de normas e medidas de prevenção a sinistros no Brasil dos anos setenta. Elas participavam de uma festinha de confraternização. Uma, que seria a sexta vítima, criou coragem, pulou do alto, quebrou a bacia, ficou paraplégica, mas salvou-se. Os bombeiros, mal equipados, heroicos como da maioria das vezes, não encontraram hidrantes para ligar suas mangueiras e tiveram de recorrer às distantes águas do Guaíba. O prefeito da época era Telmo Thompson Flores, que - entre qualidades e defeitos - cobriu a cidade de obras de asfalto e cimento.
A tragédias das Americanas gerou muitas notícias, protestos e reivindicações. Porém, tal como hoje, tudo ficou no campo da retórica, e nada foi aprendido com o episódio, tanto que, dois anos e meio depois, seria a vez da maior de todas as tragédias, o incêndio das Lojas Renner, também no centro, com 41 mortos. O cenário era o mesmo: edifícios sem as mínimas normas de prevenção, com janelas gradeadas que os transformaram em verdadeiras gaiolas, impedindo a ação dos soldados do fogo. No final da noite da mesma data o secular mercado público de Porto Alegre também pegaria fogo - algo que se repetiu em 2013. Em primeiro de fevereiro de 1974, dois meses depois do ocorrido na rua da Praia, aconteceria o maior de todos os incêndios brasileiros (só superado, em 2013, pelo da boate Kiss, em Santa Maria, RS), o do edifício Joelma, em São Paulo, com 188 mortos.
Reprodução do jornal Correio do Povo, coleção do Arquivo Histórico Municipal de Porto Alegre Moysés Vellinho.

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