terça-feira, julho 15, 2014

Stan Getz em Porto Alegre, em setembro de 1976

Porto Alegre sempre foi um dos principais destinos dos grandes músicos estrangeiros que chegam ao Brasil. Em 1976, ainda durante o período do regime militar, o saxofonista Stan Getz, um dos mais geniais representantes do jazz cool norte-americano, esteve na Capital gaúcha, apresentando-se uma única vez no Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Falecido em junho de 1991, aos 64, Getz - que fez parcerias memoráveis com João Gilberto e Antonio Carlos Jobim - nasceu em fevereiro de 1927, filho de uma família de judeus ucranianos que emigraram para a América. Com problemas com o álcool e as drogas, como boa parte dos músicos de jazz, tinha uma grande afinidade com o Brasil e com a música brasileira. Coleção do Arquivo Histórico de Porto Alegre, reprodução do Correio do Povo.

Duke, O Tempo (MG). A Charge Online.



Hoje Forest Whitaker faz 53 anos, Brigitte Nielsen faz 51, Mario Kempes comppleta 60 e Samuel Rosa faz 48.

segunda-feira, julho 14, 2014

Em maio de 1950, o Circuito da Zona Sul marcou época no automobilismo gaúcho e brasileiro





O Rio Grande do Sul, no passado, era um celeiro de "ases" do volante, cenário de circuitos e corridas célebres que marcaram época no automobilismo brasileiro e sul-americano. Corredores hoje lendários, como os irmãos Andreatta, os Jung, Rimoli, Burlamaque, nomes assim eram reconhecidos em todo o País e despontavam como grandes personalidades do esporte gaúcho nos anos 30, 40 e 50, especialmente. A proximidade com a Argentina (Fangio se aproximava do auge no circuito internacional, do qual foi cinco vezes campeão na fórmula 1), onde as corridas de carro não eram menos populares do que as corridas de cavalo, ajudava em muito no desenvolvimento dessa modalidade praticada em condições extremamente adversas e primitivas, com estradas de terra batida e muitos acidentes - o que excitava ainda mais os audazes pilotos.
Em 1950, um pouco antes da Copa do Mundo que o Brasil sediaria pela primeira vez, aconteceu a maior prova automobilística já realizada no Estado, transmitida ao vivo pela Rádio Gaúcha e acompanhada por um avião da VARIG durante todo o tempo. Bem organizada e dispondo de forte patrocinadores com ambulâncias e eficiente sistema de sinalização, o Circuito Zona Sul, uma promoção do jornal Folha da Tarde d do Correio do Povo, reuniu 31 pilotos de ponta, dos quais apenas 19 chegaram ao final. O percurso, de 992 km, dividia-se em duas etapas: Guaíba (não havia ainda a ponte sobre o rio) - Cachoeira do Sul e Bagé, e a segunda de Bagé para Pelotas e Guaíba.
O Circuito da Zona Sul aconteceu nos dias 13 e 14 de maio de 1950, sábado e domingo, e teve a presença surpresa do maior corredor brasileiro, o paulista Chico Landi, que chegou a Porto Alegre na última hora e logo foi considerado o franco favorito para a disputa. Mas o seu carro teve a barra da direção partida e ele nem chegou ao término da prova, vencida, nas duas etapas, por Júlio Andreatta, irmão de Catarino, que marcou uma média de 91 km e 20 metros por hora (tudo escrupulosamente medido com cronômetros da Casa Masson, uma das patrocinadoras). Em segundo lugar ficou Aldo Finardi e, em terceiro, Dante Roveda. O vencedor foi cumprimentado pessoalmente pelo governador Walter Jobim e mereceu muitas páginas dos jornais da época, além de uma ampla reportagem na Revista do Globo. Muitos desses corredores estão muito bem vivos e devem recordar com saudade tal evento e uma época histórica e emocionante. (Reprodução da coleção do Arquivo Histórico de Porto Alegre)

O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males

O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Me lembrei desta frase de São Paulo (não a cidade e sim apóstolo cristão) quando li a notícia de que finalmente Felipão pediu para sair do comando da seleção, resultado do desastre da Copa que ele, desnecessariamente, disse que tínhamos "obrigação de ganhar".
Felipão - que já é rico e dono de incontáveis imóveis e outros interesses, segundo me disseram - poderia ter sido lembrado como o comandante do penta, o homem que, em 2002, assinou seu nome no livro-ouro da história do futebol brasileiro, ganhando a Copa do Japão-Coréia de forma, senão brilhante, pelo menos eficiente e convincente. Aquela conquista, por si só, bastaria para encher de orgulho e honra qualquer um - além de render uma boa grana, é claro. Seria, no meu entender, o momento de sair por cima, como fez Pelé (e não como fez Schumacher, o piloto), repleto de louros e do reconhecimento de todos os brasileiros.
Quando, tempos atrás, ventilaram a possibilidade de ser Felipão o técnico do Brasil nesta Copa jogada em casa, eu disse para algumas pessoas: "Ah, ele não vai aceitar! Prá que arriscar tudo em um empreendimento arriscado", uma loteria, já que estava evidente que o nosso futebol, ao longo do tempo, desde 2002, mostrava-se enfraquecido e empobrecido tecnicamente. Além disso era o momento apropriado para outro treinador, de dar vez a uma outra pessoa, outro profissional. Era a hora de Scolari, que já não é garoto, entrar na galeria das personalidades, no panteão do futebol, como o grande vencedor que sempre foi, no passado.
Mas, alguém que o conhece pessoalmente, me disse: "Ele vai aceitar. Conheço o gringo e sei como ele gosta de dinheiro".  Mesmo assim, duvidei, até porque o homem já tem muito dinheiro, e aceitar ser novamente técnico do selecionado canarinho teria apenas estas explicações: vaidade, gosto pelo poder e, sobretudo, amor ao dinheiro - daí ter me lembrado de São Paulo, o apóstolo. 
Agora, depois do grande vexame, Felipão saiu, porque quase ninguém mais quer ele no cargo, porque foi vaidoso, arrogante e cobiçoso, e não havia mais como permanecer. E porque, mais do que tudo, foi inoperante e incompetente tecnicamente, um profissional sem criatividade, desatualizado, o típico sujeito que acha que a sua "estrela" (e muita gente confiou nela para ganhar o hexa) era superior a tudo, como se, como Felipão, o Destino também jogasse do nosso lado. E a imprensa, sempre volúvel e burra - apoiada por interesses comerciais evidentes - adorou ter Felipão de volta. A mesma imprensa que hoje o crucifica e o esculacha, até de modo excessivo e desrespeitoso. O povo brasileiro, entrando na onda - e confiando ainda no "carisma" de tiozão birrento e simpático, além de vencedor de títulos internacionais de clubes, do gaúcho de bigode - também apoiou tal escolha com certo entusiasmo. Muricy Ramalho não quis aceitar - então era para ser o Felipão, pensava-se.
Só que o Felipão que assumiu o controle da seleção brasileira para a Copa de 2014 já não parecia mais o mesmo, assim como um sujeito muito rico - mas que ainda quer mais cascalho - não é mais aquele que estava tentando chegar lá e fazer patrimônio. 
Assim como Ronaldo Nazário e alguns outros craques, Felipão deixou de ser o profissional interessado e amante do futebol para colocar o "esporte bretão" em uma posição secundária na sua vida. Desatualizou-se, deixou de estudar técnicas e táticas, para se transformar em uma empresa, uma grande empresa comercial e lucrativa que arrecada muitos milhões, que anuncia toda sorte de produtos - e nunca ninguém anunciou tanta coisa em anúncios de tevê quanto o ex-técnico do Brasil de Pelotas, do Criciúma, do Grêmio e do Palmeiras. Até sua mulher virou garota-propaganda, imaginem só.
Acho que foi nesse momento que ele deixou de ter tempo (ou vontade) para ser o velho Felipão do futebol e se tornou uma griffe, um figurão, um medalhão da publicidade brasileira. Talvez - e acredito nisso - tantos negócios e envolvimentos comerciais tenham feito com que sua cabeça se voltasse bem mais para este lado e o futebol tenha ficado em plano secundário nas suas preocupações. Imagino uma cena assim: empresários, procuradores, vendedores, todos à sua volta, propondo coisas para ganhar dinheiro, tomando seu tempo, sua mente, suas horas do dia e da noite. Edifícios, casas, empresas, terrenos - pensar nessas coisas absorve e consome uma pessoa. E o futebol ia descendo degraus nas suas prioridades imediatas. Ou seja: ele entrou na mentalidade da CBF e passou a praticá-la. Queria mais e mais milhões de reais, de dólares e de euros. Queria ser um grande milionário. O dinheiro lhe subiu à cabeça.
Foi por isso, o amor ao dinheiro, a raiz de todos os males, que aceitou ser novamente treinador da seleção brasileira - é o que eu sinceramente penso. Não queria apenas ser muito rico, como já era:queria ser muitíssimo rico, assim como Ronaldo Nazário, Neymar (o mesmo caso) e outros que deixaram de ser homens e profissionais para se transformarem em marcas e empresas que geram milhões. Nesse sentido o técnico brasileiro é um protótipo, um tipo - e não há muita coisa de pessoal que o desabone, afora isso.
Não sei onde o Felipão vai gastar o seu dinheiro - dizem, aliás, que ele é um homem sovina e que não gosta nem de pagar uma cerveja para alguém. Como fazer isso, e aonde e como, ah, para tanto não faltam locais e oportunidades - embora alguns tenham apenas fixação de acumular mais e mais (Freud explica). Mas também sei de uma coisa: ele, nesta sua segunda passagem pelo comando da seleção, ganhou ainda mais dinheiro do que a primeira vez e certamente terá condições de oferecer vida luxuosa para várias gerações de seus descendentes. Como diz o gaúcho, está com a guaiaca recheada, e de moedas de ouro de alto quilate. 
Ganhar muito dinheiro não deve ser ruim - eu não sei como é, mas não deve ser ruim, pelo contrário. Pena que, para alguns, isso seja um túnel sem fim, uma estrada sem ponto de chegada, um voo sem limites. Pena que não saibam parar, mesmo já tendo tanto. E pena que, para isso, deixem de ser humanos, como a maioria, e se tornem cifrões, marcas, griffes.
Felipão poderia ter sido lembrado como o grande comandante do penta - bastaria não ter aceitado ser mais uma vez o técnico, ter se resguardado e usufruído do carinho e do respeito da nação pelos méritos indiscutíveis que tinha. Mas, assim como um jogador compulsivo nos cassinos de Las Vegas, preferiu arriscar tudo para ganhar o grande prêmio. E ganhou - em dinheiro ganhou o grande prêmio e levou milhões para casa. Mas, como homem e profissional, ficou bem menor e menos digno de respeito. Agora será lembrado pelos 7 a 1 que levamos da Alemanha e pelos 3 a 0 da Holanda, pelo rebaixamento do Palmeiras e não terá argumentos para contestar aqueles que o consideravam ultrapassado.
Mas, claro, poderá esquecer isso tudo a bordo de um iate luxuoso e vivendo uma vida luxuosa de celebridade holiudiana que, se tem tantos milhões, já não tem mais talentos a oferecer. É, às vezes os gigantes se apequenam por conta própria. Fizeram a sua opção de ser cifrões e não pessoas ou profissionais. (Vitor Minas)


Paixão, em A Gazeta do Povo, PR. A Charge Online.





Hoje Nilmar faz 30 anos, Silvio Luiz faz 80, Denise Stoklos faz 64. E hoje Ingmar Bergman faria 96, Gerald Ford faria 101 e Walter Clark completaria 78.

domingo, julho 13, 2014

Luz Del Fuego, a pioneira do naturismo, foi impedida de se apresentar em Belo Horizonte em 1950

A capixaba Luz del Fuego pertencia a uma das mais tradicionais e ricas famílias do Espírito Santo quando, ainda nos anos quarenta, resolveu chutar o balde e aderir ao naturismo, ou nudismo, cuja bandeira levantou e foi precursora no Brasil. Muito à frente de sua época, enfrentou toda sorte de hostilidades e perseguições, até a sua morte trágica, assassinada por homens que roubaram os pertences da sua casa -com ela foi morto o caseiro..Nesta matéria do Correio do Povo de 1950, Dora Vivacqua, o seu nome real, sofria outro revés, desta vez na conservadora Belo Horizonte, onde pretendia fazer uma de suas apresentações para os detentos do presídio no "Dia do Encarcerado", evento que, de fato, existia antigamente. A polícia simplesmente não deixou. 
Imaginem se esta dançarina revolucionária (apresentava-se com enormes cobras jiboias enroscadas sobre o seu corpo) voltasse à vida hoje, quando o nudismo e a evolução do comportamento humano tornaram o nudismo algo natural e aceito socialmente. Luz del Fuego foi morta em 1967, na ilha onde morava, na baía de Guanabara. Em 1950 ela, que nascera em Cachoeira de Itapemirim, "a capital secreta do Espírito Santo", tinha 33 anos de idade. Em 1982 o diretor David neves fez um filme sobre a sua vida. 
S. Salvador, O Estado de Minas. A Charge Online.



Hoje Harrison Ford faz 72 anos, João Bosco faz 68, Lilia Cabral completa 57 e Murilo Benício faz 43.

sábado, julho 12, 2014

O trem húngaro que seguia de Porto Alegre para Santa Maria, em 1975

Foi um crime - o fim dos trens de passageiros em todo o Brasil. Hoje sem sequer uma única linha em todo o Rio Grande do Sul, e pouquíssimas no restante do Brasil, os trens são recordados com saudade. Em 1975, por exemplo, podia-se sair de Porto Alegre e ir até as principais cidades do Estado utilizando-se as ferrovias. Eram viagens desconfortáveis e demoradas, porém inesquecíveis e mais baratas do que a dos ônibus. Contraditoriamente, já com muitas linhas comuns desativadas, vieram, em 1975, os famosos trens húngaros, mais caros, confortáveis e sofisticados, ligando a capital a alguns importantes pólos do interior, como este, que seguia para Santa Maria, conforme noticiou o Correio do Povo. A viagem levava cinco horas, apenas uma a mais do que faz um ônibus moderno hoje. Reprodução da coleção disponível no Arquivo Histórico de Porto Alegre.

Pelicano e Thiago Recchia, em A Charge Online.






Hoje o folclorista Paixão Cortes completa 87 anos, o grande Tito Madi faz 85, a atriz Carolina Kasting completa 39, Claudia Alencar faz 64, Vanessa de Oliveira 45. Hoje Palblo Neruda completaria 110 anos. E no dia de hoje, durante a Copa da Itália, em 1990, morreu João Saldanha. 

sexta-feira, julho 11, 2014

Os gringos não gostam de banho e de vacinas

Durante um desses últimos jogos da Copa ouvi o repórter de uma emissora de televisão comentar que a seleção da Alemanha tinha, naquele momento, seis ou sete jogadores, entre titulares e reservas, gripados - e gripado quer dizer gripado mesmo, e não resfriado. Seria devido às variações de temperaturas vivenciadas nos diferentes locais onde jogou, inclusive Porto Alegre - aqui jogou com mau tempo e até um pouco de chuva. 
Como não sei mais o que é gripe há quatro anos, pensei no óbvio: como é que esses sujeitos, que valem muitos milhões de euros, conseguem pegar uma forte gripe hoje em dia, considerando que existe, disponível e facinha de aplicar, a vacina contra o vírus da gripe? Por que a comissão técnica não aplicou, antecipadamente, tal vacina nos seus atletas, sabendo que eles enfrentariam tal variação de temperaturas no Brasil, sem falar no problema do entra e sai em ambientes com ar condicionado? Evitaria tudo o que aconteceu.
Pois é, mas não fizeram tal coisa e griparam. Claro que não seria burrice e nem ignorância, pelo mesmo assim acredito. Depois, meio por acaso, vi um médico falando em uma emissora de rádio que, na Europa, há uma resistência cultural generalizada e muito antiga às vacinas, sei lá porquê, coisa que no Brasil - país meio bárbaro, mas adiantado na questão de vacinação em massa e na aceitação desta - não existe. Aliás, aqui até gostamos de nos vacinar, e dia de vacinação é quase de festa.
Então tá. Os gringos, comprovadamente, não gostam de tomar banho e também não gostam de se vacinar. Ô gente chique!  (Vitor Minas) 

Sid, em A Charge Online.



Hoje Yul Brynner faria 96 anos, Emerson leão faz 65, Lúcia Veríssimo completa 56 e o cientista César Lattes faria 90.

quarta-feira, julho 09, 2014

De miss Cantegril a Miss Universo: a trajetória de Ieda Maria Vargas em 1963






O ano de 1963, quando João Goulart era presidente do Brasil e John Kennedy ainda não havia sido assassinado nos Estados Unidos, época da Bossa Nova e um ano depois que o nosso selecionado de futebol sagrou-se bicampeão mundial de futebol no Chile, a porto-alegrense Ieda Maria Vargas, de 21 anos, vivia momentos mágicos: era eleita Miss Porto Alegre, Miss Rio Grande do Sul e, finalmente, Miss Universo, em Miami Beach, nos Estados Unidos, vencendo 92 concorrentes e vingando a derrota de Martha Rocha, em 1954.. Desde então a então moradora do bairro Petrópolis (rua Palmeira) continua a ser um referencial de beleza. Ela certamente não esquecerá aqueles meses de junho e agosto - 51 anos atrás.
Reprodução da Revista do Globo e do jornal Correio do Povo. Arquivo Histórico de Porto Alegre.



Charges de S. Salvador (O Estado de Minas), André Abreu (A Charge Online) e Thiago Lucas.