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sexta-feira, maio 29, 2015

Chico Buarque no Leopoldina: novembro de 1966.

Desde que foi inaugurado, no início dos anos sessenta, o Teatro Leopoldina sempre foi a melhor e principal casa de espetáculos de Porto Alegre. Nesta reprodução do jornal Correio do Povo de novembro de 1966 vemos o "jovem" cantor Francisco Buarque de Hollanda apresentando-se no Leopoldina. Chico, autor do estrondoso sucesso A Banda, a "música do ano", tinha vinte e poucos anos e vinha para uma única apresentação.

terça-feira, maio 26, 2015

Luis Fernando Veríssimo autografa "As Cobras", em 1975, aos 38 anos

Em setembro do próximo ano o escritor e jornalista Luis Fernando Veríssimo completará 80 anos, uma data significativa e que superará em 10 anos o tempo de vida de seu pai, Érico. Em junho de 1975 o autor de "As Cobras" tinha apenas 38 anos e autografava seu livro do mesmo nome, como sempre com grande sucesso de público. Embora não fosse o nome nacional que hoje é, ele já fazia grande sucesso com suas tiras diárias, suas crônicas e seus comentários espirituosos. Note-se que naquela época o poeta Mário Quintana ainda vivia, assim como o pai de Luis, Érico Veríssimo, falecido no final daquele mesmo ano, em Porto Alegre. A reprodução acima é do jornal Correio do Povo. Veríssimo ainda trabalhava no diário Folha da Manhã, mas já se preparava para voltar ao jornal Zero Hora, de onde não mais sairia.

Getúlio e Ademar de Barros unidos "para reimplantar a jogatina no Brasil"

As eleições de 3 de outubro de 1950 foram das mais acirradas da história do Brasil. Getúlio Vargas, então senador, e que vivia quase recluso em sua fazenda do Itu, no município de Itaqui, despontava como o grande favorito em um pleito no qual fizera aliança com o governador de São Paulo, Ademar de Barros. Os ataques a Vargas se sucediam com uma incrível violência, sobretudo por parte de setores que foram por ele prejudicados ou alijados durante o período da Revolução de 30 e do Estado Novo. Como na Era Getúlio os jogos de azar eram liberados em todo o Brasil - sendo proibidos depois, quando o general Eurico Gaspar Dutra o sucedeu, já pelo voto direto - os inimigos do "velho" mandaram publicar nos principais jornais brasileiros anúncios como este, em que Vargas e Ademar de Barros se unem "para reimplantar a jogatina". A reprodução é do Correio do Povo, de setembro de 1950, coleção do Arquivo Histórico de Porto Alegre.

O eterno problema das enchentes em Porto Alegre

As enchentes do Guaíba sempre foram um dos mais dramáticos problemas para a população de Porto Alegre, que temia as periódicas cheias do rio que hoje é considerado lagoa. Inundações famosas, como a de 1873, a de 1903, a de 1914, a de 1926, a de 1928, a de 1936, seriam superadas pela maior de todas: a grande enchente de 1941, literalmente um divisor de águas na história da capital. A partir daí - e diante do drama humano e dos prejuízos materiais - o governo da União, na época nas mãos dos gaúcho Getúlio vargas, iniciou uma série de obras de contenção que culminaram, décadas mais tarde, como famoso Muro da Mauá, no centro da cidade, contestado por muitos mas aprovado pelos técnicos que estudam o assunto. Em julho de 1937, menos de um ano de uma outra cheia que deixou mais de 50 mil desabrigados em uma cidade de 250 mil habitantes, o Correio do Povo noticiava outra inundação que vitimava a cidade. Atente-se para o título, "Infelicidade que não tem fim", reportando-se o jornal à historicidade do problema. Abaixo, reprodução do Jornal da Manhã, também de Porto Alegre e que durou alguns anos, destacando-se pela bela diagramação e pela cobertura de eventos sociais, música e variedades.
Sobre a enchente de 1941 o autor deste blog, Vitor Minas, tem um trabalho - Águas de Maio, a Grande Enchente de 1941 - e cujo resumo pode ser acessado neste blog e também no Youtube.

No tempo em que a sífilis era um mal terrível e até fatal: 1936

Antes da penicilina e da estreptomicina, a sífilis era um mal terrível que assustava a população, não somente a masculina como também a feminina. Nossos avós e até pais lembram disso muito bem, já que até o final dos anos quarenta, quando se popularizou o uso de antibióticos sintéticos, essa doença sexualmente transmissível deixava graves sequelas e até matava. Nesta propaganda, extraída da Revista do Globo, de Porto Alegre, em maio de 1936, vemos bem o que representava esse terrível mal e as tentativas (todas enganosas e produto da ânsia de vendas por parte dos laboratórios) de combatê-lo. No caso, um laboratório de Pelotas - cidade que se destacava por seu laboratórios e fabricação de medicamentos - anuncia o "triunfo completo sobre a sífilis", doença que ainda hoje preocupa.

sábado, maio 23, 2015

O célebre Bataclan quer um monumento à Princesa Isabel: 1941

A situação dos negros no Brasil melhorou muito nas últimas décadas. Há sete décadas, todavia, o contexto era bem outro, especialmente no Rio Grande do Sul, um dos Estados mais racistas do país. Hoje já não se fala no 13 de maio como a data magna da libertação dos escravos, nem se tece elogios à Princesa Isabel como a "libertadora" - agora se fala em Zumbi dos Palmares. Nesta matéria, de maio de 1941, quando a grande enchente daquele ano mal havia baixado, o célebre Bataclan - um homem negro que se tornou conhecido como um dos primeiros publicistas de Porto Alegre (anunciava produtos com seu vozeirão na Rua da Praia - além de atleta (era corredor de rua), incentivador cultural e defensor de uma vida saudável (era vegetariano) iniciava um movimento para conseguir fundos a fim de construir um monumento à Princesa e que seria localizado na cidade de Curitiba, de onde muitos diziam que tal fascinante e misterioso personagem era natural. O certo é que Bataclan marcou época na capital gaúcha e foi um dos primeiros negros reconhecidos e aceitos pela sociedade porto-alegrense, como se vê nesta matéria do Diário de Notícias, jornal que não mais existe. 

sexta-feira, maio 22, 2015

Casablanca no cinema Vera Cruz, em Porto Alegre.

O cine Vera Cruz era o mais luxuoso de Porto Alegre nos anos quarenta - e o único que contava com ar condicionado. Em 1944, quando a cidade contava com pouco mais de 300 mil habitantes, havia quase trinta cinemas na capital gaúcha, com várias sessões ao dia. Neste anúncio publicado no Correio do Povo vemos o anúncio do filme - hoje um clássico - Casablanca, filmado em 1942. 

terça-feira, maio 19, 2015

No tempo em que a jogatina rolava solta; 1942.

No governo de Getúlio vargas - que era um homem da fronteira, onde a jogatina rola solta - proliferavam cassinos por todo o Brasil, e no Rio Grande do Sul não era diferente. No litoral gaúcho havia cassinos em vários locais, sendo os mais conhecidos os de Tramandaí e Imbé. Neste anúncio do Correio do Povo de fevereiro de 1942, quando o nosso país ainda não havia declarado guerra às forças do eixo, se vê como tais locais eram sofisticados, inclusive com apresentação de tenores. 

sexta-feira, maio 08, 2015

Empregados que "saibam ler e escrever".

Na década de quarenta, quando a metade da população brasileira era analfabeta, saber ler e escrever já era uma coisa boa. Neste anúncio da Carris, empresa que pertence à prefeitura de Porto Alegre, oferece-se uma vaga para condutores de bonde - o sistema de transporte coletivo que caracterizou a capital dos gaúchos até o ano de 1970, quando foi desativada a última linha. Observe-se que a exigência era, pelo menos, saber ler e escrever. O anúncio é do ano de 1944 e foi publicado no Correio do Povo. Coleção do Arquivo Histórico  Municipal Moysés Vellinho.

segunda-feira, maio 04, 2015

Casablanca nos cinemas de Porto Alegre: 1944.

Casablanca foi um dos maiores sucessos do cinema em todos os tempos. Em Porto Alegre, que na época contava com cerca de 30 cinemas, a "película" passou no Vera Cruz, então o cinema mais luxuoso da cidade - por luxuoso, nesse caso, entendia-se ter poltronas estofadas, Nesta propaganda, publicada no jornal Correio do Povo, de Porto Alegre, vê-se que a projeção aconteceu em outubro, quando o Brasil já combatia as forças do eixo  em solo italiano e a situação de Getúlio Vargas tornava-se complicada no palácio do Catete.  

domingo, maio 03, 2015

Iberê Camargo mata um homem a tiros: dezembro de 1980.


Reproduções do jornal Correio do Povo, de Porto Alegre. Coleção do Arquivo Histórico de Porto Alegre.

O dia 5 de dezembro de 1985 não foi bom para o pintor gaúcho Iberê Camargo, então já considerado o maior - dependendo do gosto - e mais valorizado pintor brasileiro. Ele, nascido em Restinga Seca, nas proximidades de Santa Maria, acabou por matar um homem de 32 anos, com um tiro da pistola que sempre levava à cinta. Bom atirador nos tempos do Exército, Iberê, com 66 anos, morava no Rio de Janeiro, que vivia a primeira grande onda de violência na cidade e que depois se tornaria permanente. O pintor foi preso, passou mais de um mês na cadeia, mas recuperou-se ao ponto de falar normalmente sobre o assunto, como aconteceu no início dos anos noventa, quando o entrevista para o jornal A Tarde, de Salvador, Bahia. A matéria mereceu uma página inteira em uma edição dominical. Lembro de um Iberê irônico e meio irritado, em sua bela e ampla casa na Vila Nova, em Porto Algere. Ele ainda não sabia  que tinha câncer, mal que o mataria poucos anos depois.