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terça-feira, julho 21, 2015

Os traficantes de sangue humano aterrorizavam as zonas rurais nos anos setenta



Quando este blogueiro (?) era criança, no interior do Rio Grande do Sul, no final dos anos sessenta e início dos setenta, nossos pais nos alertavam para a presença e possível ataque dos "tiradores de sangue", que era como se chamava então as quadrilhas de traficantes de sangue humano que atuavam principalmente nas zonas rurais, quase sempre a bordo de kombis, e visavam sobretudo as crianças mais pequenas e indefesas. Ao passar do tempo os tais "vampiros" se tornaram personagens de uma possível lenda urbana - ou rural - nada crível, motivo até de gozação por parte de quem ouvia tais relatos aparentemente inverossímeis. Mas, pesquisando na coleção dos jornais do Arquivo Histórico de Porto Alegre (entre eles a extinta Folha da Tarde), por acaso encontrei matérias falando da ação de tais pessoas, o que prova de que não era uma lenda, afinal. Na verdade o comércio e o tráfico de sangue de fato existiam, já que o produto valia muito no mercado internacional, para onde era enviado, especialmente para os países da Europa. É sempre bom lembrar que na época ainda havia o comércio legal e consentido de sangue no Brasil - pagava-se por ele para qualquer pessoa que resolvesse vendê-lo, geralmente pessoas pobres, bêbados e viciados, já que não havia exames clínicos para detectar vírus de muitas doenças, daí o surgimento de tantas doenças. Nas reproduções acima vemos que isso também ocorria em outros países das Américas - era,literalmente, o que o escritor Eduardo Galeano chamou de "veias abertas da América Latina".  

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