Translate

terça-feira, agosto 27, 2013

Camus, os loucos alegres e os frios sádicos

Sempre gostei de Albert Camus romancista, como em A Peste. Aconteceu de me cair à mão um livro dele sobre uma viagem que fez à América do Sul em 1949, quando era ainda jovem (aliás, morreu jovem) mas já muito famoso e respeitado. É um diário de viagem, delicioso de ser lido.
Lendo as anotações da viagem por várias capitais brasileiras, cresceu ainda mais a minha admiração por Camus. Ele estava deprimido quando visitou o Brasil, país do qual não levou lembranças muito lisongeiras, incluindo a sua rapidíssima passagem por Porto Alegre, cidade que achou feia, mas cuja luminosidade considerou muito bela.
Também me chamou a atenção a sua descrição do trânsito brasileiro e o seu espanto com os motoristas brasileiros. Segundo Camus, existem aqui dois tipos de motoristas: os "loucos alegres" e os "frios sádicos".
Definições estupendas - é exatamente isso, até hoje, mais de seis décadas depois. Basta ver o que acontece em Porto Alegre, cidade que, hoje, é território livre dos "motoqueiros loucos", aliás, loucos e sádicos também. Esses dias um deles quase me matou aqui em frente do edifício.
Outro fato que chamou a atenção do escritor argelino foi as cenas que viu de atropelamentos nas grandes cidades tupiniquins. Mais do que o atropelamento em si, ele achou bárbaro e revoltante o costume de se deixar o corpo estirado no local, coberto com um lençol, enquanto se aguarda, por horas e horas, a chegada da tal perícia técnica.
Eu não tinha me atentado sobre esse assunto.
Mas, pensando bem, é sim um costume bárbaro e que mostra bem o que somos. 

Nenhum comentário: