quinta-feira, abril 11, 2019

Band tem reestruturação na equipe e na grade de programação

Programa Não é Mah Ideia, com Maysa Bonissoni, não renova temporada
Band TV - Divulgação/Coletiva.net
O Grupo Bandeirantes no Rio Grande do Sul está em fase de reestruturação, anunciada em setembro de 2018, e, neste movimento, apresenta algumas mudanças na equipe e na programação. Uma delas é que o programa Não É Mah Ideia, comandado por Maysa Bonissoni, não renovou com a Band TV para mais uma temporada. De acordo com a emissora, a proposta é verificar um novo formato para voltar à grade, porém, esse retorno é incerto. Maysa, por sua vez, informou ao Coletiva.net que se dedicará exclusivamente ao seu canal de mesmo nome no Youtube.
Ao portal, a apresentadora disse que ela e sua equipe tomaram esta decisão pela demanda dos projetos digitais que estão surgindo, a exemplo do Caminhadas Piccadillly, em parceria com a Casa da Janela, além de outros trabalhos como mestre de cerimônias e influenciadora. Até segunda ordem, a TV está reprisando a atração Band Motores no horário antes ocupado pelo Não É Mah Ideia.
No que se refere à equipe, desde a última semana, a editora Karina Chaves não faz mais parte do time. Ela estava havia dois anos na empresa e, ultimamente, integrava a produção do Band Mulher. Ao portal, Karina informou que foi pega de surpresa com a demissão, porém, entende que esses movimentos fazem parte do processo de uma empresa. Outra mudança foi a saída do diretor Maicon Hinrichsen Baptista, que deixou a emissora para outro desafio profissional. Em seu lugar, assume Antonio Carlos De Marchi, que já atuava no núcleo de especiais da casa.
Em conversa com o portal, a gerente de Jornalismo da Band RS, Ciça Kramer, confirmou estas informações e mencionou a contratação do editor de esportes Matheus Schenk, para Os Donos da Bola, e das produtoras Fernanda Bierhals, no Jornalismo, e Jeniffer Casagrande, no Entretenimento. "Estamos em um processo de remodelação da redação, com algumas novidades que impactam na equipe", ressaltou a gestora.
Reprodução do texto do portal Coletiva.net, o maior portal de notícias da mídia no RGS.
Coletiva.net

Círculo Militar chega ao Jardim Botânico: 1972

Em 1972, quando o Jardim Botânico era uma vasta chácara de verdureiros, o Círculo Militar de Porto Alegre iniciava as obras da sua atual sede, à rua dona Inocência, nos altos da, hoje, parte mais nobre do bairro. Com uma estrutura invejável - o que inclui as piscinas mais belas do JB - o Círculo é um clube que congrega não somente oficiais das Forças Armadas e da Brigada como civis do Judiciário, sem contar um excelente restaurante aberto à comunidade - algo que muitos desconhecem - e no qual podem ser realizados eventos previamente agendados. 
Nesta reprodução do Correio do Povo, de julho de 1972, noticia-se a chegada da entidade ao JB. 

Páscoa: Encenação da Paixão de Cristo acontece na Rua da Cultura da PUCRS

Aberta ao público, no dia 15 de abril, a partir das 18h, a peça será apresentada pelo grupo teatral Trupe Disfarça
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Em celebração à Pascoa e integrando as ações da Quaresma na PUCRS, a Rua da Cultura recebe na segunda-feira, dia 15 de abril, a peça Celebrando a Paixão de Cristo com arte e devoção, apresentada pelo grupo teatral Trupe Disfarça. A encenação, promovida pelo Centro de Pastoral e Solidariedade, em parceria com o Instituto de Cultura, ambos vinculados à Universidade, retrata o nascimento, vida, morte e ressurreição de Cristo. O evento é gratuito, aberto ao público e acontece das 18h às 19h20min. Mais informações pelo telefone (51) 3320-3506 ou pelo site www.pucrs.br/pucrs-cultura.
Sobre a Trupe Disfarça
A Trupe Disfarça surgiu a partir de encenações para celebrar a Paixão de Cristo, realizados na comunidade da Lomba do Pinheiro, na Zona Leste de Porto Alegre, nos espaços da Paróquia Santa Clara. Através do teatro, o grupo voluntário já proporcionou entretenimento e emoção a mais de 1.800 pessoas.
Confira a programação de Páscoa no Campus
  • 15 de abril - Peça Celebrando a Paixão de Cristo
  • Local: Rua da Cultura
  • Horário: das 18h às 19h20min
  • 22 de abril – Missa de Páscoa
  • Local: Igreja Universitária Cristo Mestre
  • Horário: 18h30min

quarta-feira, abril 10, 2019

O temível Daison Pontes, sinônimo de violência, era na verade um grande zagueiro

Daison Pontes jogou até no Flamengo, mas foi dispensado por bater até nos treinos: era, porém, um grande zagueiro

Ele viveu seus últimos momentos em Passo Fundo, onde era respeitado.



Daison Pontes. O nome desse jogador está na memória dos mais antigos, aqueles que acompanhavam o futebol gaúcho nas décadas de 60 e 70. O motivo não era exatamente a sua técnica futebolística, embora todos reconhecessem que era, sim, um jogador habilidoso e excelente no trato com a bola. Só não era excelente no trato com os adversários, aos quais não media gentilezas quando se aproximavam da grande área. Pontapés, caneladas, encontrões , cotoveladase socos faziam parte do, digamos, estilo “daisoniano” de praticar futebol. Assim, ao longo do tempo, Daison Pontes se tornou um símbolo do futebol violento e detentor de um recorde no futebol brasileiro: foi expulso de campo nada menos do que 18 vezes. Chegou a jogar no Flamengo do Rio, mas foi dispensado ao final de três meses, pelas entradas violentas até mesmo nos treinos.
Daison – que era irmão mais velho de Bibiano Pontes, daquele time de ouro do Internacional, e também de João Pontes – certamente é lembrado pelo árbitro José Luís Barreto, se este estiver vivo depois de tantos anos. Era o domingo de 20 de novembro de 1974, pelo campeonato gaúcho – e o Gauchão, naqueles tempos, tinha uma certa ferocidade que alguns entendiam como virilidade, ou a tal “macheza gaúcha”. E naquele ano a vida dos árbitros não estava sendo nada fácil dentro de campo. Tudo bem que as arbitragens deixavam muito a desejar, mas o futebol é um esporte praticado com as pernas e não com os braços, ou, sobretudo, os punhos.
Talvez Daison Pontes não entendesse bem isso durante aquele jogo, em Santa Maria, entre o Inter de Santa Maria e o Gaúcho de Passo Fundo, apitado por Barreto. O time visitante vencia por 1 a 0 quando o árbitro, irritado com as jogadas duras da zaga do Passo Fundo, advertiu seus jogadores, pedindo que maneirassem nas divididas, caso contrário teria que marcar alguns pênaltis. Nove minutos antes do Gaúcho fazer o seu gol José Luis Barreto cumpriu a promessa, marcando uma penalidade máxima a favor do Inter de Santa Maria, cobrada e desperdiçada por Tadeu.  Vendo que seu apelo de não-violência não surtira nenhum efeito e que a zaga do Gaúcho continuava a baixar o sarrafo, aos 14 minutos do segundo tempo o árbitro marcou novo pênalti a favor do time da casa, desta vez praticado por ele, o temível e famoso zagueiro das entradas duras. Daison atingiu violentamente, por trás, o santa-mariense Edson, derrubando-o no gramado.
Acontece que Daison já havia dito a seus companheiros que, caso Barreto prejudicasse seu time, iria até ele e lhe daria um soco na cara. E foi exatamente o que fez: marchou até o juiz da partida e acertou-lhe um soco no rosto, abaixo do olho esquerdo e mais alguns pontapés nas canelas. Tonto e sangrando, o árbitro ainda conseguiu sacar o cartão vermelho, expulsando o zagueiro do Gaúcho de Passo Fundo. Em meio à confusão que se seguiu, com dirigentes e brigadianos invadindo o campo, Daison escapou e não mais foi visto naquele dia: dizem que fugiu da prisão em flagrante, pegando um táxi e se mandando para a vizinha cidade de Júlio de Castilhos. Quanto a José Luís Barreto, recusou ser medicado, passou um lenço no rosto e continuou apitando. O pênalti foi cobrado e desta vez convertido. Mas o jogo – que terminaria em 1 a 1 – ainda teve o jogador Leivinha, também do Gaúcho, expulso de campo.CUMPRIMENTADO NAS RUAS - Ao contrário do que provavelmente ocorreria nos dias de hoje, o zagueiro brigão não foi execrado e sim cumprimentado pelo seu ato de pugilismo, conforme descreveu o correspondente da Companhia Jornalística Caldas Júnior em Passo Fundo. “O zagueiro Daison Pontes só recebeu aplausos quando apareceu, ontem pela manhã, no centro da cidade. Durante todo o dia foi cumprimentado pelo soco que deu no juiz José Luís Barreto.” O diretor de futebol do Gaúcho foi mais adiante em suas declarações à imprensa: “Infelizmente eu não estava em Santa Maria, senão o Barreto apanharia de mim também. Todo mundo está roubando do Gaúcho e alguém tem que tomar providências. Nós compreendemos a atitude de Daison pois demonstrou que é um jogador que atua com garra, sangue e amor à camiseta. Se alguém não modificar as arbitragens, muito juiz vai apanhar”. Até mesmo o comedido comentarista esportivo, Ruy Carlos Ostermann, em sua coluna no Correio do Povo, disse entender as razões de Daison: “O futebol exige a violência. Zagueiro que joga apalpando acaba se machucando, serve apenas para incentivar os maus propósitos do centro-avante. Gosto de uma frase de Moisés, do Vasco: zagueiro não pode querer o Belfort Duarte (prêmio para os jogadores mais disciplinados) É preciso impor respeito, jogar na bola e palmo e meio adiante dela. A dificuldade é pequena: quem sabe, bate e se faz respeitado”.
Em janeiro de 1976, quando da despedida de Bibiano Pontes do Inter, Ruy Carlos Ostermann citou Daison Pontes em outra crônica: “Conheci o irmão de Bibiano, o Daison, um imenso zagueiro de área prejudicado por inúmeras contradições pessoais, mas de grande personalidade. Não a personalidade comum, organizada: era a personalidade para o gesto forte, para a empolgação.”
O soco em Barreto custou caro a Daison, punido com 1 ano e meio de afastamento dos campos, dos quais seis meses acabaram perdoados. Daison Pontes morreu em 2012, aos 74 anos, vítima do mal de Alzáimer, em sua casa em Passo Fundo, onde era funcionário público aposentado. 

Lute, em Hoje em Dia (BH, MG). A Charge Online.

quinta-feira, abril 04, 2019

Hoje o Internacional festeja seus 110 anos de fundação e de muitas glórias

A inaguração do Gigante da Beira-Rio - então o maior estádio particular do Brasil - marcou uma nova fase do Inter.

O jogo inaugural do Beira-Rio foi contra o Benfica de Portugal, em 1969. ( fotos Coleção do Conselheiro X).
No dia de hoje o Sport Clube Internacional comemora seus 110 anos de fundação - foi fundado pelos irmãos Poppe, entre outros, em abril de 1909. Campeão do Mundo, bicampeão das Américas, tricampeão brasileiro, maior time da década de 70, o colorado é um dos maiores e mais populares clubes do Brasil e um dos grandes do continente. Com muitos torcedores no Jardim Botânico, tem na linha T2 da Carris - que passa na avenida Salvador França e na Barão do Amazonas - o meio público de transporte para levá-los ao estádio. Parabéns, colorados.

domingo, março 24, 2019

Em Passo Fundo, mulheres já podem ser garis: 1975



1975 foi proclamado, pela Assembleia Geral das Nações Unidas, o "Ano Internacional da Mulher". Quem for mulher, e lembrar daqueles tempos, talvez não sinta saudades - a esmagadora maioria dos empregos era destinadas aos homens, restando pouca coisa ao "belo sexo" (professoras e telefonistas, por exemplo). Mas naquele ano as coisas começam a mudar, falando-se muito da "Libertação da Mulher". No Rio Grande do Sul surgia, pela primeira vez, oportunidade para mulheres trabalharem como garis, entre outras coisas - algo impensável até então, e considerado incompatível com a "fragilidade feminina". Vários municípios gaúchos começaram a ofertar tais vagas, como, por exemplo, Passo Fundo - famosa por seu machismo, como se vê nesta notícia do Correio do Povo.

sábado, fevereiro 09, 2019

O trânsito de Porto Alegre: 30 de maio de 2014, na memória Conselheiro X

Porto Alegre faz toscas maquiagens para receber os milhares de turistas que aqui aparecerão durante os dias da Copa do Mundo que se aproximam. Uma pintura aqui, uma placa lá, uma calçada modernizada mais adiante, um bar que muda a fachada e o cardápio, gramas aparadas nos canteiros da avenida Ipiranga, muita polícia nas ruas e avenidas principais.
Mas a capital gaúcha, em que conte algumas inegáveis qualidades, é uma cidade provinciana e isolada cujas autoridades e população ruminam a sua bovina e plácida satisfação conformista. Um lugarejo conservador e um tanto sonolento e inodoro: aqui ninguém quer ultrapassar os sinais, ir muito adiante, propor modificações maiores. Digamos, um clube restrito e de regras tácitas, uma espécie de Portugal salazarista, uma Espanha franquista na qual não se quer mudar a posição dos móveis e nem sequer trocar os mais usados ou avariados, até porque dá trabalho. Quem faz isso acaba se dando mal e é ou ignorado ou hostilizado, com o surgimento de grupos radicais, discursos e ofensas pessoais.
Fala-se no espetáculo da Copa e de tudo o que ela representa. A palavra legado - que nem o Felipão sabia o que era conforme demonstrou na televisão - talvez seja representada pelo grande número de obras inacabadas locais e pelo transtorno dos ônibus urbanos que passaram a mudar drasticamente seu itinerário devido à obstrução das ruas e avenidas nos últimos meses. Em termos coletivos e públicos, não é muito mais do que isso. Até o tal metrô, que se falou tanto há pouco tempo, já foi inteiramente esquecido por todos, nem se fala mais nele. Pior ainda: nem sequer se falou na despoluição do arroio Dilúvio e nem na cloaca do rio Guaíba, como se fazia nos anos setenta, o que talvez fosse querer muito, já que somos um povo pouco imaginativo.
Mas há algo em que deveremos, sem sombra de dúvida, surpreender os visitantes de países ditos de primeiro mundo - o nosso trânsito, a nossa "mobilidade urbana", como gostam de dizer. 
A Espanha tem as suas touradas sangrentas e vibrantes, herança "cultural", mas nós, gaúchos e porto-alegrenses, temos bem mais do que isso - temos o nosso trânsito, a peculiar riqueza humana do nosso trãnsito. E que trânsito, torcida brasileira, que trânsito!... O mais espantoso e medieval trânsito de todo o Brasil (alguém contestará?), onde os motoristas, novos e velhos, homens e mulheres, dirigindo como loucos, não respeitam pedestres, sinais de parar, faixas de segurança, nada. Uma gente que, no momento em que passa a pilotar um veículo motor, seja ele carro, caminhão, ônibus ou moto, se julga o destemido e invencível centauro dos pampas, um lanceiro vingador e inatingível enrolado na bandeira do Rio Grande, investindo contra o inimigo, na certeza da vitória prometida.
Sem querer me vangloriar da pretensa qualidade, mas sou um inveterado, ainda que inócuo e inútil, pesquisador das atualidades do passado, de antigos jornais e revistas, especialmente as da nossa província. Ou seja, procuro ter memória, mesmo daquilo que não vivi. E nisso, nas páginas amarelecidas e dormidas que retratam os fatos acontecidos, o que sobremodo sempre me chamou a atenção é a permanência da impune e despreocupada mentalidade selvagem dos nossos motoristas, naquilo que o jornal Correio do Povo de 1950, com feliz exatidão, chamou de "mentalidade de cancha-reta" dos gaúchos. Ou seja, o nosso querido e altaneiro povo acha que as nossas (?) ruas e avenidas são locais de disputa de provas, cancha-retas onde o carro é o cavalo que está disputando as célebres carreiras do nosso interior Em um país semi-bárbaro, em que o trânsito é esse horror sanguinolento que todos bem conhecem, conseguimos ser ainda piores.. 
Para se dar um exemplo de como isso é crônico: em dezembro de 1974, portanto há 40 anos e quando havia bem menos veículos na cidade, o Correio observava, em editorial: "O trânsito de Porto Alegre é um espetáculo anárquico, triste e perigoso. Jogam-se os carros nas ruas e avenidas sem muita preocupação com os demais. O pedestre parece que se tornou simplesmente um obstáculo que deve ser afastado a qualquer preço. E os veículos usados para a condução das massas, quando não se encontram em condições precárias, são conduzidos com um mínimo de cuidado  e o máximo de velocidade possível."
Imaginem então: um holandês, um francês médio que aqui chega para assistir a um jogo do selecionado de futebol do seu país - a princípio nem melhor e nem pior do que os nossos grossos xirus - e passa, por exemplo, na rua Guilherme Alves, bem defronte ao Bourbon Ipiranga, o que esse sujeito observará da nossa bela terra sulina?  
Pois eu respondo: observará este escrevinhador brigando com motoristas que saem dos subterrâneos do shoping sem respeitar quem está atravessando a faixa de pedestres, tocando o veículo por cima, xingando, rindo, debochando. E às vezes também atropelando, ferindo, mutilando e matando. Mas isso é assunto para depois, para amanhã, que o espaço já se esgotou. (V.M.)
Nani, em A Charge Online.

terça-feira, janeiro 29, 2019

Júlio Fürst foi Mister Lee nos anos setenta e marcou a história do rádio gaúcho

Fürst: os quarentões e cinquentões lembram bem dele.

Extraído da Coletiva.Net. Republicação 2009
Criativo, inquieto e audacioso, o comunicador Julio Cezar Fürst nunca teve medo de arriscar e experimentar o novo. O gosto por desafios foi a chave que abriu muitas portas ao longo dessas quase quatro décadas de profissão. Ele iniciou a carreira no rádio como programador graças ao extenso conhecimento musical e, ao assumir o comando dos microfones, para disfarçar a inexperiência e a ausência da voz grave – típica de um locutor da época – criou alguns personagens caricatos memoráveis: em 1972, se apresentou aos ouvintes gaúchos como Julius Brown, o rei da black music, e, mais tarde, como Mister Lee, o cowboy do rádio. Atualmente, no comando dos programas Fim de Tarde Itapema e Movimento Itapema, ele é conhecido por Julio Fürst, o que não é pouco, já que é uma verdadeira marca neste setor.
A paixão pelas notas musicais é uma herança genética, pois Julio vem de uma família toda composta por músicos: seu avô tinha uma orquestra, o tio era tecladista e se apresentava em navios viajando pela Europa, o pai teve uma banda e ainda tocava bateria, acordeão e piston, e a mãe, além de acordeão, tocava cítara. Já o comunicador começou a tocar bateria com 14 anos e exerceu esta atividade ao longo dos anos 60 no grupo musical chamado ‘The Rockets’, formado por amigos e vizinhos de rua. Em 1968, teve que se afastar da banda para prestar serviço militar e, ao retornar, o grupo não existia mais. Resolveu, então, montar um trio de bossa nova, mas que, depois de algumas apresentações, também foi extinto.
Ainda no final da década de 60, se aventurou no mundo empresarial e comprou uma loja, a Mozart Discos, no bairro Moinhos de Vento. “Era a primeira loja de discos fora do centro de Porto Alegre”, diz. Foi através desse empreendimento que Julio começou a aprimorar seu conhecimento musical.
Uma vida no rádio
O início da vida profissional deste comunicador, que nasceu em Porto Alegre em 8 de outubro de 1949, aconteceu em 1972, como programador musical, na recém-criada Pampa AM. Um dos clientes mais freqüentes da loja fez a indicação de seu nome para o dono da emissora, Otávio Gadret. O objetivo de Gadret era montar uma rádio com programação jovem e que fosse concorrente direta da Continental, conhecida como a ‘rádio rebelde de Roberto Marinho’ e que integrava o Sistema Globo de Rádio. “Até então, nunca tinha entrado em uma emissora, mas sempre tive uma certa afinidade com o rádio. Era um ouvinte assíduo e chegava a dormir com o aparelho ligado, porque gostava de ouvir música e por ser um meio de comunicação fascinante, por fazer companhia para as pessoas e mexer com o imaginário delas. A música me levou para o rádio e me mantém lá até hoje.”
Julio foi contratado para fazer a programação musical da emissora, mas, alguns dias depois, Gadret lhe propôs um desafio: teria que criar um programa e assumir o comando dos microfones. Devido à inexperiência e por não possuir uma voz grave, decidiu criar seu primeiro personagem, o Julius Brown, uma mistura de Julio Fürst com James Brown. O objetivo, segundo ele, era fugir do compromisso de ter um ‘vozeirão’ e fazer algo diferenciado.
Um ano depois, recebeu uma proposta irrecusável da Rádio Continental e foi atuar na concorrente, levando junto o personagem. Julius Brown deixou de existir em abril de 1975 e deu espaço a outra figura que marcou época no rádio gaúcho. Através de uma iniciativa da MPM Propaganda, nasceu o Mister Lee, um cowboy vestido de calça Lee, marca que estava iniciando suas operações no mercado brasileiro. Além de divulgar a marca, o programa apresentado por Fürst rodava música country e local e deu origem ao concerto ‘Vivendo a Vida de Lee’, que foi realizado até 1978 em Porto Alegre, interior do Rio Grande do Sul e Curitiba.
Em 1980, convidado por Pedro Sirotsky, foi para a RBS integrar a equipe que colocou no ar a Rede Atlântida FM e ali permaneceu por mais quatro anos. Depois, na década seguinte, registrou passagens pela Rádio Cidade, Jornal do Brasil, Universal FM, e Band FM e, em 1990, regressou para o Grupo RBS para atuar na Itapema FM, onde durante 14 anos exerceu o cargo de gerente de programação e diretor artístico.
Entre tons e sons
O apresentador prestou vestibular para Economia, cursou Administração até o último ano e não obteve diploma, mas acabou fazendo da paixão pela música o seu ganha-pão. Além de ser comunicador, há sete anos montou juntamente com o sócio João Antônio a casa de shows Abbey Road Studio Pub ,nome inspirado em um dos mais importantes estúdios da música mundial: EMI`s Abbey Road Studios. Criado em novembro de 1931, na Inglaterra, o estúdio londrino também foi homenageado no 12° e penúltimo álbum dos Beatles.
Em sua casa, guarda uma coleção de discos, a qual já chegou a contar com mais de 11 mil exemplares e que agora foi reduzida devido à falta de espaço. “Sou um comprador de discos, mas sempre ganhei muita coisa. Tenho uma boa discoteca de black music, anos 70, música country, MPB, rock e pop rock. Gosto do atual e sou contemporâneo. Estou sempre buscando coisas novas, mas ainda prefiro ter o objeto e pegar na mão. É uma sensação de posse.”
A rotina do comunicador atualmente se divide entre o bar, a família e os estúdios da Itapema. Julio vive há 40 anos com a esposa Maria Tereza, carinhosamente chamada de Tetê, que ele conheceu na época em que prestou serviço militar, em 1968. Maria Tereza era irmã de um colega seu de Pelotão. Eles têm três filhas: Cândida, 31 anos, psicóloga; Daniela, 28, bióloga; e Fernanda, 26, pedagoga. As noites de domingo do casal são reservadas às sessões de cinema. O repertório é eclético e inclui filmes de ação, comédia, drama e romance. Quanto à culinária, esta é uma área onde nem um dos dois pensa em se arriscar: “Cozinhar não é com a gente. Chego a ter inveja daqueles, principalmente os homens, que vão à cozinha e que sabem o que fazem lá. Definitivamente, isso não é comigo!”Júlio não abre mão de, pelo menos, três vezes por semana jogar tênis. O primeiro contato com o esporte ocorreu aos 15 anos de idade, incentivado pela mãe, que o presenteou com uma raquete. Ele desistiu dos treinos devido ao trauma que tinha de uniformes: “Achava um esporte meio pernóstico. Já bastava minha época de colégio, onde tinha que andar sempre uniformizado e onde costumava treinar só deixavam entrar na quadra se estivesse de meia, tênis, calção e camisa pólo branca. Então, deixei de treinar”. A prática só foi retomada uma década depois.
Em 1986, quando trabalhava na Band, inspirado pela paixão pelo esporte criou um programa que trazia ao FM notícias sobre o mundo tênis. A partir de 1997, graças a essa iniciativa, fez diversas coberturas internacionais nos EUA e na Europa, onde o ‘Repórter Raquete’acompanhava o talentoso novato Guga. “Na época trabalhava na Itapema e o que a gente fazia era inédito, pois, nas coberturas, não via nenhuma emissora de rádio na beira da quadra fazendo boletins ao vivo como eu fazia”, diz.
Duas décadas de humor-musical
Durante 20 anos, Julio integrou o grupo de humor-musical ‘Os Discocuecas’, como baterista. O conjunto fez sucesso nacionalmente. Além de shows, gravaram cinco discos e um CD, fizeram diversos espetáculos teatrais, realizaram shows pelo país inteiro e tiveram participações em programas comandados por Chacrinha, Sílvio Santos e Raul Gil. “O último disco de vinil da nossa banda continha um rock gaudério, o ‘Não me faz’, que serviu de gancho para o Magro do Bonfa, na Escolinha do Chico Anísio, que dizia: ‘Só não me faz te pegar nojo’”, conta. Em 1997, o grupo, que também era integrado por Gilberto Travi, Beto Roncaferro e Toninho Badaró, deixou de existir.
Ele se define como um ser perfeccionista e pontual em excesso e afirma que este foi um hábito adquirido com a profissão. “Se na grade de programação consta que um programa vai ao ar às 17h ele entra no ar exatamente neste horário, nem cinco minutos a mais nem a menos! Isso é um defeito, pois sou chato e intolerante com atrasos. Já agi com indelicadeza devido a essa característica”, conta. Modesto, o radialista não gosta de falar de suas qualidades e prefere que as outras pessoas percebam isso nele.
Na mesma trilha
Júlio se define como um profissional totalmente realizado e diz que, se tivesse que voltar atrás, faria tudo novamente e do mesmo jeito. Sua única lamentação foi não ter se dedicado mais aos estudos. “Minha cabeça sempre esteve voltada para a música e para minha banda. Se tivesse estudado mais, teria aproveitado mais as oportunidades que tive como, por exemplo, as coberturas internacionais. Poderia ter feito contatos, trocado informações e absorvido mais das culturas. Também gostaria de ter morado fora, mas como meu inglês só servia para obter as coisas mais básicas, me privei destes conhecimentos.”
Ao olhar para sua trajetória, o apresentador diz sentir falta de muitas coisas, como da sua loja de discos, da sua banda e dos concertos realizados. “Mas eu não fico pensando que aquela sim é que era uma época boa. Acho que tudo tem seu tempo para acontecer e hoje estou em outra fase. Eu não sou uma cara saudosista, entretanto, quando olho para trás tenho certeza que começaria tudo outra vez. Quando a gente faz as coisas com paixão, não se arrepende jamais e, com certeza, faria tudo novamente”. (Coletiva.Net)

Na foto eu tenho três anos de idade, no início dos anos sessenta, e sou uma criança morena com os pés dentro da água do mar e um barco de pesca ao fundo. Mais adiante, casas e chalés de madeira.
Tá aqui a data - 1964. Local: praia de Itapema.
Itapema não era nada, então. Aluguava-se a casa dos pescadores por merrecas, e se ficava por lá o verão inteiro. Comprava-se peixe dos próprios pescadores e à noite não havia luz elétrica - só milhares de estrelas refulgindo contra o profundo céu escuro. Uma grande lua surgia de repente, e todos passeava na beira da praia, que era segura e silenciosa.
Havia muitas conchas, conchas enormes e lindas, além de estrelas do mar, também imensas. catávamos aquilo e trazíamos como souvenir para a nossa casa, em um posto indígena no interior do Rio Grande do Sul.
Hoje não há mais casas de madeira na beira mar de Itapema, e as conchas e as estrelas do mar praticamente desapareceram. Quem comprou terrenos e casas no litoral catariense, naquela época de simplicidade e barateza, hoje está rico.
Jroge Braga, O Popular (GO). A Charge Online. 

domingo, janeiro 27, 2019

Caco Barcelos, ex-taxista, acho que o acaso foi determinante na sua carreira

Extraído do portal Coletiva.net, com autorização. Publicação original em 19 de maio de 2009. Republicação

Cláudio Barcelos de Barcelos tem medo da morte, mas, ao longo de  40 anos de carreira, o repórter gaúcho não hesitou em colocar sua vida em risco, e por diversas vezes. Tudo em nome do Jornalismo. Sinônimo de qualidade e, também, referência na reportagem investigativa, Caco Barcellos se especializou em matérias que denunciam abusos, violência e injustiça social. Aos 59 anos, acumula experiência como repórter da Rede Globo, onde comanda e divide o programa “Profissão Repórter” com jovens profissionais em início de carreira.

Caco contabiliza mais de 20 prêmios de jornalismo, entre eles uma das maiores distinções do meio, o Prêmio Vladimir Herzog. É autor dos livros “Nicarágua: a revolução das crianças”, de 1982, “Rota 66 - A História da Polícia que Mata”, de 1992, e O Abusado: O Dono do Morro Dona Marta, de 2003. As duas últimas obras publicadas lhe custaram anos de investigação (oito apenas no Rota 66) e lhe renderam dois Prêmios Jabutis, em 1993 e 2004, além, é claro, de inúmeras ameaças. Depois da publicação deste livro, que levou à identificação de mais de quatro mil vítimas jovens e pobres dos policiais paulistas, passou um período fora do Brasil, como correspondente da Rede Globo em Londres. No ano passado, recebeu o Prêmio Especial das Nações Unidas, como um dos cinco jornalistas que mais se destacaram, na defesa dos direitos humanos no Brasil.

Acaso, o culpado
Na vida e na carreira de Caco, o acaso sempre foi uma constante amigável e foi por mera casualidade que ele foi parar no Jornalismo. Depois de concluir o Ensino Médio, no Colégio Júlio de Castilhos, o Julinho, decidiu que estudaria para ser engenheiro. Gostava de escrever desde criança, mas tinha vergonha de mostrar seus textos. O amor às letras superou a timidez quando concordou em colaborar com o jornal do Centro Acadêmico de Engenharia.
Mais tarde, em uma verdadeira “fase hippie”, escrevia para uma publicação que era vendida de mão em mão nas ruas por ele e seus amigos. Certa vez, o impresso foi adquirido por um jornalista, que gostou do resultado e convidou os jovens para fazerem um teste na inovadora Folha da Manhã, do grupo Caldas Júnior. A paixão pela profissão foi imediata. Foi admitido como estagiário, em 1973, mas os colegas não sabiam que Caco era estudante de Engenharia. Quando os editores manifestaram interesse em contratá-lo, correu para fazer a transferência para a Comunicação.
Nessa época, para pagar a faculdade e ajudar nas despesas de casa, além de atuar na Folha da Manhã, trabalhava como taxista. Caco exerceu a atividade dos 18 aos 23 anos, mas nenhum dos seus colegas da FM sabia. “Lembro que meu ponto era junto a um hotel no centro da cidade, e eu morria de medo de os meus colegas me flagrarem e pensarem: ‘mas taxista não pode trabalhar em redação’. Até que um dia alguém me descobriu e, ao invés de brigarem comigo, me mandaram escrever uma matéria sobre a minha experiência como taxista”, conta. Quando o salário melhorou, deixou a praça.
A saída do jornal do grupo Caldas Júnior ocorreu em 1975, em um episódio “muito chato”, segundo ele. Uma matéria que estampava sua assinatura resultou na demissão de 21 profissionais do jornal, incluindo ele mesmo. O texto tratava das “partidas de futebol” que ocorriam na delegacia de Canoas, onde presos eram torturados e agredidos com pontapés. O “jogo” contava ainda com um “juiz” que apitava para alertar os agressores da presença de pessoas indesejáveis. A matéria não agradou à Secretaria de Segurança, que exigiu o afastamento do repórter. Ele foi demitido, e, solidários, demitiram-se as duas dezenas de colegas.
Depois disso, dedicou cerca de cinco anos à imprensa alternativa, tendo atuado na Coojornal e na revista Versus, pela qual viajava pela América do Sul e Central em busca de boas histórias sobre os povos latinos. Nas quase quatro décadas de profissão, também passou por importantes jornais e revistas brasileiras, como Veja e Istoé.
Os olhos brilhantes e o tom da fala não enganam: Caco tem orgulho de nunca ter deixado de ser repórter “um dia sequer”. A única vez que deveria ter exercido um cargo de chefia, como editor-substituto no Jornal da Tarde, em São Paulo, foi tomar um cafezinho, viu uma movimentação estranha no hotel em frente à lanchonete onde estava e se infiltrou na equipe médica que atendia à ocorrência. E naquele dia, ao invés de fechar a edição do jornal, preocupou-se em desvendar um homicídio misterioso. Às 3h da madrugada, o jornalista, que começou o dia como editor, chegou à redação com um texto exclusivo em mãos.
Apesar das raízes no jornalismo impresso, em 1985, quando morava em Nova Iorque, ficou encantado com as reportagens televisivas. Já havia recebido um convite para integrar o time de jornalistas da Rede Globo, mas recusou por considerar a emissora muito “oficialista”. Voltou atrás e, em seguida, virou repórter do Jornal Nacional, do Fantástico e do Globo Repórter. Há 10 anos, criou um projeto inovador: queria fazer reportagem com vários olhares simultâneos, e ao mesmo tempo revelar os bastidores, os erros e os acertos, as dúvidas, as questões éticas do trabalho. Assim, em 2006 nascia “Profissão Repórter”. O programa, que nasceu como quadro do Fantástico, hoje é exibido todas as terças-feiras à noite.
Pé no acelerador
Caco nunca fumou nem usou drogas e – surpresa, em se tratando de jornalista... – nunca tomou um porre. Não faltaram tentativas para embebedá-lo, mas, segundo ele, essa é uma tarefa difícil: quanto mais bebe, mais sóbrio e careta fica. “Certa vez, na Guatemala, eu e meus amigos tomamos três garrafas de rum. Fui dormir sóbrio, e caí da cama, também sóbrio, mas vibrei como se aquele fosse meu primeiro porre. Na verdade, tratava-se do maior terremoto da história da Guatemala”, conta. O fenômeno matou mais de 20 mil pessoas, e, acaso do destino, Caco e seus companheiros formavam a única equipe brasileira no local, que acabou tendo que se dividir entre a cobertura e o socorro às vítimas. A primeira esposa do jornalista, a fotógrafa Avani, também estava no local e grávida do primeiro filho do casal.
Depois do episódio, Caco e Avani fixaram residência em São Paulo para que o pequeno Ian pudesse nascer. Ele lembra que, com o dinheiro da publicação dos textos sobre o terremoto, o casal conseguiu pagar os três meses de caução do imóvel alugado na capital paulista e, ainda, proporcionou certa estabilidade para a jovem família. Hoje, está em seu segundo casamento, com a estilista Beatriz Fragelli, a Bibi, e com ela tem dois filhos, Yuri, 18 anos, e Alice, 10 anos. Do primeiro matrimônio, tem o primogênito Ian, 32 anos.
Calmo, determinado e extremamente responsável, Caco agradece e credita à família os traços positivos de sua personalidade. Da infância, diz trazer lembranças maravilhosas: cresceu no bairro Paternon, em Porto Alegre, no pé do Morro da Cruz, numa rua de chão batido que não tinha nem saneamento básico. “Tive a felicidade de ter uma igreja progressista perto de casa, que estimulava a convergência da molecada dos bairros da vizinhança. A igreja promovia encontros para futebol, que reunia 600 moleques, todos uniformizados e que disputavam campeonatos interbairros”, relata.
O jornalista relata que os jogadores Jorge Guaraci, ex-Portuguesa e Corinthians, e Flávio Minuano, ex-Internacional, Corinthians, Santos e Seleção Brasileira, foram descobertos por “olheiros” do time de várzea. Na vila, também levava uma atividade social muito intensa e lá aprendeu datilografia, linotipia, encadernar livros e noções de primeiros socorros. Ser jogador de futebol era, na realidade, seu grande sonho. “Acho que teria sido mais feliz”, avalia. Hoje, um programa do qual o colorado e flamenguista de coração não abre mão é “bater uma bolinha”. Caco, que se define como um "falso ponta-esquerda que corre na diagonal”, joga no São Paulo Athletic, o Spac, primeiro time profissional do Brasil. Pela equipe, já jogou três vezes no Pacaembu e, numa das ocasiões, colocou uma bola na trave. "Espero ansiosamente pelo dia em que o Dunga vai reconhecer meu talento e me convocar para a Seleção Brasileira”, brinca.
Nascido na capital gaúcha, no dia 5 de março de 1950, é filho da dona-de-casa Antoninha e do frentista e taxista Nérsio, já falecido, e tem uma irmã, Neusa. Os pais humildes nunca mediram esforços para proporcionar qualidade de vida aos filhos. Caco lembra que Nérsio possuía três empregos para garantir o sustento da família. Foi daí que o jornalista herdou o lado batalhador, mas, diferentemente do pai, a frequente e exaustiva rotina de mais de 24 horas de trabalho não é por necessidade e, sim, paixão.
“Quanto eu tive acesso à classe média, me dei conta que tinha amigos que eram carentes, que tinham o máximo de coisas materiais, mas não tinham a convicção e a segurança que eu possuía dentro da minha casa. Muitos meninos tinham seus carros, mas não tinham o mínimo de atenção dos pais. A base toda da minha segurança, de poder sair e viajar pelo mundo, foi meus pais que me deram. Sempre tive a sensação de que eles deram o máximo que poderiam para mim. Sou eternamente grato”, registra.
Com o pai Nérsio, aprendeu a dirigir e, entre várias lições, figura uma que carrega até hoje como forma de filosofia de vida. “Meu pai dizia que o mundo, assim como o trânsito, se divide entre as pessoas que brecam e as que aceleram. Então, não freio. Quando tenho que frear, uso o câmbio, troco de marcha e acelero. Quem breca tem mais chances de capotar, mesmo a 40 por hora”.
E é assim, em ritmo acelerado, que Caco segue a vida. Atualmente, além de passar dias em busca de boas histórias, varar as noites em ilhas de edições e jogar peladas nas poucas horas vagas, trabalha em mais um livro. Em entrevista à Revista Trip, em fevereiro deste ano, revelou que o assunto da próxima obra será sobre a cultura da violência e que será uma “encrenca que vai incomodar muita gente”. Refém da excelência e da qualidade do próprio trabalho, o gaúcho de origens modestas faz história no Jornalismo e, para o futuro, tem um sério projeto: morrer trabalhando. “Se conseguir ir trabalhando até o fim, que maravilhoso para a saúde!” (Coletiva.Net)

Júlio Andreatta, com seu Ford 1940, o grande vencedor do Circuito Zona Sul






O automobilismo sempre foi um esporte de grande destaque no Rio Grande do Sul, durante quase todo o século 20. Nomes como Norberto Jung, Júlio e Catarino Andreatta (irmãos), Diogo Elwanger, Breno Fornari e muitos outros enfrentavam estradas de chão em corridas épicas, como o Circuito Zona Sul, realizado em maio de 1950 e que entrou para a história das corridas de carro no Estado. Com um percurso de quase 1000 quilômetros, entre Porto Alegre e Bagé, ida e volta, o Circuito era promovido por grandes entidades gaúchas, com apoio especial da Companhia jornalística Caldas Júnior, em especial a Folha da Tarde. Um avião acompanhou os 34 corredores - entre eles o maior astro do automobilismo brasileiro, Chico Landi, que veio de São Paulo especialmente para a prova - os quais desenvolveram a espantosa média de mais de 90 km horários, atravessando terrenos encharcados e precárias pontes até chegar à Rainha da Fronteira. A Rádio gaúcha transmitiu toda a corrida, ao vivo. O grande vencedor, porém, não foi Landi e sim o gaúcho Júlio Andreatta, uma das lendas dos primórdios do esporte no Brasil. Ele dirigia um Ford 1940. Aido Finardi ficou em segundo lugar e Landi no décimo. Reprodução do Correio do Povo. Julio Andreatta faleceu com pouco mais de 60 anos, em 1981, tendo abandonado as provas em 1963, com menos de 50 anos de idade.


terça-feira, janeiro 08, 2019

Barão do Amazonas, Guilherme Alves, Felizardo...





O Jardim Botânico tem ruas com nomes sonoros e expressivos - Chile, Buenos Aires, Valparaíso, Itaboraí, Barão do Amazonas etc. Veja abaixo o significado de algumas delas, onde muitos de vocês residem ou trabalham.
A rua 18 de Novembro, aquela ao lado do Bourbon e onde está a churrascaria do 35 CTG, bem que poderia, por exemplo, homenagear Jimi Hendrix, o músico genial, falecido nesse dia, em 1970. Mas homenageia mesmo é a rendição dos inimigos na Guerra do Paraguai.

BARÃO DO AMAZONAS – Rua que atravessa os bairros Petrópolis e Partenon. Começa na Protásio e acaba na Paulino Azurenha, com mais de 3 km de extensão. Na Planta Municipal de 1916, convergiam para a atual Bento Gonçalves duas pequenas vias, que eram então novas e de pequena extensão: a própria Barão, vinda dos lados do Arroio Dilúvio, e a avenida Esmeralda, que subia até a meia encosta do morro de Santo Antonio.
Até a década de 30 essa duplicidade de nomes continuou. Com a unificação, pela lei de 6.7.1936, mudou-se a denominação de avenida Esmeralda para Barão do Amazonas. Com o desenvolvimento de Petrópolis, esta rua prolongou-se até a Protásio Alves e, no sentido oposto, do Partenon, subiu o morro e superou a crista, descendo no rumo da Glória, até se encontrar com a Paulino Azurenha.O nome é uma homenagem ao Almirante Francisco Manoel Barroso, o Barão do Amazonas.

GUILHERME ALVES - Atravessa os bairros Jardim Botânico e Partenon. Começa na Ferreira Viana, passa pela Ipiranga e acaba na rua Mario de Artagão, Partenon. Aparece na planta de 1916 com o nome de rua Progresso. Pela lei número 2, de 6.7.1936, ganhou a denominação atual.Guilherme Alves, para quem não sabe (e poucos sabem), foi o primeiro construtor dos grandes e modernos trapiches na rua 7 de Setembro, no centro de Porto Alegre, aqueles mesmos armazéns que mais tarde passaram a ser propriedade da Cia Costeira. Graças à sua iniciativa, foram construídas várias edificações residenciais no Partenon, precisamente na atual rua Guilherme Alves, que ele organizou e construiu.O progresso da rua foi vindo aos poucos. Na planta de 1928, era apenas um logradouro do Partenon, sem ter ainda ultrapassado o Arroio. Na planta de 1949 já se achava plenamente instalada no Jardim Botânico.

FELIZARDO - Jorge Godofredo Felizardo nasceu em 9.11.1901, em Porto Alegre, e faleceu em primeiro de fevereiro de 1966. Foi engenheiro agrônomo, professor catedrático de Zoologia da Faculdade de Agronomia da URGS e do curso de História Natural da Faculdade de Filosofia da PUC, além de allto funcionário da Secretaria de Agricultura. Foi ainda genealogista e membro do Instituto Histórico e Geográfico do RS.

18 DE SETEMBRO – A data marca a rendição do Paraguai, na Guerra do Paraguai, quando forças paraguaias, cercadas pelo exército brasileiro, em Uruguaiana, se rendem sem condições. Dezenove anos depois, para comemorar o fato, foram libertados todos os escravos existentes na cidade. Conforme os registros da História, no dia 18 de Setembro aconteceu também, em diferentes anos, os seguintes feitos: o brasileiro Amyr Klink completa, em 1984, a travessia do oceano Atlântico em um caíque, sua primeira de muitas proezas; o governo militar senciona a Lei de Segurança Nacional, em 1969, prevendo inclusive pena de morte, prisão perpétua e banimento; em 1946, a teceira constituinte brasileira promulga a Constituição Brasileira.É também o Dia dos Símbolos Nacionais, Dia do Perdão.Santos do dia: José de Copertino, Metódio de Olimpo, Ricarda.Curiosidades: em 18 de setembro de 1950 entrou no ar a TV Tupi, de São Paulo, dando início à Era da TV no Brasil. Só havia tevê então em quatro países: EUA, Inglaterra, Holanda e França.Em 18 de novembro morre Jimi Hendrix, em 1970. Nasce Greta Garbo, em 1905. É também o dia da fundação da Central Inteligency Agency, CIA, em 1947, e da fundação do jornal New York Times, em 1851. O Chile comemora sua Independência neste dia, no ano de 1818.
JOÃO de CASTILHOS, ROQUE GONZALES E AFONSO RODRIGUES - Mártir jesuíta católico do início da história doBrasil. Viveu apenas três anos, tendo nascido na Espanha, em 1595. Catequisou nas Reduções e foi morto e torturado pelos indígenas, depois dda morte de Roque Gonzalez e Afonso Rodrigues, mais tarde canonizados pela Igreja. João foi morto dois dias depois dos seus irmãos , na região hoje do Alto Uruguai..Três ruas do JB homenageiam tais mártires.
CHRISTIANO FISCHER - Avenida que separa o JB do Jardim Carvalho e do Jardim do Salso. O Doutor Christiano Fischer foi um dos principais fundadoes da Faculdade Livre de Medicina de Porto Alegre, Também ministrou a Cadeira de Qúimica. Em 1906 fundou a Farmácia Fischer, também em Porto Alegre.
8 de Juljo - Pequena rua que vai da18 de Setembro, na lateral leste do shopping Bourbon Ipianga, até a Salvador França.Oficialmente, é o Dia Nacional da Ciência.
MACHADO DE ASSIS -(Joaquim Maria Machado de Assis)- Foi o maior escritor brasileiro e o fundador da Academia Brasileira de Letras. Mulato, pobre, carioca nascido em 21 de junho de 1939, é autor dos romances Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro e Quincas Borba, além de obras em outros gêneros. Reconhecido internacionalmente, foi hamado de O Bruxo do Cosme Velho e continua a ser um ícone literário até hoje. Era epilético e faleceu com menos de 70 anos, sem deixar filhos. A rua em seu nome termina na Praça Nações Unidas.


sábado, janeiro 05, 2019


Hoje Daine Keaton completa 75 anos. E no dia de hoje, em 2014, faleceu o cantor Nelson Ned.

segunda-feira, dezembro 24, 2018

Universal, um clube que deixou saudades no Botânico


O Grêmio Esportivo Universal marcou época no Jardim Botânico. Ainda hoje os mais antigos - e os nem tão antigos assim - lembram dele com saudade e carinho. Com dois campinhos localizados onde hoje está o Shopping Bourbon Ipiranga, o clube era democrático, eclético e papava muitos torneios pelas redondezas. Nesta foto, de 1956, o time do Universal, tendo ao centro, segurando o pavilhão, a sua madrinha, Eliane Squeff.
Alguém se identifica na foto?
(gentileza: dona Dorsa)

quarta-feira, novembro 28, 2018

terça-feira, novembro 06, 2018






Hoje Ray Conniff faria 102 anos, Sally Field faz 72, Ciro Gomes completa 61, Leona Cavalli faz 49 e Daniella Cicarelli 40 anos. E no dia de hoje, em 2013, faleceu o ator Jorge Dória. 

sábado, outubro 27, 2018

Paulo Francis: a morte como anestesia geral


PUBLICADO NO CONSELHEIRO X EM OUTUBRO DE 2008

Quem não lembra dele, com aquele óculos fundo de garrafa, a fala afetada, dizendo poucas e boas, não raro mentindo e não raro acertando na mosca? Um dos jornalistas mais cultos e mais lidos do Brasil (escrevia inicialmente na Folha de São Paulo, passando depois para o Estado, que distribuía sua coluna para dezenas de outros jornais brasileiros), considerado arrogante e direitista por muitas, lúcido por outros, Paulo Francis tinha um humor ranzinza - e talvez seja este humor que esteja fazendo falta hoje, nove anos depois da sua morte, em 4 de fevereiro de 1997, em Nova Iorque, aos 66 anos.


Francis - nascido Franz Paulo Trannin Heilborn, em uma família de classe média alta do Rio de Janeiro - nunca fez curso superior, foi trotskista na juventude, dos 14 aos 27 anos leu em média seis horas por dia, participou dos áureos tempos do Pasquim, foi preso pela ditadura militar, ofendeu todo mundo (inclusive Roberto Marinho, que comparou a um emissário de merda, o "robertoduto". Depois foi trabalhar para as Organizações Globo: Marinho não guardou mágoas do episódio) e, por essas e outras, morreu de infarto em seu apartamento na cidade que ele considerava a Capital do Mundo. Também parecia não gostar de negros e nordestinos - certa vez chamou o Nordeste "desta região desgraçada do País." (desgraçado não no sentido de pena, observe-se) Quanto aos seus comentários culturais, era igualmente ácido - simplesmente desprezava o moderno cinema nacional e considerava quase todos os intelectuais como subservientes ao poder. Na esfera política, tornou-se célebre a denominação que deu ao senador Eduardo Suplicy (e sua irritante fleuma) - "Mogadon", o nome de um remédio.


Paulo Francis vivia então (1997) um dos mais complicados períodos da sua vida: estava sendo processado pelo presidente da Petrobrás (do governo FHC), Joel Rennó, e mais outros seis diretores da estatal. Eles pediam nada menos do que 100 milhões de dólares por ressarcimento moral, uma vez que o jornalista havia dito, durante sua participação no programa Manhattan Connection, da Globosat, que`"os diretores da Petrobrás põem dinheiro na Suiça", "roubam em subfaturamento e superfaturamento", "é a maior quadrilha que já existiu no Brasil". Pior: disse isso tudo sem nenhuma prova consistente e certamente iria perder o processo e ter que pagar uma bolada grossa para essa gente. Aliás, já estava gastando os tubos com advogados - ele, o jornalista mais bem pago do Brasil, ainda assim não tinha como fazer frente às despesas com honorários (ele próprio calculos que o processo se arrastaria por uns cinco anos e lhe custaria, só com os advogados, no mínimo 200 mil dólares). Segundo Francis, o objetivo da ação era arruiná-lo financeiramente. Transtornado, passou a ingerir calmantes em doses maciças e a sentir dores nos ombros, o que julgou um sintoma da sua bursite e não de problemas cardíacos, os quais até seu médico desconhecia.


É de se imaginar que, se estivesse vivo hoje, o que ele não diria do governo petista, de Lula e companhia. Para esses, felizmente, ele morreu antes.




Uma palhinha de Paulo Francis:


"A morte deve ser como a anestesia geral"


"Bebi muitos anos. Para ficar bêbado. Não vejo outra razão. O bebedor social é coisa de pequeno-burguês"


"Fidel Castro é essencialmente um conservador feudal, um feitor de fazenda, a quem a idéia de inovações, de modernidade, horroriza"


"A melhor propaganda anticomunista é deixar os comunistas falarem"


"Acho que a tendência do intelectual é ser de direita. Ele é, por definição, um elitista"


"É preciso meter as mãos na cabeça raspada do Vicentinho língua-presa. Eu lhe daria uma chicotada para ver se reage docilmente como escravo.""Dizem que ofendo as pessoas. É um erro. Trato as pessoas como adultas. Critico-as. Crítica não é raiva. E crítica, às vezes, é estúpida."


"Nenhum filme brasileiro dá certo porque todos os cineastas tentam demagogicamente se colocar na posição de humildes. É falso, visceralmente. Sempre que vejo algum favelado em filme brasileiro tenho vontade de sair gritando: é um santo! É um santo!"

"O negro africano não tinha língua escrita, como notaram os exploradores da África do século XIX; logo não pode, pela ordem natural das coisas, possuir uma cultura como a entendemos."


"Quero que fique registrado que eu favoreceria o fechamento do Congresso ou qualquer outra dessas instituições reacionárias que impedem o progresso do País."
Texto e pesquisa: Conselheiro X

quinta-feira, outubro 25, 2018

Drummond, o poeta que perdeu a vontade de viver

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Carlos Drummond e Andrade

Já se vão quase 30 anos que Carlos Drummond de Andrade morreu. Para muitos, o maior poeta brasileiro de todos os tempos, Drummond - pouca gente lembra - faleceu 12 dias depois da morte da sua filha, Maria Julieta. E, conta-se, morreu de desgosto, de falta de vontade de viver, aos 84 anos de idade, às 8h45 minutos do dia 17 de agosto de 1987, uma segunda-feira, no Rio de Janeiro, onde morava havia muito tempo. Sepultado sem orações ou discursos - como pediu, já que era ateu (ou agnóstico, como queiram), Drummond estava internado no hospital, vítima de dores no peito. Cardíaco, já havia sofrido infartos anteriores. Foi sepultado no cemitério São João Batista, na presença de quase mil pessoas - entre eles o presidente em exercício, Ulysses Guimarães - Sarney estava no exterior.

Sua única filha - de quem era não só pai, como o maior amigo ("eles se entendiam só pelo olhar", disse um amigo) - não havia resistido a um câncer generalizado. No enterrro, o poeta confidenciou a um amigo: "Não tenho mais futuro, acabou tudo para mim". Doze dias depois, ele se deixou levar. Coisas que acontecem.

LIXO COMO PRESENTE - Homem fechado, reservado, arredio, tímido, meticuloso como todo bom mineiro, Drummond - nascido em Itabira, em 31 de outubro de 1902, em uma família de fazendeiros - publicou 30 livros de poesia (mais os de crônicas), dos quais foram vendidos mais de 500 mil exemplares. Mas não gostava de teorizar sobre poesia (coisa muito comum entre outros poetas) e preferia que o chamassem de jornalista. Expulso do colégio, em Belo Horizonte, aos 19 anos - por "insubordinação mental" - formou-se em Farmácia ("porque era o curso mais curto"), profissão a qual jamais exerceu. Foi, sim, professor de Geografia e Português, jornalista e funcionário público - por sinal muito exigente. Aos 23 anos casou-se com Maria Dolores - e com ela viveu até o final da vida.

COMUNISTA - Carlos Drummond trabalhou no Ministério da Educação durante a ditadura Vargas, a convite do seu amigo Gustavo Capanema, mas - lá pelos anos quarenta, em especial durante a Segunda Grande Guerra - alinhou-se ao Partido Comunista Brasileiro, o velho PCB, na luta contra o fascismo. Chegou, a convite de Luis Carlos Prestes, a dirigir o jornal do partido - o Tribuna Popular - mas, por incompatibilidade, demitiu-se três meses depois de assumir, por não suportar a ortodoxia comunista e stalinista. Mais tarde, explicou: "O que eu escrevia não saía, e o que saía eu não entendia nada".

Nos anos quarenta, durante a Guerra, compôs poemas bem esquerdistas, até de louvor ao staninismo - num deles saúda a resistência de Stalingrado (hoje com outro nome) aos invasores nazistas. Em 1964, já bem decepcionado com a política, com a esquerda e a politicagem, apoiou o Golpe Militar - dois meses depois já estava novamente decepcionado e enojado com aquilo tudo.

Muito abalado com a morte da filha (teve um filho antes, que morreu poucos meses depois do nascimento), ainda mantinha seus hábitos impecáveis e ordeiros, como o de acordar às 7 horas da manhã e dormir tarde, e o de arrumar as cestas de lixo com tal minúcia que "pareciam presentes de Natal", ou "embrulho de presente". Telefonava seguidamente aos amigos, para saber como estavam e dava lá seus palpites e conselhos.

Cético, bom mineiro, Drummon teve outro grande mérito: já reconhecido com o maior poeta brasileiro - aquele que fazia poesia simples, sem firulas, quase na linguagem do povo - recusou-se a se candidatar à Academia Brasileira de Letras (Moacir Scliar também disse isso nos anos 70, depois quis ser "imortal" e hoje participa dos glamourosos chás da "Casa de Machado de Assis").
E como hoje é domingo, é um bom dia para ler Drummond, na cama, entre as cobertas.

"E agora, José?


a festa acabou,


a luz apagou,


o povo sumiu,


a noite esfriou,


e agora, José?


e agora, você?


você que é sem nome,


que zomba dos outros,


você que faz versos,


que ama, protesta?


e agora, José?"