segunda-feira, junho 02, 2014

Se há tanto mar, como é que vai faltar água de beber para a Humanidade?

Há certas coisas difíceis de compreender, mesmo lendo tudo o que sai na imprensa a respeito delas - ou talvez por isso mesmo. Falo isso a propósito da discussão - um tanto ultrapassada agora, que voltou a chover em grande parte do Brasil - a respeito da falta de água em São Paulo, da baixa total no nível dos açudes, represas e reservatórios que abastecem essa absurda concentração humana que é a Paulicéia e municípios vizinhos. São Paulo que está no alto, na serra, que não tem o nosso gigantesco e generoso Guaíba, mesmo podre e poluído, a lhe socorrer. Uma São Paulo gigante e devoradora que tem sede de água, de beber água e de consumir água, não só para a sua população sedenta como também para suas centenas de milhares de indústrias e pontos comerciais. Durante os piores dias da estiagem o prefeito de lá - o tal galã do cinema indu, como dizem alguns caricaturistas - falou em racionamento e apelou à população paulistana - apelou não, ameaçou com multa - para que economizasse água por todos os meios possíveis. Certo. A princípio o homem tem razão.
Certo, há muito desperdício de água no Brasil, concordo, e concordam ainda mais os estrangeiros, sobretudo os europeus, que chegam aqui e se espantam em ver um sujeito lavar durante mais de uma hora seu velho carro, como se a água existisse em fartura e não custasse quase nada. Lavar o carro, a calçada, o cachorro e o papagaio. Lá eles pagam caro pelo fornecimento e rebolam para que dê para todos.
Pois é, há desperdício por todo o Brasil, de Sul a Norte, de Leste a Oeste, e isso todos, especialmente as autoridades e a imprensa, sabemos e mantemos um certo sentimento de culpa - aqueles dotados disso, obviamente. Dizem que somos perdulários e ingratos com a Natureza - e somos mesmo. Agimos como se a água nunca fosse faltar - até que ela falta, como em São Paulo. 
Mas há algo que me intriga, pelo silêncio que cai sobre o tema, e pela falta de discussões pertinentes, aliás, falta até de referências. Me intriga pois é algo lógico e remete ao que apreendi lá nos velhos bancos da escolinha rural onde me alfabetizei nos anos sessenta - setenta por cento do nosso querido e castigado planeta Terra é coberto de oceanos, não é verdade? Pelo menos é o que nos ensinaram e ensinam há décadas e é o que a gente realmente deduz ao olhar os mapas e ver a imensidão dos mares que recobrem o planeta azul. É tanta água que até os aviões que caem nos oceanos não conseguem mais ser achados. O fundos dos oceanos é mais inexplorado e desconhecido que a superfície da Lua, repete o velho clichê. E deve ser verdade, creio.
Mas o que eu queria saber, e queria que alguém entrasse de verdade e tecnicamente nessa discussão, é o seguinte: se há tanta água, se três quartas partes da superfície da Terra é formada por mares (sem contar as águas interiores, as águas chamadas de doces), como é que vai faltar água para os habitantes da Terra? Well, well, de fato isso me intriga deveras - como é que há tanta água e vai faltar água de beber para os terráqueos? realmente não entendo niente.
Cá com minha braguilha, tentando equacionar logicamente a questão, penso o seguinte: a água do mar é tratável e pode, plenamente, ser transformada em água potável - isto é uma verdade comprovada. Tecnologia para tanto existe e faz tempo - esses dias, por sinal, vi a notícia de um empresário, aliás brasileiro, que está exportando água mineral retirada do mar, e ganhando dinheiro com isso. Se vende, é porque há mercado e há quem compre - ou seja, está produzindo coisa acessível à população e dentro da lógica da produção capitalista.
Então se existe a tecnologia, a mesma lógica - e aí insisto novamente - é que as grandes capitais e as grandes cidades litorâneas fosses abastecidas pela água do mar, não é verdade? Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Fortaleza, etc, poderiam muito bem beber essa água do mar, dessalinizada e tratada, em vez da água interior e subterrânea - pelo menos a lógica me diz isto. O Kuwait, país, não tem rios, e só bebe da água desssalinizada.
Coloco essa questão pois nunca vejo ninguém - nem esses jornalistas metidos a especialistas que surgem na tevê e nas rádios - falando a respeito. Simplesmente nos assustam com a possibilidade do fim das águas doces, do racionamento, das guerras que surgirão em função da conquista das reservas de água.

Cáspite!, se temos tanta água na superfície da terra, se há tecnologia para isso (talvez cara hoje, mas que certamente pode ser barateada), se os grandes centros urbanos estão à beira-mar, como é que vai falta água no mundo nas próximas décadas? 
Me respondam, que continuo e continuarei intrigado e ainda voltarei a esta pergunda: se três quartas partes do mundo são águas, se há tecnologia para transformar isso tudo em água potável, como é que vai faltar água no mundo, hein?  (V.M.)

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