Até hoje Porto Alegre lembra daquele mês de abril de 1976.
* Texto inédito e exclusivo para o Conselheiro X.
Eram 13h45min de 27 de abril de 1976, uma terça-feira com “temperatura em elevação, ventos soprando de leste a norte, fracos”, quando alguns rolos de fumaça começaram a sair do interior das Lojas Renner. Três horas depois a sede de uma das mais tradicionais redes de magazines do Sul do País transformava-se em um esqueleto calcinado e fumegante.
Dezenas de vítimas e desaparecidos, quase oitenta feridos, desabamentos, explosões, pânico, histeria, caos urbano, linhas telefônicas congestionadas, desencontros, confusão, choros, acusações recíprocas e velhas cobranças – este o saldo da tragédia que parou Porto Alegre naquele outono dos anos setenta.
Cerca de 200 mil pessoas, entre moradores e trabalhadores do centro, curiosos vindos dos bairros mais distantes, mórbidos natos, desocupados, batedores de carteiras, bombeiros, policiais, médicos, enfermeiros, soldados do Exército, brigadianos a cavalo e dúzias de alvoroçados repórteres acompanharam ou participaram de um pesadelo que lembrava o ocorrido no edifício Joelma, em São Paulo, dois anos antes, quando, oficialmente, 188 pessoas perderam a vida em circunstâncias semelhantes.
Por um bom tempo o incêndio do Joelma - e o sucesso do filme-catástrofe “Inferno na Torre”, assistido por milhões de brasileiros - alimentou um justificado sentimento de insegurança e sinistrose nos habitantes dos grandes centros urbanos. A revelação a olhos vistos de que a mais rica cidade do País não tinha condições de fazer frente ao perigo das chamas e, pior, que isto representava a regra geral, rendeu dezenas de inflamadas matérias na imprensa, gerou verbosos discursos políticos, modificou algumas leis específicas, alterou e melhorou determinadas coisas no varejo sem, contudo, resultar em uma nova política na área de segurança contra o fogo nas principais cidades brasileiras.
Em meados de 1976 seria a vez de Porto Alegre ter o seu Joelma e de demonstrar mais uma vez o quanto a incúria, o descaso e, talvez, alguma dose de fatalidade, podem se combinar para repetir um enredo que só se modificou em detalhes e cifras de óbitos e feridos. Foi, disparado, a maior tragédia repentina que se abateu sobre a cidade e certamente, por sua alta voltagem emocional, a que mais marcou seus então 1 milhão de habitantes. Comparado a ela, o incêndio das Lojas Americanas, em dezembro de 1972, parecia café pequeno.
Nada, é óbvio, indicava que aquela banal terça-feira, nem quente e nem fria, com termômetros que oscilavam entre 20 e 24 graus, fosse se transformar em um filme de horror para seiscentas pessoas e desorganizar completamente a vida dos porto-alegrenses.
Os jornais que chegavam às bancas traziam manchetes pouco emocionantes, a maioria versando sobre a viagem que o presidente Ernesto Geisel fazia à Europa (Valery Giscard D’Estaing enchia o Brasil de elogios: segundo ele, desde o final da Segunda Guerra, emergíramos como “potência mundial”) , a situação de Angola e o auxílio cubano, as eleições em Portugal, a Argentina (onde ocorrera o golpe militar em 24 de março), o Oriente Médio (a Síria invadira o Líbano, em um banho de sangue) e os ecos dos jogos da dupla Grenal. Em Paris, onde foi recebido pelo embaixador Delfim Neto, Geisel – o condutor da “abertura política lenta, gradual e segura” - reafirmou publicamente a boa notícia que já havia dado aos gaúchos e ao governador Synval Guazzelli em setembro do ano anterior: o Terceiro Pólo Petroquímico seria mesmo instalado no Rio Grande do Sul – e com parcelas de recursos franceses. Na área das telecomunicações, um telefonema do ministro Quandt de Oliveira para o presidente brasileiro, no Palácio de Versalhes, inaugurava a Discagem Direta Internacional entre o Brasil e a Europa.
Na área esportiva, no estádio Olímpico, o Grêmio de Paulo Lumumba vencera o Atlético de Carazinho por 2 a 0, com gols de Zequinha e Iúra. Trinta mil pessoas assistiram ao jogo, no domingo. Já no estádio Centenário, o Internacional havia derrotado o Caxias por 1 a 0, gol de Batista. Os dois jogos eram válidos pelo Campeonato Gaúcho, liderado pelo Inter, que seria bicampeão brasileiro brasileiro. E no dia seguinte, quarta-feira, no Maracanã, a seleção brasileira enfrentaria o Uruguai pela Copa Atlântico (acabou vencendo por 2 a 1, gols de Rivelino e Zico, com cenas de pugilato entre os jogadores). No plano doméstico, o vereador governista Paulo Santana (Arena) defendia o cercamento do Parque Farroupilha, palco de um crescente número de assalto e crimes de morte. Por sua vez, o prefeito Guilherme Sociais Vilela alertava para o inchaço de Porto Alegre e propunha uma série de obras e medidas para evitar que a cidade se tornasse inviável nos próximos vinte anos (conforme as mais recentes estatísticas, a região metropolitana somava 1.481.518 habitantes e 30% das famílias possuíam rendimentos de até 1,5 salário mínimo).
Nos cinemas estreavam “Zorro”, uma refilmagem com Alain Delon no papel principal, e “W. – A Marca do Terror” – a história de uma mulher que é vítima de vários acidentes estranhos, sempre precedidos pela aparição da letra W. A “Macaca Esquecida”, peça infanto-juvenil do jornalista gaúcho Caco Barcelos, contando os problemas de uma cidade grande, prosseguia suas apresentações no Teatro de Câmara.Para os trabalhadores gaúchos e brasileiros, porém, a grande novidade a ser anunciada dizia respeito ao aumento do salário mínimo – o Primeiro de Maio cairia no próximo sábado e aguardava-se o pronunciamento do Ministro do Trabalho informando o reajuste. A programação das emissoras de tevê – canal 12, Gaúcha, Canal 10, Difusora, Canal 5, Piratini, e Canal 7, Educativa – podia ser consultada nas páginas dos seis diários que circulavam então na Capital: Correio do Povo, Folha da Manhã, Folha da Tarde (que completava 40 anos de circulação naquela Terça), Zero Hora, Diário de Notícias e Jornal do Comércio.Sabia-se, assim, que às 14 horas, na tevê Difusora, teríamos o filme “Caminhos Incertos, enquanto a Gaúcha exibiria, no mesmo horário, “Os Monkees Estão Soltos”. Na Segunda-feira, 3, estrearia a nova novela das 10, Saramandaia, com Dina Sfat, Sonia Braga, Wilza Carla, Juca de Oliveira e Milton Moraes. Havia meses, logo depois do Jornal Nacional, os brasileiros acompanhavam as peripécias do taxista Carlão em “Pecado Capital”.
A partir das 14 horas daquela terça-feira, no entanto, todas as emissoras de rádio e televisão da cidade voltaram suas atenções para o incêndio das Lojas Renner, transmitindo a todo momento flashes do da esquina da rua Doutor Flores com a Otávio Rocha.
Ali erguia-se um edifício construído no início dos anos trinta, um grande magazine ofertando uma extensa linha de produtos que ia de roupas infantis a eletrodomésticos.
No alto funcionava o Terrasse Renner, restaurante e casa de chá.Justamente naquela terça, às 15 horas, o Terrasse apresentaria a nova coleção de inverno da indústria de roupas Renner, griffe tradicional de vestuário masculino e feminino cujo slogan – estampado em peças publicitárias na mídia local – centrava-se no chamativo mote “Basta uma vontade louca e viver e pronto”.
O fogo iniciou as 13h45min, no terceiro pavimento, em um pequeno depósito de tintas – elemento de facílima combustão – talvez causado por problemas no ar condicionado, algo que já ocorrera antes e não merecera maiores atenções, e foi devorando tudo pela frente. Calcula-se que, naquele momento, cerca de 600 pessoas estavam no interior do edifício, a maioria clientes da loja, além de casais e executivos que almoçavam no restaurante. Por sorte, metade dos 300 funcionários da casa trabalhavam em um sistema de “horário ronda”, muitos haviam largado às 13 horas para o almoço e só deveriam voltar às 15. Isso, aliado ao movimento comercial, ainda fraco no princípio da tarde, evitou um número maior de vítimas.
ARAPUCA - Neste momento, no primeiro andar (na verdade o terceiro pavimento) o funcionário Luis Carlos Bandeira atendia a clientes na seção de eletrodomésticos.
“De repente chegou um colega e falou que a loja estava incendiando, que era pra descer todo mundo. Eu e outros seis colegas não descemos, queríamos apagar o fogo, pois eu tinha a certeza de que o incêndio tinha começado ali mesmo, no depósito de tintas. Procurei extintores mas foi tarde. Havia muita fumaça e a gente percebeu que não adiantava mais nada. Então decidimos salvar clientes e colegas. Subimos três vezes até o terceiro andar, nas duas primeiras vezes foi fácil, mas no último já tinha muita fumaça e estava quente. Cada vez a gente trouxe para baixo três ou quatro pessoas. A gente precisava ajudar porque o pessoal estava meio perdido, tinha até gente subindo as escadas ao invés de descer”.
Na última tentativa encontrou, agarrada às cortinas, uma moça completamente histérica que parecia querer fugir pela parede. Luís precisou aplicar-lhe um tapa no rosto para que saísse do estado de choque e recobrasse a razão. Agarrando-a com os dois braços, ele pode afinal carregá-la sem resistência.
Outra que escapou do inferno, uma moça de 24 anos chamada Maria Helena, fazia compras no quarto pavimento da loja quando foi avisada do fogo. Barrada pela cortina de fumaça, não conseguiu descer e rumou instintivamente para o terraço.
“- Todo mundo foi pra cima e um homem me ajudou a subir. Eu disse a ele que estava me sentindo mal e que ia desmaiar. Ele falou: se tu desmaia, tu não sai daqui.”No terraço, viu pessoas deitadas no chão, sem entender se era uma forma de se proteger da fumaça ou se haviam desmaiado. Em seguida, retirou o lenço que prendia seus cabelos e amarrou-o na boca.
“Esperei uns dez minutos e durante todo o tempo tropecei numa porção de gente que estava caída. Tinha uma senhora que queria se jogar e eu gritava para ela não pular que a escada vinha chegando”.(Salva pelos bombeiros e medicada no Hospital de Pronto Socorro, Maria Helena seguiu para a casa de uma colega. Lá acalmou-se um pouco, tomou banho e jantou. Antes de tentar um difícil sono a base de tranquilizantes, disse a todos que não teria condições de passar por aquilo tudo novamente e que, se visse que morreria queimada, teria preferido saltar do alto. Mal sabia ela que, 50 horas depois, experimentaria o mesmo horror em novo endereço).
Em pânico, atropelando-se e pisoteando-se umas às outras, as pessoas corriam para o alto, erro que custaria muitas vidas e transformaria o trabalho dos bombeiros um penoso confronto contra uma implacável estrutura de cimento e ferro - o prédio era uma autêntica “arapuca” com apenas duas saídas no térreo. Mais tarde se saberia: havia, sim, saídas em cada andar, ligando o edifício ao prédio ao lado e uma outra, de emergência, no alto. É bem provável que todas estivessem trancadas àquela hora, e mesmo que não estivessem poucos funcionários conheciam tal recurso salvador: afinal, ninguém havia sido orientado sobre como proceder em caso de incêndio.Isso tudo – janelas quadriculadas e vedadas por ferro, corredores estreitos, equipamentos antiquados e que não funcionavam e nenhum esquema previsto para situações de risco – explicariam o elevado número de mortos e feridos.
Posteriormente, o major Ricardo Kelleter, comandante do Centro de Operações da capital, informou: os extintores de incêndio do edifício seriam suficientes para controlar as chamas em seu início, se utilizados corretamente e, claro, se estivessem todos em perfeitas condições de uso. Segundo o major, um soldado da Brigada Militar encontrava-se no quarto andar no momento em que as chamas irromperam no setor de tintas e poderia – com dois ou três extintores – ter dominado a situação. Porém, por mais que procurasse, o PM não encontrou nenhum desses equipamentos. Ademais, na confusão que se seguiu, não havia ninguém que pudesse informar da localização do equipamento. Ele então tratou de salvar a própria pele, descendo as escadas e ganhando a rua.
“Veio o estouro desencadeado pelo medo, e na correria dos que procuravam escapar do inferno já prenunciado, pessoas caíram ao chão, feriram-se, tiveram suas roupas rasgadas. Eva Maria Braga Cançândino, atendida no Pronto Socorro com algumas escoriações, estava na sobreloja e declarou que não chegou a ver nem fumaça e nem fogo. De repente sentiu-se empurrada, recebeu pancadas de todos os lados e acabou desmaiando. Quando recobrou os sentidos estava no HPS”. (Correio do Povo, 28.04.1976)
Porém, para as três dezenas de pessoas que almoçavam no terraço, a percepção de que algo extraordinário estava acontecendo demoraria mais alguns minutos.
Eram 14h10min quando o garçon Kurt notou gritos e um inusitada movimentação nos andares abaixo. Ao descer para o pavimento inferior, viu rolos de fumaça obscurecendo a estreita escada de ligação entre os pavimentos. Imediatamente, ele voltou para o restaurante, onde o pânico já se instalara.Assim como Kurt, Paulo, um confeiteiro de 59 anos, revestiu-se de sua coragem máxima e não se deixou levar pelo desespero. Paulo e Kurt ganhariam a condição de “homens fortes” da tragédia, acalmando os mais histéricos e orientando-os nos procedimentos de sobrevivência. De posse dos extintores – que, ao contrário da maioria, sabia utilizar corretamente – Kurt tentou de pronto combater as chamas. Ao constatar a inutilidade do ato, ordenou que todos molhassem as próprias roupas e colocassem panos umedecidos junto à boca e nariz para evitar o efeito tóxico da fumaça e atenuar o crescente calor.
“Calma, vamos esperar o socorro dos bombeiros, que já estão chegando!”Uma hora depois, já salvo e sem maiores ferimentos, ele contou aos repórteres: “Se eu não mantivesse a calma para orientar os funcionários que estavam nos últimos pavimentos, mais da metade teria se jogado para o chão. Todos estavam desesperados. Eu molhei as roupas do corpo e o avental, fazendo o mesmo com a roupa dos outros. Ensinei que deveriam manter um pano molhado próximo ao rosto”.
Sidnei Marques da Silva, 40 anos, cozinheira do restaurante, irmã de Everaldo, campeão mundial de futebol na Copa do México e ex-craque do Grêmio, não manteve essa calma indispensável e tornou-se a primeira vítima conhecida da tragédia que mal iniciava – desesperada, saltou no espaço com seu uniforme branco, caiu por quase trinta metros, bateu em uma proteção de marquise e desabou no chão da praça Otávio Rocha em meio à correria e aos gritos da multidão.
Eram então 14h10min. Se ficasse onde estava, protegendo-se com panos molhados, Sidnei, que estava grávida de três meses, certamente seria salva pelos bombeiros. Coincidentemente, ela morreu no mesmo dia em que seu irmão, sua cunhada e uma filha destes, de apenas três anos, perderam a vida em um acidente de carro: 27 de outubro de 1974, um ano e meio antes. Também por um desses desígnios do Destino que parecem acompanhar os grandes dramas outro irmão seu, o massagista Ariovaldo, chegava no local naquele exato momento.Alguns minutos depois foi a vez de um funcionário da Renner, mais tarde identificado como Paulo Roberto Apolo, 19 anos, passador de roupas no quinto andar, voar para a morte. Os dois sequer haviam sido tocados pelo fogo.
Embaixo, a multidão hipnotizada tentava acalmá-los, gritando em coro: “Não pulem!, não pulem!”Quem quase pulou foi Ilasir Barreto Gonçalves, de 21 anos, caixa do restaurante:
“Tudo aconteceu com uma rapidez incrível. Primeiro veio o cheiro da fumaça e os funcionários e os frequentadores fizeram alguns comentários, sem grandes preocupações. Os funcionários chegaram a lembrar o que aconteceu há alguns meses, quando um circuito no ar condicionado provocou um cheiro parecido, mas que desapareceu logo. Mas desta vez em dois minutos já tinha muita fumaça. Aí todo mundo começou a correr e a gritar. Uns querendo descer, outro querendo subir. O seu Jonas (ecônomo e arrendatário do Terrasse) tentava acalmar as pessoas. Eu gritava “socorro”, chamando pelo seu Jonas e pela dona Teresinha (esposa deste). Corri para a janela, olhei para baixo e pensei em me jogar. Mas fiquei com medo da altura e voltei. Procurei a porta mas a fumaça tava me sufocando cada vez mais. Aí eu voltei pra janela. Nesse momento eu vi uma escada grande, de ferro, que vinha subindo na minha direção. A escada não chegava nunca, parece que passou toda uma vida. Rezei muito, em voz bem alta, até que eu consegui pegar na ponta da escada. Nessa altura eu já estava quase desmaiando. Depois não lembro de mais nada. Acho que desmaiei. Não sei quem me tirou daquele inferno. Me levaram para um hospital e eu nem sei qual é. Quando me recuperei já estava em casa”.
(No dia seguinte Ilasir, moradora na Vila Esmeralda, em Viamão, na região metropolitana, voltou ao local para saber dos colegas e para recuperar a bolsa com dinheiro e documentos que havia jogado lá de cima. Recebeu-a um tanto chamuscada, mas com todos os pertences dentro).Já o garçon Gentil da Silveira Porto, 37 anos, havia oito trabalhando no Terrasse (conhecia perfeitamente a escada e o desvio enganoso que esta sofre na sobreloja), escapou ileso por uma questão de segundos. Graças sobretudo à sua presença de espírito.Contou ele: logo depois de ouvir gritos de “fogo” a primeira coisa que lhe passou pela cabeça foram os conselhos que lera em um livro - em caso de incêndio, não pegar elevador ou subir para o terraço. Seu raciocínio providencial: Gentil desatou a correr pelas escadas, “sem ver nada pela frente”. Ao alcançar o terceiro andar deparou-se com uma cortina de fumaça que se espraiava pelos pavimentos abaixo sem contudo invadir a sobreloja, onde muita gente gritava e corria às tontas.“Se tivesse demorado um pouquinho mais ou tentasse salvar alguém eu não conseguiria sobreviver”, explicou na saída.
Outra pessoa que conseguiu descer pela escada relatou na saída: “Passei por várias seções da loja e vi pelo menos os corpos de umas doze pessoas estendidos no chão. Não se mexiam, não diziam nada. Coisa horrível, meu Deus. No meio de tanta fumaça eu às vezes tropeçava nos corpos”.Quem teve ao lado alguém que o contivesse nessa hora pode escapar do pior. Ilma Coutinho Costa, uma senhora que almoçava no Terrasse Renner em companhia do marido, Ari, deve a sua vida ao companheiro.
No dia anterior Ilma chegara de Jaguarão, para fazer exames médicos na capital. Depois de feitas as compras na loja, os dois decidiram almoçar ali mesmo. Confrontada com a fumaça e o calor, desesperada com o inferno que se originara nos andares abaixo, ela chegou a ensaiar o salto, colocando um pé na amurada e projetando meio corpo para fora – nesse instante foi segura por Ari.
Com muito esforço, agarrando-a pelo pescoço, ele evitou a queda da mulher durante uma meia hora que lhe pareceu interminável. Salvos pela escada, foram dos primeiros a descer. Ari, chorando, com sangramentos na cabeça e os cabelos chamuscados, contou aos repórteres: “Nós estávamos almoçando quando todos começaram a sentir cheiro de fumaça. Corremos para a escada de emergência mas não dava mais. Ela estava cheia de fumaça. Era melhor ficar pois se tentássemos descer certamente morreríamos sufocados. Mas a fumaça foi aumentando e o calor também. Aí começou o desespero. Era correria para todos os lados. Não sei como eu caí e quebrei minha cabeça. Mas isso não foi nada. O pior foi a crise de nervos que deu na minha mulher, ela não agüentava mais, tossia muito e me convidou para se atirar do prédio. Como eu disse para ela que era melhor esperar que a qualquer hora a escada dos bombeiros chegaria até nós, ela correu para a janela e só deu tempo de eu agarrar metade do seu corpo. Sabe lá o que é ficar quase meia hora agarrando ela com a metade do corpo balançando para fora? Eu estava a ponto de largá-la. Não tinha mais forças para agarrar. Minhas mãos estavam doentes e eu senti que aos poucos ela estava escorregando. Até que a escada apareceu e nós dois descemos. Se os bombeiros levassem mais um minuto para colocar a escada perto de nós, eu ia largá-la, não aguentava mais”.
A chegada dos bombeiros, das ambulâncias e de um batalhão de fotógrafos e repórteres logo seria seguida por soldados do Exército e por helicópteros da Base Aérea de Canoas que sobrevoavam o local – toda a região central e bairros mais próximos estavam paralisados pela tragédia.Temendo assaltos, e também porque não havia outra coisa a fazer naquelas circunstâncias, os comerciantes do centro fecharam as portas e uma turba de comerciários, escolares, office-boys, curiosos de todos os tipos e procedências, passou a disputar o melhor ângulo de visão.
Dos prédios mais próximos pessoas jogavam sacos de leite para quem estava no terraço das Lojas Renner. Em breve tais locais estratégicos seriam evacuados e ocupados pelos soldados do Corpo de Bombeiros, que ali instalaram mangueiras. Atendendo ao pedido das autoridades médicas, as emissoras de rádio transmitiam urgentes apelos para que a população acorresse aos hospitais a fim de doar sangue.
A sessão plenária da Assembléia Legislativa que acontecia na Palácio Farroupilha, na Praça da Matriz, a 500 metros dali, foi suspensa por “falta de condições psicológicas para o prosseguimento dos trabalhos”, isso depois que o deputado Waldir Walter (MDB) ocupou os microfones para relatar o que tinha visto minutos antes: “O caso é tão grave que o Rio Grande do Sul compreenderá. Há dezenas de pessoas lá em cima do prédio, os helicópteros não podem descer. E, na minha opinião, queira Deus que não haja vítimas, mas é da maior gravidade o incêndio que está lavrando nas Lojas Renner, eu vi de perto, testemunhei uma das grandes tragédias do nosso Estado”.
Prontamente, o presidente João Carlos Gastal, colocou a ambulância e o corpo médico da Casa à disposição do Hospital Cristo Redentor, na Zona Norte da cidade, especializado em traumatologia e queimados e para onde seguiam muitos feridos. O hospital montou uma operação de emergência, com dezenas de novos leitos. A direção do Pronto Socorro, por seu lado, proibiu a visita aos pacientes e mobilizou-se toda para o atendimento, recebendo o auxílio de mais de uma centena de médicos que para ali convergiram. A Companhia Rio-Grandense de Laticínios e Correlatos, Corlac, enviou dois caminhões carregados de saquinhos de leite para distribuir aos intoxicados pela fumaça. Ambulâncias de clínicas particulares chegavam ao centro a fim de auxiliar na remoção dos feridos.O cabo Alcides Gonçalves, 28 anos, 13 no corpo de bombeiros, era um dos que passavam pelo local na hora do início do fogo. Mesmo com problemas nos pés (estava em licença médica) e sem nada a protegê-lo das chamas, correu para dentro do edifício e tentou salvar os que lá se encontravam. Pouco tempo depois, com o rosto e os braços cobertos de remédios contra as queimaduras, explicou singelamente a sua atitude: “Numa hora dessas a gente não pensa em nada, não quer saber o que vai acontecer. E, depois, bombeiro não pode ver bombeiro mal”.
Duas faces do mesmo drama: ao tempo em que centenas de homens e mulheres faziam fila no posto do Banco de Sangue no Largo da Prefeitura para suprir a demanda nos hospitais, aproveitadores, punguistas e assaltantes agiam quase impunemente na cidade fragilizada. Ao ouvir os apelos no rádio o auxiliar de enfermagem José Jorge Escalante, 32 anos, quatro filhos pequenos, saiu de sua casa, na avenida Getúlio Vargas, no bairro Menino Deus, e seguiu apressadamente rumo ao HPS. Ao atravessar o parque da Redenção, próximo ao auditório Araújo Viana, foi interceptado por uma dupla de assaltantes. Esfaqueado no peito, morreu quarenta minutos depois, no próprio HPS.
TERCEIRA VÍTIMA - Abrindo caminho em meio à multidão, o primeiro carro do Corpo de Bombeiros, vindo do quartel na avenida Silva Só, chegou ao local às 14h20min, seguido de outros da estação Floresta. Dez minutos depois um veículo equipado com escadas Magirus encostou em frente ao prédio. Os bombeiros ligaram as mangueiras nos hidrantes existentes e deram início efetivo ao salvamento.A primeira escada, a maior, subiu lentamente. Outras duas foram dispostas no lado, na rua Doutor Flores. A multidão acenava para as pessoas que estavam nos últimos andares. Ambulâncias começam a chegar de todos os lados. Das janelas do edifício pessoas acenam com as mãos ou com lenços, implorando socorro imediato. Muitas delas jogavam seus pertences do alto.De súbito, a cabeça de um homem projeta-se pelo interior das grades de uma janela. Sufocado pela fumaça, e na intenção de alcançar a escada que se aproximava, ele havia quebrado os vidros para respirar ar puro quando – provavelmente intoxicado – desmaiou sobre os cacos pontiagudos e morreu devido aos cortes no pescoço. Exatamente nesse instante um bombeiro pulava no parapeito para resgatá-lo.
A vítima foi identificada como Germano Jonas, 67 anos, ecônomo do restaurante Terrasse Renner, um alemão naturalizado brasileiro. Nascido em Frankfurt, Germano morava no próprio edifício com a esposa Teresinha e a sogra de 82 anos, que também pereceram no incêndio.No alto do prédio, o confeiteiro Altair Giacometti tirou o casaco e iniciou uma arriscada descida segurando-se em uma calha. No meio do caminho esta entortou e Altair quase caiu. Mesmo assim, conseguiu escorregar até o terraço e ali agarrou-se à escada dos bombeiros, chegando são e salvo ao solo. Lá recebeu o abraço de um sobrinho que observava a cena junto à multidão.Às 15h05min as primeiras pessoas – os garçons Nelson e Flávio – puderam finalmente colocar os pés na escada, sob aplausos da multidão. Já na calçada, Flávio bebeu alguns goles de leite e informou que ainda havia mais de trinta pessoas no terraço, muitas delas desmaiadas. Em seguida, ele próprio desmaiou. Minutos depois foi a vez do casal de Jaguarão ser salvo.Com isso estava evidente que quase todos, inclusive aqueles que penduravam-se nas cornijas, poderiam sair dali com vida. A escada – que parecia não conseguir elevar-se além do penúltimo andar – chegava agora ao terraço, onde destacavam-se as figuras de outras pessoas à espera do salvamento. Elas vão descendo em fila indiana, algumas chorando, muitas tremendo. Quando chegam ao solo são brindadas com goles de leite e rapidamente embarcadas nas ambulâncias que seguem rumo ao Pronto Socorro e aos demais hospitais da cidade. Algumas precisam de respiração artificial.A essas alturas, a compacta massa humana tem que ser afastada à força. Helicópteros sobrevoam o local. O deslocamento do ar espalha a fumaça e atiça as chamas, o que irrita sobremaneira os bombeiros.Na verdade, a não ser por uma presumida função psicológica – serviria, em tese, para demonstrar o curso das iniciativas e, por conseguinte, acalmar as vítimas – nunca se entendeu, de fato, o que tais máquinas faziam no local do incêndio. Não havia heliporto algum e nem os tripulantes dos helicópteros estavam preparados para tais ações de salvamento.Não bastasse a falta de roupas especiais e de suficientes máscaras a protegê-los da fumaça e dos gases – algo que havia sido prometido à corporação depois do que acontecera nas Lojas Americanas – os bombeiros enfrentavam dificuldades adicionais em terra. Os poucos hidrantes revelaram-se insuficientes e a saída foi recorrer ao rio Guaíba, em cujas margens lanchas da Companhia de Socorro Naval bombeavam água para os carros-pipa que faziam um penoso vai-e-vem de abastecimento.
Às 15h15min, através de megafones, a Polícia Militar apelou a todos para que se retirassem – são auxiliados nisso por tropas da Polícia do Exército que imediatamente afastam os populares.Por sua vez, a energia elétrica dos prédios mais próximos já fora desligada. O comandante geral da Brigada Militar, coronel Jesus Linares Guimarães, recém havia chegado ao local quando um soldado informou que alguém acendera uma vela em um dos apartamentos do último andar do edifício localizado na esquina da rua Vigário José Inácio, onde, no térreo, funcionava a loja Escosteguy. Minutos depois, os PMs e o comerciante respiraram aliviados: tratava-se apenas da lanterna do zelador que fazia uma ronda de verificação.A esse tempo os bombeiros estavam convictos de que nada mais de efetivo restava então a fazer. Emílio Rocha Fontoura, 20 anos de profissão, irritado, disse aos repórteres: “Isso aqui é uma verdadeira ratoeira humana”. Outro colega seu, o soldado Jandir Carvalho, lamentou: “Tentei tirar várias pessoas lá de dentro, mas elas não passavam pelas janelas”. No interior do edifício explodiram botijões de gás. Um homem desacordado continuava dependurado com uma perna e um braço para fora da janela. Um bombeiro aproximou-se e lançou-lhe um jato de água. O homem se refez imediatamente, e o soldado foi aplaudido pela multidão.Quem estava no terraço do edifício Apesul, defronte ao Renner, na avenida Alberto Bins, pode ver o corpo carbonizado de uma pessoa que agarrava-se a uma janela de um dos últimos andares. O jornal Folha da Manhã – que mobilizou uma grande equipe de repórteres, sendo recompensando com uma das mais completas coberturas do fato - retratou este momento.“Quinto andar. Não dava para sair por nenhuma das janelas, eram muito pequenas e com grades. O fogo já alcançava as escadas do quinto andar e as pessoas corriam desesperadas, em pânico, tentando alcançar o terraço, único lugar onde poderiam fugir daquela ratoeira.Um bombeiro, que subiu na escada Magirus para retirar as pessoas que ocupavam o terraço, vindas de todos os andares do prédio, contou depois, desolado: “Da escada deu pra ver o interior do restaurante, no terraço da loja. Entre as cadeiras e mesas, vi perto de uns dez corpos pelo chão, ou mais. Não sei se estavam mortos ou se procuravam se proteger, no desespero.”A água era jogada pelos bombeiros, posicionados com as mangueiras nos terraços e andares superiores dos prédios vizinhos, todos agora evacuados. Quem estava no terraço do edifício da Apesul (financeira), na avenida Alberto Bins, pode ver o corpo carbonizado de uma pessoa, não dava para distinguir direito se era homem ou mulher, agarrado numa janela do quinto andar.Quem falou com essa pessoa, antes de morrer, foi o PM Eusébio: “Era uma mulher, eu falei com ela, tentei agarrar para trazer para a escada Magirus onde eu estava. Mas não deu. Eu senti o medo e o desespero nela. A janela era estreita demais, ela conseguiu quebrar um vidro e passar um braço e a cabeça. Atrás dela, dentro da loja, estava tudo escuro por causa da fumaça e dava pra ver o fogo também. Não deu pra tirar ela dali.”
No prédio do Hospital de Pronto Socorro, na avenida Osvaldo Aranha, a tarefa da direção tampouco era das mais fáceis: tratava-se de improvisar da melhor forma possível um satisfatório esquema de atendimento a dezenas de feridos que ali aportavam, a grande maioria intoxicados pela fumaça (entre os socorridos no HPS e nos hospitais da cidade poucos apresentavam queimaduras mais sérias e não houve nenhum óbito de feridos nos dias seguintes).Um apelo do diretor da instituição, Ubirajara Motta, atraiu rapidamente centenas de médicos que não pertenciam aos quadros da casa. Unidades móveis haviam sido deslocadas até as proximidades do edifício Renner, porém era no HPS que os familiares das possíveis vítimas da tragédia poderiam agora ter alguma certeza ou colher informações mais seguras.Obviamente, a confusão era total dentro e fora do HPS, e o desespero atingia paroxismos. Outro apelo do diretor para que os motoristas deixassem livres as vias de acesso aos hospitais da cidade, especialmente a avenida Osvaldo Aranha, a Ramiro Barcelos e a avenida João Pessoa, por onde passavam as ambulâncias e as viaturas, foi devidamente atendido e evitou o caos absoluto.Soldados da Polícia do Exército organizaram um cordão de isolamento em torno do Hospital, ameaçado de invasão por parte dos parentes das vítimas. O capitão da Brigada Militar, Servo Tellier e sua esposa, Alba, buscavam informações do filho, Paulo.Sem conseguir identificá-lo entre os feridos, o militar voltava para junto da mulher quando avistou os dois – mãe e filho – abraçados do lado de fora, ela chorando e ele tentando acalmá-la.
Paulo explicou: com folga das 12 às 14 horas, havia saído a fim de matricular-se no exame supletivo e, quando voltou ao local de trabalho, deparou-se com o prédio ardendo em chamas. Preocupado com a sorte de seus companheiros, correu para o HPS – e ali reencontrou a mãe. Quando viu o desfecho feliz o capitão Tellier, com voz embargada, disse que agora era a sua vez de colaborar, doando sangue. E prontamente voltou para o interior do hospital.Poucos mantinham esse autodomínio. José Wilson Rodrigues, cuja irmã trabalhava na loja, não conseguiu sequer chegar ao balcão de informações: antes disso teve um ataque convulsivo e caiu ao chão. Uma moradora das proximidades do Edifício sofreu uma crise nervosa e ao chegar ao HPS só conseguia pronunciar uma palavra: “terremoto, terremoto...”Terremoto era o nome de um filme-catástrofe lançado no ano anterior.
A estas alturas, por assim dizer, Porto Alegre havia parado. Nenhum ônibus podia largar passageiros nos terminais da Praça XV e da praça Rui Barbosa. Todas as guarnições da Brigada Militar, do Primeiro Batalhão, do Nono, do Décimo Primeiro e até os soldados que faziam o policiamento do Palácio Piratini, estavam no local.A Polícia isolou a rua Voluntários da Pátria até o elevado da Conceição, a Pinto Bandeira, a Coronel Vicente, a Vigário José Inácio, a Doutor Flores e a Salgado Filho, no sentido bairro-centro. Linhas de ônibus foram desviadas e proibiu-se o estacionamento em muitas áreas. A avenida Júlio de Castilhos, uma das principais artérias do centro, transformou-se em um imenso calçadão de pedestres. Sensível à tragédia, a comissão organizadora do Primeiro Seminário Internacional de Investimentos no Estado do Rio Grande do Sul, cujo encerramento deveria acontecer à noite, com um banquete na Associação Leopoldina Juvenil, cancelou o evento. Ao mesmo tempo a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, OSPA, divulgava uma nota à imprensa cancelando a apresentação do maestro Isaac Karabtchevsky e do solista Roberto Szidon, também programado para aquela noite. O prefeito Guilherme Socias Vilela compareceu ao Pronto Socorro e, irritado, condenou o que definiu como “exploração da tragédia para fins políticos”: “Não posso admitir que oportunista algum pretenda tirar proveito eleitoral disso”, atacou, sem dar nome aos bois.Vilela referia-se ao líder da oposição, Brochado da Rocha, e ao também medebista Carlos Serafim Pessoa de Brum.
O primeiro havia convocado a bancada oposicionista para uma precipitada “tomada de posição quanto ao incêndio das Lojas Renner”, enquanto o segundo distribuía aos jornalistas cópias de seu projeto-de-lei estabelecendo normas mais rígidas de “habite-se” e prevendo a construção de heliportos nos edifícios mais altos de Porto Alegre, projeto aprovado pelos vereadores, porém vetado pelo prefeito anterior, Telmo Thompson Flores sob a alegação de que isso iria encarecer a construção de moradias em um país carente nesse setor. “Lamento não haver heliporto no edifício, o que poderia ter salvo vidas”, retrucou Pessoa de Brum.De fato, pouco ou nada mudara desde o incêndio das Lojas Americanas. A imprensa aproveitou para lembrar os grandes incêndios que marcaram a Capital: o do edifício Malakoff, primeiro “arranha-céu” da cidade, com quatro andares, construído em 1864; o do Grande Hotel; o do Tribunal de Justiça; o do Palácio da Polícia; o do colégio Júlio de Castilhos; o da Casa de Correção; o do depósito de fogos Fulgor; o do Restaurante Dona Maria.
O FOGO EM OUTROS PONTOS DA CIDADE - Às 15h30min um pedaço do edifício não resiste ao furor das chamas e à devastação das explosões.
No lado da rua Doutor Flores, entre a construção principal e a loja Imcosul, parte das paredes externas – o equivalente a cinco andares – vem abaixo. Vinte minutos depois desabariam aquelas situadas entre o edifício principal e o Armazém Riograndense. Vidraças, anúncios e objetos próximos às janelas aos poucos também vão caindo. Um velho bombeiro caminha na direção da rua Voluntários da Pátria para ajudar na junção das mangueiras e diz aos repórteres: “Não se pode fazer mais nada”.Do total de mais de 200 homens mobilizados para o combate ao fogo e salvamento de vidas, 12 estavam feridos. Um deles – o soldado Manoel dos Santos – teve de ficar internado no Pronto Socorro para se recuperar da intoxicação dos gases.A fumaça é agora mais intensa do que nunca e, quando se dissipa, revela a figura carbonizada de uma pessoa com o braço para fora de uma das janelas. Pelos megafon